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Bem-estar e cuidado animal

Pesquisadores propõem lista ética para aspiração folicular em éguas

Publicada na Theriogenology, a ferramenta cobre bem-estar animal, ética profissional e ética procedimental; inquérito na Equine Veterinary Journal mostra que a percepção do dilema muda conforme a experiência com a técnica.

· Redação ACE

A combinação de aspiração folicular (OPU) e injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) cresceu na criação de cavalos de esporte. Um artigo de agosto de 2026 propõe uma lista de autoavaliação ética para a prática; um inquérito com 429 veterinários e criadores revela divergências sobre o quanto a técnica é eticamente desafiadora; e um programa clínico com 515 sessões dá a dimensão dos resultados e dos riscos.

As tecnologias de reprodução assistida podem acelerar o melhoramento genético na criação seletiva de cavalos e resolver problemas reprodutivos específicos. Uma das mais recentes na criação de cavalos domésticos é a aspiração folicular transvaginal guiada por ultrassom, conhecida pela sigla OPU, combinada com a injeção intracitoplasmática de espermatozoide, a ICSI. Como outros métodos de reprodução, ela levanta questões éticas sobre bem-estar animal, segurança da equipe e integridade da prática profissional e veterinária. Um artigo publicado em 22 de agosto de 2026 na Theriogenology propõe uma forma de monitorar essas questões no dia a dia.

Os autores, de instituições europeias, desenvolveram uma lista de autoavaliação ética organizada em três dimensões: ética do bem-estar animal, ética profissional e ética procedimental. O instrumento foi construído e testado em processo iterativo com um painel de 14 especialistas em OPU e em ética aplicada. Os objetivos declarados incluem reduzir riscos procedimentais e proteger o bem-estar do animal; a abordagem de autoavaliação, segundo o resumo, permite aos profissionais destacar problemas que passariam despercebidos na rotina e garantir que os procedimentos sigam padrões éticos elevados. O resumo não descreve os itens da lista; o texto completo é necessário para conhecê-los.

Quem faz e quem não faz veem o dilema de forma diferente

Um inquérito publicado dias depois, em 27 de agosto de 2026, na Equine Veterinary Journal, mediu como veterinários e criadores de cavalos de esporte percebem a ética da OPU-ICSI. Foram três questionários, com 225 respostas de criadores, 92 de veterinários que realizam OPU e 112 de clínicos gerais de equinos. Entre os veterinários que não fazem OPU, 58,8% classificaram a técnica como eticamente desafiadora (notas 4 ou 5 em escala de 5 pontos), assim como 55,2% dos criadores que não a utilizam. Entre os que a praticam, as proporções caem para 35,2% dos veterinários e 19,6% dos criadores.

Apesar da divergência, o bem-estar da égua foi o tema principal em todos os grupos, seguido de perto, entre os criadores, pela preocupação com diversidade genética e uso excessivo. Os autores reconhecem o potencial de viés de motivação e de resposta e concluem que é preciso caracterizar melhor a experiência da égua durante a OPU para embasar orientações clínicas e de criação.

A dimensão dos resultados e dos riscos

Para entender o que está em discussão, ajuda olhar os números de um programa clínico consolidado, publicados em 2022 na Theriogenology. Em 515 sessões de OPU-ICSI realizadas em 2021 em uma clínica universitária europeia, foram aspirados em média 25,9 folículos por sessão, com 13,8 oócitos imaturos enviados a um laboratório especializado. Um ou mais blastocistos foram produzidos em 78% dos procedimentos, com média de 2,12 por sessão, e a probabilidade de prenhez após a transferência de 781 blastocistos criopreservados foi de 77,7%. Cerca de 60% dos blastocistos transferidos resultaram em potro, sem efeito perceptível sobre a duração da gestação ou a saúde dos potros. Os autores registram que complicações graves após a OPU são incomuns, mas existem e algumas podem ameaçar a vida da égua, razão pela qual os proprietários devem ser informados.

Os três trabalhos descrevem uma técnica eficaz, com riscos conhecidos e uma divisão de percepções que acompanha a familiaridade com o procedimento. A lista de autoavaliação proposta em 2026 é uma tentativa de dar forma escrita a preocupações que, segundo o inquérito, todos os envolvidos dizem ter. Esta síntese não avalia a técnica nem orienta sua indicação; para decisões sobre programas de reprodução, os artigos completos e a avaliação de um médico-veterinário especializado em reprodução equina são o caminho.

Fontes

  1. 1
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    Veterinarian and breeder perspectives surrounding ovum pick-up and intracytoplasmic sperm injection in mares: A survey study

    Equine Veterinary Journal · Lewis N, Spanner J, Daels P, Arango JC, Morganti M, Dini P · 27/08/2026 · DOI 10.1002/evj.70323

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