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Bem-estar e cuidado animal

Estudo avalia atendimento conjunto a pessoas em situação de rua com cães

Pesquisa na PLoS One ouviu pessoas em situação de rua e provedores de serviços veterinários, de saúde e de habitação; dois estudos anteriores mostram que esses cães costumam estar bem cuidados, com o estresse de separação como principal preocupação.

· Redação ACE

Uma em cada dez pessoas que buscam abrigo no Reino Unido tem animal de companhia, geralmente um cão, e o cão pode ser o motivo de a pessoa continuar na rua. Um estudo publicado em setembro de 2026 investigou, com análise fenomenológica interpretativa, as necessidades de saúde dessas duplas e a viabilidade do atendimento conjunto. Avaliações de bem-estar nos Estados Unidos e no Reino Unido descrevem a condição dos cães.

Cerca de uma em cada dez pessoas que buscam abrigo por situação de rua no Reino Unido tem um animal de companhia, mais comumente um cão. Ter um cão nessa condição pode ser uma barreira ao acesso a cuidados de saúde e a acomodação, e pode forçar a pessoa a dormir na rua. Um estudo publicado em 3 de setembro de 2026 na PLoS One, por pesquisadores britânicos, descreve essas pessoas como uma minoria estigmatizada dentro de uma minoria, muitas vezes invisível aos serviços de apoio e difícil de alcançar.

O vínculo entre a pessoa e o cão nessas situações costuma ser forte; o cão é frequentemente o outro mais significativo na vida daquela pessoa. Não acomodar essa relação, argumentam os autores, tem implicações tanto para a saúde humana quanto para a animal na população em situação de rua, e reunir as duas disciplinas de cuidado é uma aplicação específica da Saúde Única. O estudo usou análise fenomenológica interpretativa para explorar as necessidades e os desafios de saúde de pessoas em situação de rua com cães e investigar a viabilidade de um atendimento conjunto. Participaram pessoas em situação de rua e provedores de serviços veterinários, de saúde humana e de habitação.

Saúde entrelaçada, atendimento coordenado

Usuários e provedores consideraram a saúde humana e a animal entrelaçadas, exigindo uma abordagem que leve em conta as necessidades de ambos. A ideia de oferecer cuidado humano e veterinário no mesmo local despertou interesse nos dois grupos, mas também preocupações. Como os exemplos na literatura são escassos, os autores sugerem que um conceito mais viável seja o de um cuidado de saúde multiespécie coordenado, responsivo e empático às necessidades de pessoas e cães.

Como estão esses cães

A percepção pública de que pessoas em situação de rua não conseguem cuidar de um animal foi testada em dois estudos. Nos Estados Unidos, um estudo descritivo publicado em 2024 na Animal Welfare avaliou 100 díades pessoa-cão no oeste do país, com inquérito e avaliação visual da condição do cão sob a lente One Welfare, que observa bem-estar do animal e da pessoa, ambiente e a noção de uma vida que vale a pena ser vivida. Os cães estavam bem cuidados e fisicamente saudáveis, em linha com outros estudos, e tinham poucos problemas comportamentais, mas apresentavam evidência de estresse de separação quando o tutor se ausentava. Os autores apontam implicações para políticas e práticas que proíbem cães em abrigos para pessoas, que costumam alegar falta de recursos para receber uma pessoa com cão.

No Reino Unido, um estudo publicado em 2022 na Veterinary Record avaliou 21 cães de 19 pessoas em situação de rua com a ferramenta PDSA Petwise MOT. Os cães compararam-se favoravelmente a animais de tutores convencionais na maioria das áreas, incluindo exercício e companhia. Os problemas incluíam sobrepeso ou obesidade, em prevalência menor que a da população geral, e dificuldade de alguns tutores para acessar cuidado veterinário. Preocupações comportamentais foram relatadas para 61,9% dos cães, mais comumente estresse relacionado à separação. A impossibilidade de deixar o animal em segurança, observam os autores, pode prejudicar o acesso do tutor a serviços; cuidado veterinário acessível, apoio comportamental e serviços que aceitem animais poderiam melhorar a saúde de ambos.

Os três trabalhos apontam para a mesma direção: os cães de pessoas em situação de rua tendem a estar bem, o que falta é acesso a serviços que não obriguem a escolher entre o abrigo e o animal. Para o profissional veterinário, o estudo de 2026 sugere um lugar concreto na rede de atenção, ao lado dos serviços de saúde e habitação.

Fontes

  1. 1
  2. 2
    Physical and behavioural health of dogs belonging to homeless people

    Animal Welfare (UFAW / Cambridge University Press) · King C, Smith TJ, Kabrick K, Dzur A, Grandin T · 26/02/2024 · DOI 10.1017/awf.2024.12

  3. 3
    Assessment of health and welfare in a small sample of dogs owned by people who are homeless

    Veterinary Record (BVA / Wiley) · Scanlon L, Hobson-West P, Cobb K, McBride A, Stavisky J · 01/06/2022 · DOI 10.1002/vetr.776