Prática baseada em evidências
WSAVA divulga novas diretrizes globais para odontologia em pets
Publicadas no Journal of Small Animal Practice, as diretrizes revisam a versão de 2019, tratam a odontologia sem anestesia como ineficaz ou danosa e ganham seções sobre trauma, enfermagem, pacientes jovens e radiografia. Dados do VetCompass mostram a dimensão da doença periodontal em cães e gatos.
· Redação ACE
A World Small Animal Veterinary Association publicou em setembro de 2026 a revisão de suas diretrizes globais de odontologia. O documento parte de uma constatação: as doenças orais são as mais comuns na clínica e seguem subtratadas, em parte porque a disciplina é pouco ensinada. Estudos de base populacional no Reino Unido registram prevalência anual de 12,5% em cães e 15,2% em gatos.
Doenças dentárias, orais e maxilofaciais são as condições mais comuns vistas na clínica veterinária de pequenos animais, e podem causar não só dor significativa como infecção. Com esse ponto de partida, a World Small Animal Veterinary Association (WSAVA) afirma que doenças orais e dentárias não tratadas ou subtratadas representam uma preocupação significativa de bem-estar animal. A revisão de suas diretrizes globais de odontologia foi publicada em 2 de setembro de 2026 no Journal of Small Animal Practice.
O documento reconhece que a odontologia ainda é uma área pouco ensinada na medicina veterinária e, por isso, sujeita a mitos e equívocos; o ensino eficaz no currículo é apontado como chave para o avanço da disciplina. As diretrizes foram criadas para dar aos veterinários as bases para oferecer terapia padrão-ouro e, ao mesmo tempo, definir padrões mínimos realistas de cuidado. Para isso, usam o sistema de educação continuada em três níveis da WSAVA, baseado na classificação do Banco Mundial, e fazem recomendações globais de equipamentos e terapêuticas, destacando as exigências anestésicas e de bem-estar para os pacientes.
O que há no documento
O texto cobre as doenças orais e dentárias comuns, procedimentos diagnósticos e tratamentos básicos, com seções sobre anestesia e manejo da dor em procedimentos odontológicos, cuidado dentário domiciliar, nutrição e o papel das universidades na melhoria do ensino. Uma discussão específica é dedicada aos efeitos deletérios da odontologia sem anestesia, descrita como ineficaz na melhor das hipóteses e danosa na pior. Os efeitos negativos da doença dentária não diagnosticada ou não tratada são tratados como questão de bem-estar. Em relação à versão de 2019, a revisão reflete avanços em diagnóstico e tratamento e inclui seções novas sobre trauma, o papel dos enfermeiros veterinários, patologia juvenil, ergonomia e uma seção ampliada sobre interpretação radiográfica.
A dimensão do problema em números
Estudos do programa VetCompass, do Royal Veterinary College, dão a medida da doença periodontal na atenção primária britânica. Em cães, um estudo publicado em 2021 no Journal of Small Animal Practice analisou amostra aleatória de 22.333 animais sob cuidado veterinário em 2016 e encontrou prevalência anual de 12,52%. Dezoito raças tiveram odds aumentadas em relação aos mestiços, com Poodle Toy (razão de chances 3,97), King Charles Spaniel (2,63), Greyhound (2,58) e Cavalier King Charles Spaniel (2,39) no topo; raças braquicefálicas tinham 1,25 vez as odds das mesocefálicas, spaniels 1,63 vez as dos demais, e o peso corporal adulto crescente associou-se a odds progressivamente menores.
Em gatos, um estudo de 2023 no Journal of Feline Medicine and Surgery, com amostra aleatória de 18.249 animais entre 1.255.130 sob atenção primária em 2019, encontrou prevalência anual de 15,2%, com Siamês (18,7%) e Maine Coon (16,7%) entre as raças mais afetadas. A idade mediana dos gatos com doença periodontal era de 9,47 anos, contra 4,94 nos demais; peso, idade e estado reprodutivo associaram-se a odds crescentes. Gatos com doença periodontal tinham mais comorbidades (mediana de 3 contra 1) e 1,79 vez as odds de ao menos um outro diagnóstico. Os autores concluem que a doença periodontal é o diagnóstico específico mais comum em gatos e que o envelhecimento é o preditor mais forte.
Para a prática, o conjunto sugere um caminho: a WSAVA oferece o que fazer e em que nível de recursos; os estudos populacionais indicam em quais pacientes procurar, com atenção a raças predispostas, cães pequenos e gatos idosos. O texto completo das diretrizes está no periódico; esta síntese não substitui sua leitura nem a avaliação clínica individual.
Fontes
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1
World Small Animal Veterinary Association global dental guidelines
Journal of Small Animal Practice (BSAVA / Wiley) · Niemiec B, Gawor J, Nemec A, Chandler M, Mestrinho LA, Steagall PV · 02/09/2026 · DOI 10.1111/jsap.70057
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2
Epidemiology of periodontal disease in dogs in the UK primary-care veterinary setting
Journal of Small Animal Practice (VetCompass, Royal Veterinary College) · O'Neill DG, Mitchell CE, Humphrey J, Church DB, Brodbelt DC, Pegram C · 01/12/2021 · DOI 10.1111/jsap.13405
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3
Periodontal disease in cats under primary veterinary care in the UK: frequency and risk factors
Journal of Feline Medicine and Surgery (ISFM / SAGE; VetCompass) · O'Neill DG, Blenkarn A, Brodbelt DC, Church DB, Freeman A · 01/03/2023 · DOI 10.1177/1098612X231158154
