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Revisão destaca avanços e desafios no carcinoma mamário felino

Publicada na Veterinary and Comparative Oncology, a revisão pede estudos prospectivos multicêntricos com estadiamento harmonizado; trabalhos recentes sobre infiltrado imune, necrose e fosfoproteômica mostram de onde podem vir os próximos marcadores.

· Redação ACE

O carcinoma mamário é o tumor reprodutivo mais prevalente em gatas e combina alto potencial maligno com disseminação precoce. Uma revisão publicada em setembro de 2026 organiza o conhecimento clínico atual e aponta onde falta consenso. Três estudos de 2022 a 2025 ilustram as linhas de pesquisa em marcadores prognósticos e alvos terapêuticos.

Os carcinomas mamários felinos continuam sendo um dos maiores desafios terapêuticos e prognósticos da oncologia veterinária. A razão, segundo uma revisão publicada em 7 de setembro de 2026 na Veterinary and Comparative Oncology, por pesquisadores portugueses, é a combinação de três características: alto potencial maligno, disseminação precoce e heterogeneidade substancial no comportamento clinicopatológico.

A revisão resume o conhecimento clínico atual sobre epidemiologia, fatores de risco, investigação diagnóstica, estadiamento, tratamento e avaliação prognóstica, destacando as áreas de consenso e as controvérsias persistentes. A conclusão é programática: o progresso no cuidado exigirá estudos prospectivos e multicêntricos construídos sobre estadiamento e relatórios patológicos harmonizados, que permitam vias de tratamento adaptadas ao risco, baseadas em evidência e aplicáveis na clínica. O resumo não detalha protocolos; o texto completo é necessário para conhecê-los.

Marcadores em construção

Parte das controvérsias diz respeito a quais marcadores prognósticos usar. Um estudo publicado em 2022 na revista Cells, também de grupo português, analisou o infiltrado inflamatório em 73 carcinomas mamários felinos, medindo marcadores de linfócitos e macrófagos infiltrantes no estroma e dentro do tumor. Percentuais mais altos de linfócitos CD8+ estromais associaram-se a maior sobrevida livre de doença (p = 0,05) e sobrevida global (p = 0,021); percentuais mais altos de CD4+ intratumorais correlacionaram-se a linfonodo positivo (p = 0,003); e macrófagos CD163+ associaram-se a tumores indiferenciados (p = 0,013). Os autores veem paralelo com o câncer de mama humano e reforçam a relevância do modelo felino.

Outro candidato é a necrose tumoral, que integra esquemas de graduação em oncologia veterinária, mas cujos métodos de avaliação são pouco padronizados. Um estudo publicado em 2024 na Animals aplicou métodos semiquantitativo e quantitativo em 154 tumores mamários felinos. Apesar da subjetividade, a concordância entre dois observadores foi quase perfeita (kappa ponderado 0,851), e os dois métodos se correlacionaram. A necrose foi mais comum e mais extensa nos tumores malignos, e a necrose extensa associou-se a características agressivas, como maior grau histológico, alta contagem mitótica e invasão linfovascular. A análise de sobrevida, porém, não produziu resultado significativo, o que os autores registram como limite do achado.

Alvos moleculares

Na fronteira molecular, um estudo publicado em 2025 na PLoS One realizou o primeiro perfil fosfoproteômico do carcinoma mamário felino, comparando amostras de grau 1 (6), grau 2 (11), grau 3 (14) e controles normais (6) por enriquecimento de fosfoproteínas e espectrometria de massas. Dezessete fosfoproteínas apareceram com expressão reduzida em todos os graus, muitas com papel estabelecido na patogênese e no prognóstico do câncer de mama humano; uma proteína quinase associou-se à expressão de Ki-67 (p = 0,03). Os autores apresentam os achados como base para identificar biomarcadores diagnósticos e prognósticos e potenciais alvos terapêuticos, ainda sem aplicação clínica.

Esta síntese descreve o estado da pesquisa e não orienta condutas. Decisões sobre estadiamento e tratamento de gatas com tumor mamário cabem ao médico-veterinário, com base no texto completo das fontes e na avaliação individual de cada caso; a publicação deste texto está condicionada à revisão técnica em oncologia veterinária.

Fontes

  1. 1
    Feline Mammary Carcinomas: Clinical Perspectives on Diagnosis, Staging, Treatment and Prognosis

    Veterinary and Comparative Oncology (Wiley) · Petrucci GN, Lobo L, Queiroga FP · 07/09/2026 · DOI 10.1111/vco.70109

  2. 2
    The Landscape of Tumor-Infiltrating Immune Cells in Feline Mammary Carcinoma: Pathological and Clinical Implications

    Cells (MDPI) · Nascimento C, Gameiro A, Correia J, Ferreira J, Ferreira F · 18/08/2022 · DOI 10.3390/cells11162578

  3. 3
    Level of Necrosis in Feline Mammary Tumors: How to Quantify, Why and for What Purpose?

    Animals (MDPI) · Rodrigues-Jesus J, Canadas-Sousa A, Santos M, Oliveira P, Figueira AC, Marrinhas C · 14/11/2024 · DOI 10.3390/ani14223280

  4. 4
    Phosphoproteomic profiling of feline mammary carcinoma: Insights into tumor grading and potential therapeutic targets

    PLoS One · Aruvornlop P, Ploypetch S, Sakcamduang W, Sirivisoot S, Kasantikul T, Roytrakul S · 21/08/2025 · DOI 10.1371/journal.pone.0330520