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Biossegurança e Saúde Única

Revisão detalha riscos da gripe aviária H5N1 em gatos domésticos

Artigo na Veterinaria Italiana consolida o que se aprendeu com o clado 2.3.4.4b; os surtos em vacas leiteiras nos Estados Unidos, em 2024, mostraram que leite cru e produtos crus de aves entraram na lista de riscos para felinos.

· Redação ACE

Gatos eram considerados hospedeiros acidentais da influenza A. A expansão global do H5N1 de alta patogenicidade, clado 2.3.4.4b, mudou esse quadro. Uma revisão de agosto de 2026 organiza epidemiologia, patogenia, sinais clínicos, diagnóstico e implicações de Saúde Única; dois estudos de 2024 documentam a infecção fatal de gatos alimentados com leite cru de vacas infectadas; a WOAH classifica o risco de transmissão de gato para pessoa como muito baixo.

Durante décadas, o gato doméstico foi tratado como hospedeiro acidental dos vírus influenza A. A expansão mundial do vírus H5N1 de alta patogenicidade, do clado 2.3.4.4b, trouxe os felinos para o centro da atenção. Uma revisão publicada em 24 de agosto de 2026 na Veterinaria Italiana, periódico do Istituto Zooprofilattico Sperimentale dell'Abruzzo e del Molise, reúne o que se sabe sobre epidemiologia, patogenia, apresentação clínica, diagnóstico e implicações de Saúde Única da infecção por H5N1 em gatos.

Segundo a revisão, além da via tradicional, a predação de aves silvestres infectadas, surtos recentes revelaram vias novas de exposição: produtos comerciais crus de aves e leite não pasteurizado. A suscetibilidade dos gatos é atribuída à distribuição abundante de receptores de ácido siálico com ligação α-2,3 tanto no trato respiratório quanto no sistema nervoso central, e mutações adaptativas como PB2-E627K podem aumentar a eficiência de replicação em mamíferos. O quadro clínico combina manifestações respiratórias, neurológicas e oculares graves, entre elas a amaurose bilateral aguda, e está associado a altas taxas de mortalidade.

O que os surtos em vacas leiteiras ensinaram

A ligação com o leite cru tem origem documentada. Em 2024, a Emerging Infectious Diseases relatou a infecção pelo clado 2.3.4.4b em vacas leiteiras no Kansas e no Texas: as vacas apresentaram doença inespecífica, redução de ingestão e ruminação e queda abrupta da produção de leite, enquanto gatos domésticos alimentados com colostro e leite crus das vacas afetadas desenvolveram infecção sistêmica fatal. A transmissão vaca a vaca ficou evidente quando animais transportados para fazendas em Michigan, Idaho e Ohio levaram consigo a infecção.

Um estudo publicado na Nature no mesmo ano detalhou o mecanismo. Vírus infeccioso e RNA viral foram detectados de forma consistente no leite das vacas afetadas, e a distribuição do vírus nos tecidos revelou tropismo pelas células epiteliais que revestem os alvéolos da glândula mamária. Sequências genômicas completas recuperadas de vacas, aves, gatos domésticos e de um guaxinim nas fazendas afetadas indicaram transmissões interespécies em várias direções. A revisão de 2026 também registra a documentação recente de transmissão zoonótica associada a felinos, o que, para os autores, reforça a importância da vigilância e do controle de infecção nos serviços veterinários.

Como as autoridades sanitárias enquadram o risco

A Organização Mundial da Saúde Animal (WOAH) afirma em sua página sobre influenza aviária que o vírus pode cruzar a barreira de espécies e infectar mamíferos terrestres e marinhos, domésticos e selvagens, com casos registrados em criações de visons, raposas silvestres e gatos. A organização descreve os gatos como hospedeiros incomuns e considera que o risco de transmissão de um gato doente para uma pessoa é atualmente muito baixo ou desprezível; ainda assim, recomenda equipamento de proteção ao manejar casos suspeitos, evitar contato com aves doentes e superfícies contaminadas, e incentiva os países a monitorar e notificar, pelo sistema WAHIS, ocorrências em animais que não sejam aves.

Para o médico-veterinário de pequenos animais, a revisão resume a tarefa em três movimentos: reconhecer cedo uma síndrome compatível, especialmente respiratória e neurológica com histórico de exposição a aves, produtos crus ou leite cru; buscar diagnóstico molecular rápido; e aplicar medidas de biossegurança no atendimento. Esta síntese descreve o estado do conhecimento publicado e não substitui protocolos oficiais de vigilância nem a avaliação clínica de cada caso; em suspeita, cabe seguir as orientações do serviço veterinário oficial do país.

Fontes

  1. 1
    Highly pathogenic avian influenza A(H5N1) in domestic cats: epidemiology, clinical manifestations, and One Health implication

    Veterinaria Italiana (IZS Abruzzo e Molise) · Salvaggiulo A, Puglia I, Berjaoui S, Caporale M, Gatta G, Dibari M · 24/08/2026 · DOI 10.12834/VetIt.4040.41131.2

  2. 2
    Highly Pathogenic Avian Influenza A(H5N1) Clade 2.3.4.4b Virus Infection in Domestic Dairy Cattle and Cats, United States, 2024

    Emerging Infectious Diseases (CDC) · Burrough ER, Magstadt DR, Petersen B, Timmermans SJ, Gauger PC, Zhang J · 01/07/2024 · DOI 10.3201/eid3007.240508

  3. 3
    Spillover of highly pathogenic avian influenza H5N1 virus to dairy cattle

    Nature · Caserta LC, Frye EA, Butt SL, Laverack M, Nooruzzaman M, Covaleda LM · 25/07/2024 · DOI 10.1038/s41586-024-07849-4

  4. 4
    Avian influenza (WOAH disease page)

    Organização Mundial da Saúde Animal (WOAH) · WOAH · 01/01/2026