{"site": "ACE News", "publisher": "Animal Care Education", "lang": "pt-br", "generated_at": "2026-10-28T16:23:09.739012+00:00", "count": 30, "items": [{"id": 202, "lang": "pt-br", "title": "Veterinários focam conveniência ao escolher antiparasitários para gatos", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/veterinarios-priorizam-conveniencia-ao-prescrever-antiparasitarios-a-g/", "published_at": "2026-09-12T13:14:26.854351+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:37:13.428130+00:00", "subtitle": "Decisões de prescrição ainda negligenciam riscos ambientais e resistência.", "summary": "Pesquisas indicam que fatores ambientais e resistência a medicamentos têm pouco peso nas decisões de veterinários sobre antiparasitários para gatos, apesar de evidências de impactos ambientais relevantes.", "category": {"slug": "saude-unica", "name": "Biossegurança e Saúde Única"}, "tags": ["antiparasitários", "gatos", "veterinária", "saúde única", "meio ambiente", "fauna silvestre"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/veterinarios-prioriz.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Gato doméstico recebe antiparasitário tópico enquanto veterinário orienta tutor.", "body_html": "<p>Veterinários que prescrevem antiparasitários para gatos domésticos ainda priorizam fatores como facilidade de administração e preferência dos tutores, relegando preocupações ambientais e riscos de resistência. Estudos recentes mostram que a persistência dessas substâncias no ambiente pode impactar insetos e aves, levantando questões para a abordagem da Saúde Única e a sustentabilidade da prática veterinária.</p>\n<h2>Fatores que influenciam a decisão do veterinário</h2>\n<p>Uma pesquisa conduzida por Hobbs e Duszak-Kowal com 16 veterinários do Reino Unido revelou que 81% dos profissionais consideram a facilidade de administração o principal critério na escolha do antiparasitário para gatos. A preferência do tutor também exerce influência significativa, sendo determinante para 44% dos entrevistados. Por outro lado, apenas 6% afirmaram que preocupações com contaminação ambiental ou resistência a medicamentos orientam suas decisões de prescrição. O uso profilático foi apontado como a estratégia mais eficaz por 63% dos participantes, enquanto somente 38% se mantêm atualizados sobre diretrizes de tratamento parasitário.</p>\n<h2>Persistência ambiental dos antiparasitários</h2>\n<p>Os antiparasitários da classe das isoxazolinas, como fluralaner e lotilaner, são amplamente utilizados em gatos e cães para o controle de pulgas e carrapatos. Segundo Berny e colegas, esses compostos apresentam meia-vida de eliminação fecal de 15,5 dias para fluralaner e 22 dias para lotilaner em gatos, podendo ser detectados nas fezes mesmo após o término do período recomendado de tratamento. A principal via de eliminação é biliar/fecal, o que favorece a liberação dessas substâncias no ambiente doméstico e natural. Simulações indicam que insetos que se alimentam de fezes podem ser altamente expostos a esses princípios ativos, especialmente ao fluralaner e ao lotilaner.</p>\n<h2>Riscos para a fauna e implicações para a Saúde Única</h2>\n<p>O impacto ambiental dos antiparasitários veterinários vai além dos invertebrados. Um estudo publicado por Tassin-de-Montaigu e colaboradores demonstrou que resíduos de parasiticidas aplicados em cães e gatos podem contaminar ninhos de aves, quando estas utilizam pelos desses animais para forrar seus ninhos. Foi observada correlação entre a concentração de pesticidas nos pelos encontrados nos ninhos e nos ovos não chocados ou filhotes mortos, sugerindo transferência direta das substâncias para os tecidos das aves. Isso reforça a necessidade de avaliar os riscos ambientais dos produtos veterinários não apenas para insetos, mas também para vertebrados silvestres.</p>\n<h2>Limites dos estudos e divergências na literatura</h2>\n<p>Apesar dos achados preocupantes, os estudos apresentam limitações importantes. A pesquisa sobre prescrição de antiparasitários foi realizada com uma amostra pequena de 16 veterinários e restrita a determinadas regiões do Reino Unido, o que pode limitar a generalização dos resultados. Já os estudos sobre persistência ambiental, embora demonstrem a presença prolongada dos compostos no ambiente, ainda carecem de dados quantitativos sobre o impacto real em populações de insetos e aves. Markowska-Buńka e colegas destacam que, apesar da eficácia e segurança das isoxazolinas para animais domésticos, a toxicidade para invertebrados não alvo e a persistência ambiental são preocupações emergentes que exigem avaliação integrada.</p>\n<h2>O que muda na prática veterinária</h2>\n<p>Os dados sugerem que a sustentabilidade ambiental ainda não é um fator determinante na escolha de antiparasitários para gatos, mesmo diante de evidências de contaminação ambiental e riscos à Saúde Única. A maioria dos veterinários prioriza a conveniência e as preferências dos tutores, enquanto aspectos como o potencial de resistência e o impacto ecológico permanecem em segundo plano. Especialistas defendem a necessidade de programas de stewardship e de atualização contínua dos profissionais, além do desenvolvimento de diretrizes que incorporem avaliações de risco ambiental na prescrição de medicamentos veterinários.</p>\n<p>Em conclusão, embora os antiparasitários modernos sejam eficazes e seguros para os gatos, sua persistência no ambiente e o potencial impacto sobre a fauna não alvo apontam para a urgência de práticas veterinárias mais alinhadas com a Saúde Única. A conscientização e a integração de critérios ambientais nas decisões de prescrição podem contribuir para uma abordagem mais sustentável e responsável no controle de parasitas em animais de companhia.</p>", "sources": [{"title": "Factors influencing feline antiparasitic prescriptions by veterinarians and demographics across parts of the UK", "url": "https://doi.org/10.1002/vro2.70042", "doi": "10.1002/vro2.70042", "organization": "Veterinary record open"}, {"title": "Prolonged fecal elimination of isoxazoline antiparasitic drugs in dogs and cats: is there a risk for nontarget species?", "url": "https://doi.org/10.1093/etojnl/vgaf285", "doi": "10.1093/etojnl/vgaf285", "organization": "Environmental toxicology and chemistry"}, {"title": "Pharmacology and toxicology of veterinary isoxazolines: a review", "url": "https://doi.org/10.1016/j.ijpddr.2026.100645", "doi": "10.1016/j.ijpddr.2026.100645", "organization": "International journal for parasitology. Drugs and drug resistance"}, {"title": "Transfer of veterinary parasiticides from the fur lining bird's nest to eggs and chicks", "url": "https://doi.org/10.1007/s11356-026-37654-7", "doi": "10.1007/s11356-026-37654-7", "organization": "Environmental science and pollution research international"}, {"title": "Factors influencing feline antiparasitic prescriptions by veterinarians and demographics across parts of the UK", "url": "https://doi.org/10.1002/vro2.70042", "doi": "10.1002/vro2.70042", "organization": "Veterinary record open"}]}, {"id": 199, "lang": "pt-br", "title": "Alimentação crua aumenta risco de bactérias resistentes em cães", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/alimentacao-crua-aumenta-risco-de-bacterias-resistentes-em-caes/", "published_at": "2026-09-12T13:11:41.473637+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:58.570861+00:00", "subtitle": "Estudos destacam riscos de patógenos e resistência antimicrobiana em dietas cruas.", "summary": "Pesquisas recentes indicam que alimentar cães com dietas cruas pode elevar o risco de transmissão de bactérias resistentes a antimicrobianos, como Salmonella e Listeria. Veterinários e tutores divergem sobre a percepção desses riscos, mas evidências sugerem necessidade de vigilância e higiene.", "category": {"slug": "saude-unica", "name": "Biossegurança e Saúde Única"}, "tags": ["resistência antimicrobiana", "alimentação crua", "cães", "biossegurança", "salmonella", "saúde única"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/alimentacao-crua-aum.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Cão sendo alimentado com carne crua em ambiente doméstico, destacando o risco de contaminação.", "body_html": "<p>Evidências científicas recentes mostram que a alimentação crua de cães está associada ao aumento do risco de transmissão de bactérias resistentes a antimicrobianos, como Salmonella e Listeria. Esse cenário exige maior atenção de veterinários e tutores quanto à segurança alimentar e biossegurança domiciliar. O crescimento das dietas cruas para cães, especialmente no Reino Unido e Europa, acendeu o alerta para potenciais impactos na saúde animal, humana e ambiental.</p>\n<h2>Crescimento das dietas cruas e preocupações de saúde</h2>\n<p>A alimentação crua, baseada em carne não cozida e subprodutos de abatedouros, ganhou espaço entre tutores que buscam alternativas consideradas mais naturais para seus cães. No entanto, esse movimento levanta preocupações quanto à presença de patógenos zoonóticos e ao risco de disseminação de bactérias resistentes a antibióticos. Segundo Furtado e colegas, tanto veterinários quanto tutores reconhecem o potencial risco microbiológico dessas dietas, mas tendem a considerá-lo menos importante que outros fatores, como a nutrição.</p>\n<h2>Evidências do risco de resistência antimicrobiana</h2>\n<p>Monitoramento realizado no Reino Unido entre 2013 e 2022 identificou aumento na presença e diversidade de Salmonella em alimentos crus para cães. O número de isolados de Salmonella em alimentos crus passou de 4 em 2013 para 606 em 2022, abrangendo 39 sorovares diferentes. Entre 2021 e 2022, houve sobreposição significativa entre os sorovares mais comuns em alimentos crus e em amostras clínicas de cães, incluindo S. Typhimurium, monophasic S. Typhimurium e S. Infantis, todos de relevância para a saúde pública. Em relação à resistência, 9,9% dos isolados de S. Infantis provenientes de alimentos crus apresentaram resistência à ciprofloxacina, e um caso de S. Kentucky resistente a cefotaxima, ceftazidima e ciprofloxacina foi detectado em um cão, segundo Snow e colegas.</p>\n<p>Outro estudo relatou um surto de salmonelose em um canil de Rottweilers na Bulgária, associado ao consumo de carne crua de origem não licenciada. Todos os cães afetados apresentaram sinais clínicos de infecção e excreção fecal de Salmonella Agona, que mostrou resistência a cephalexina, aminoglicosídeos, lincosamidas, macrolídeos e ácido fusídico. Após a suspensão da dieta crua e adoção de medidas de biossegurança, o surto foi controlado, destacando a importância do controle de origem e higiene na alimentação crua, conforme Boneva-Marutsova e colegas.</p>\n<p>A preocupação não se limita à Salmonella. Uma análise genômica identificou uma cepa multirresistente de Listeria monocytogenes (BF11) isolada de alimento cru para pets. Esta cepa, além de portar múltiplos genes de resistência, apresenta alta virulência e potencial para invadir células humanas, o que representa uma ameaça à saúde pública e pode escapar dos sistemas tradicionais de vigilância, de acordo com Mataragka e colaboradores.</p>\n<h2>Riscos parasitológicos e impacto ambiental</h2>\n<p>Além das bactérias, a inclusão de subprodutos de abatedouros em dietas cruas pode facilitar a transmissão de parasitas zoonóticos. Em um levantamento realizado em abatedouros da Sardenha, 67,7% das ovelhas apresentavam Echinococcus granulosus, com outros parasitas como Cysticercus tenuicollis (2,4%) e Dicrocoelium dendriticum (14,7%) também identificados. Em bovinos, a carga parasitária foi menor, mas ainda relevante. Ahmed e colegas enfatizam que a alta prevalência desses parasitas reforça a necessidade de rigorosos controles sanitários e medidas de descontaminação antes do uso desses subprodutos em dietas cruas, especialmente em regiões endêmicas.</p>\n<h2>Percepções e comunicação entre veterinários e tutores</h2>\n<p>Apesar das evidências, há divergências na percepção dos riscos. Furtado e colegas observaram que veterinários tendem a valorizar mais os perigos relacionados à resistência antimicrobiana do que os tutores, que confiam na imunidade dos cães e nos processos de preparo das dietas. Os profissionais destacam que a introdução de bactérias resistentes pode ocorrer em várias etapas da cadeia produtiva, enquanto tutores minimizam esses riscos. Essa diferença de percepção dificulta a comunicação e a adoção de práticas seguras.</p>\n<h2>Limites dos estudos e desafios para a prática</h2>\n<p>Os estudos revisados apresentam limitações, como a dificuldade de estabelecer rotas diretas de transmissão entre alimento cru e infecção em cães ou humanos. A maioria dos dados é baseada em vigilância passiva e relatos de surtos, o que pode subestimar a prevalência real dos patógenos. Além disso, a resistência a antibióticos de amplo espectro ainda é considerada rara nesses contextos, embora o surgimento de cepas multirresistentes seja motivo de preocupação contínua.</p>\n<h2>Implicações para tutores e profissionais</h2>\n<p>Na prática, os achados reforçam a necessidade de orientação veterinária ativa sobre os riscos da alimentação crua, com ênfase em biossegurança, rastreabilidade da origem dos alimentos, higiene no preparo e monitoramento de saúde animal e humana. O aumento da vigilância sanitária e a adoção de medidas de descontaminação são recomendados, sobretudo em locais com alta prevalência de parasitas ou histórico de surtos bacterianos. A comunicação clara entre veterinários e tutores é fundamental para equilibrar os benefícios nutricionais e os riscos sanitários dessa prática alimentar.</p>\n<p>Em resumo, embora a alimentação crua de cães continue em ascensão, as evidências científicas apontam para riscos concretos de transmissão de patógenos e resistência antimicrobiana, exigindo uma abordagem integrada de saúde única e maior rigor nas práticas de biossegurança e educação dos tutores.</p>", "sources": [{"title": "Exploring veterinarian and pet owner perspectives on the risk of antimicrobial resistance when feeding raw meat diets to dogs", "url": "https://doi.org/10.1002/vro2.70040", "doi": "10.1002/vro2.70040", "organization": "Veterinary record open"}, {"title": "&lt;i&gt;Salmonella&lt;/i&gt; surveillance in raw pet food and dogs in Great Britain, 2013-2022", "url": "https://doi.org/10.3389/fvets.2026.1750907", "doi": "10.3389/fvets.2026.1750907", "organization": "Frontiers in veterinary science"}, {"title": "Salmonellosis Outbreak in a Rottweiler Kennel Associated with Raw Meat-Based Diets", "url": "https://doi.org/10.3390/ani15213196", "doi": "10.3390/ani15213196", "organization": "Animals : an open access journal from MDPI"}, {"title": "Whole-Genome Sequencing and Genomic Characterization of a Multi-Drug Resistant Phenotype of &lt;i&gt;Listeria monocytogenes&lt;/i&gt; Isolated from Pet Food", "url": "https://doi.org/10.3390/microorganisms14051097", "doi": "10.3390/microorganisms14051097", "organization": "Microorganisms"}, {"title": "Parasitic risks and One Health implications of valorising slaughterhouse animal by-products in raw meat-based diets for pets", "url": "https://doi.org/10.1016/j.onehlt.2025.101277", "doi": "10.1016/j.onehlt.2025.101277", "organization": "One health (Amsterdam, Netherlands)"}]}, {"id": 196, "lang": "pt-br", "title": "Ácido tânico pode fortalecer barreira intestinal em animais de produção", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/acido-tanico-pode-fortalecer-barreira-intestinal-em-animais-de-produca/", "published_at": "2026-09-12T13:09:43.252205+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:55.804170+00:00", "subtitle": "Pesquisas recentes apontam potencial do ácido tânico para saúde intestinal animal.", "summary": "Estudos mostram que o ácido tânico pode reforçar a integridade da barreira intestinal, modular a microbiota e reduzir inflamações em animais de produção. O efeito depende da formulação, dose e espécie, e os resultados apontam para possíveis aplicações como alternativa aos antibióticos.", "category": {"slug": "evidencia", "name": "Prática baseada em evidências"}, "tags": ["ácido tânico", "barreira intestinal", "animais de produção", "microbiota", "antibióticos", "nutrição animal"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/acido-tanico-pode-fo.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Suplementação alimentar com ácido tânico é testada para melhorar a saúde intestinal de aves e suínos.", "body_html": "<p>O ácido tânico, um polifenol presente em diversas plantas, está ganhando destaque como modulador multifuncional da barreira intestinal em animais de produção. Novas evidências científicas indicam que a substância pode fortalecer a integridade intestinal, reduzir inflamações e modular a microbiota, apontando para possíveis alternativas ao uso de antibióticos em aves e suínos.</p>\n<h2>Barreira intestinal: proteção essencial</h2>\n<p>A barreira intestinal é responsável por impedir a entrada de patógenos e toxinas no organismo dos animais. Quando comprometida, desencadeia uma série de danos, como inflamação, estresse oxidativo e desequilíbrio da microbiota, impactando negativamente o desempenho produtivo e a saúde dos rebanhos. O desafio de substituir antibióticos por alternativas seguras e eficazes impulsionou o interesse por compostos naturais capazes de restaurar e proteger essa barreira.</p>\n<h2>Mecanismos do ácido tânico na barreira intestinal</h2>\n<p>Segundo Zhao e colegas, o ácido tânico atua em múltiplos alvos para reforçar a barreira intestinal. Ele remodela a microbiota, estimula a produção de butirato e promove o fortalecimento físico da barreira por meio da regulação de proteínas de junção, como claudina e occludina. Além disso, ativa a defesa antioxidante via a via Nrf2 e modula a resposta imune ao suprimir vias inflamatórias como NF-κB e NLRP3. Esses efeitos combinados contribuem para a prevenção de distúrbios entéricos em animais de produção.</p>\n<h2>Evidências em diferentes espécies e formulações</h2>\n<p>Diversos estudos recentes avaliaram o impacto do ácido tânico em aves e suínos. Em frangos de corte, a suplementação com 200 g/t de taninos de noz-galega chinesa melhorou a conversão alimentar e aumentou a altura das vilosidades do duodeno e jejuno, indicando maior capacidade absortiva e integridade intestinal, sem alterar a diversidade da microbiota cecal, segundo Li e colegas. Em outro estudo, três formulações comerciais de ácido tânico foram comparadas em frangos: a forma em pó apresentou perfil mais equilibrado, mantendo a diversidade microbiana, promovendo Bifidobacterium e melhorando a razão vilosidade/cripta, embora todas as formas tenham reduzido a altura das vilosidades e modulado marcadores inflamatórios, como redução de IL-10 e TNF-α, conforme Gou e colegas.</p>\n<p>Em suínos, Zhou e colegas demonstraram que a inclusão de 0,05% de ácido tânico em dietas de baixa proteína reduziu a incidência de diarreia e preservou a integridade morfológica intestinal em leitões desmamados desafiados com Escherichia coli. O tratamento também diminuiu níveis séricos de LPS, IL-1β e TNF-α, aumentou imunoglobulinas e regulou positivamente genes de junção celular, além de alterar favoravelmente a composição microbiana. Em modelos de infecção por Escherichia coli enterotoxigênica, Gao e colegas mostraram que o ácido tânico encapsulado, administrado a 500 mg/kg, protegeu a mucosa intestinal, reduziu inflamação e restaurou a produção de ácidos graxos de cadeia curta, efeitos dependentes da presença da microbiota intestinal.</p>\n<h2>Limites, divergências e desafios práticos</h2>\n<p>Apesar dos resultados promissores, a aplicação prática do ácido tânico enfrenta desafios. Zhao e colegas destacam que seus efeitos antinutricionais podem limitar o uso em altas doses, exigindo estratégias como microencapsulamento ou formulações sinérgicas para mitigar impactos negativos. Estudos em aves sugerem que diferentes formulações e níveis de pureza influenciam os resultados, dificultando a comparação direta entre produtos, como observado por Gou e colegas. Além disso, a resposta da microbiota pode variar conforme a espécie, idade e condição sanitária dos animais, e nem todos os estudos observaram alterações significativas na diversidade microbiana, como relatado por Li e colegas.</p>\n<h2>Implicações para manejo e formulação alimentar</h2>\n<p>Os achados sugerem que o ácido tânico, especialmente em formulações otimizadas, pode ser incorporado a dietas de aves e suínos como parte de estratégias para fortalecer a barreira intestinal e reduzir a incidência de doenças entéricas, principalmente em contextos de restrição ao uso de antibióticos. A escolha da dose, forma de apresentação e monitoramento de efeitos antinutricionais são fatores críticos para o sucesso da aplicação. A modulação da microbiota e a regulação de vias inflamatórias posicionam o ácido tânico como um candidato relevante no manejo nutricional de animais de produção.</p>\n<p>Em síntese, a literatura recente reforça o potencial multifuncional do ácido tânico para promover a saúde intestinal em diferentes espécies de produção, embora sua adoção prática dependa do ajuste fino de formulações e doses. O avanço em tecnologias de encapsulamento e a padronização de estudos comparativos devem contribuir para consolidar seu uso como alternativa aos antibióticos em sistemas produtivos.</p>", "sources": [{"title": "Tannic acid as a multi-target regulator of intestinal barrier function in livestock", "url": "https://doi.org/10.1016/j.aninu.2026.06.001", "doi": "10.1016/j.aninu.2026.06.001", "organization": "Animal nutrition (Zhongguo xu mu shou yi xue hui)"}, {"title": "Encapsulated tannic acid protects against ETEC-induced intestinal damage via modulating gut microbiota and barrier function", "url": "https://doi.org/10.1016/j.foodres.2026.119724", "doi": "10.1016/j.foodres.2026.119724", "organization": "Food research international (Ottawa, Ont.)"}, {"title": "Effects of Different Commercial Formulations of Tannic Acid Added at an Equal Inclusion Rate on Intestinal Health and Microbial Flora in Yellow-Feathered Broilers", "url": "https://doi.org/10.3390/ani16132088", "doi": "10.3390/ani16132088", "organization": "Animals : an open access journal from MDPI"}, {"title": "Effect of Chinese gallnuts tannic acids on the growth performance, intestinal morphometry and microbiome of broiler chickens", "url": "https://doi.org/10.1016/j.psj.2026.107279", "doi": "10.1016/j.psj.2026.107279", "organization": "Poultry science"}, {"title": "Tannic acid-mediated gut microbes for enhanced intestinal immunity in Escherichia coli-challenged weaned piglets", "url": "https://doi.org/10.1093/jas/skaf342", "doi": "10.1093/jas/skaf342", "organization": "Journal of animal science"}]}, {"id": 193, "lang": "pt-br", "title": "Clima e ambiente influenciam risco de SFTS em humanos e animais", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/clima-e-ambiente-influenciam-risco-de-sfts-em-humanos-e-animais/", "published_at": "2026-09-12T13:07:56.256191+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:37:01.408105+00:00", "subtitle": "Modelos mostram como fatores ambientais e meteorológicos afetam surtos de SFTS.", "summary": "Estudos indicam que temperatura, precipitação, pressão atmosférica, cobertura florestal e mobilidade humana impactam o risco de SFTS. Modelos preditivos podem orientar estratégias de vigilância veterinária e pública.", "category": {"slug": "saude-unica", "name": "Biossegurança e Saúde Única"}, "tags": ["sfts", "doenças transmitidas por vetores", "clima", "vigilância epidemiológica", "saúde única", "carrapatos"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/clima-e-ambiente-inf.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Carrapato em vegetação sob clima úmido, vetor da SFTS, foco em ambiente natural.", "body_html": "<p>Modelos matemáticos e análises recentes indicam que fatores meteorológicos e ambientais, como temperatura, precipitação, pressão atmosférica, cobertura florestal e mobilidade humana, têm papel central no risco de surtos da Síndrome Febril Grave com Trombocitopenia (SFTS) em humanos e animais. A integração desses dados permite antecipar áreas e períodos de maior risco, orientando ações de vigilância e resposta em saúde única.</p>\n<h2>SFTS: doença emergente e expansão geográfica</h2>\n<p>A SFTS é uma doença zoonótica transmitida principalmente por carrapatos, com alta letalidade e crescente expansão geográfica, especialmente na Ásia Oriental. O aumento do número de casos e o surgimento em novas áreas têm sido atribuídos a mudanças ambientais, climáticas e sociais. Segundo Yan e colegas, entre 2013 e 2025, foram notificados 1237 casos de SFTS no Japão, evidenciando a importância crescente do tema para a saúde pública.</p>\n<h2>Como clima e ambiente modulam o risco</h2>\n<p>Estudos recentes detalham como variáveis ambientais e meteorológicas afetam o risco de SFTS. Yan e colegas identificaram que o risco da doença apresenta relação em formato de U invertido com temperatura e precipitação: o risco máximo ocorre a 21,8°C (risco relativo de 1,78) e 156,6 mm de chuva semanal (risco relativo de 1,30). Pressão atmosférica elevada (até 1027,1 hPa, risco relativo de 2,06) e maior cobertura florestal (até 84%, risco relativo de 6,58) também aumentam o risco. Por outro lado, áreas de maior altitude apresentaram risco reduzido, com pico de risco em altitudes médias de 45 metros (risco relativo de 3,99).</p>\n<p>Em Zhejiang, China, Yang e colegas mostraram que regiões montanhosas e agrícolas, com temperaturas moderadas, alta precipitação e maior exposição solar, concentram mais casos. A urbanização reduz o risco, enquanto a mobilidade humana aumenta a incidência de SFTS. Segundo Yang e colegas, projeções sugerem aumento de 23% nos casos até 2028, com expansão da temporada de transmissão para o ano todo e 9% mais municípios relatando casos pela primeira vez.</p>\n<h2>Dinâmica dos vetores e influência ecológica</h2>\n<p>Lou e colegas reforçam que a abundância de carrapatos, modulada pelo clima local, é determinante para a transmissão da SFTS. O estudo identificou mudança no pico de incidência da doença de julho para maio em áreas endêmicas desde 2021, indicando que alterações climáticas podem antecipar e prolongar o período de risco. Além disso, pacientes em áreas com maior abundância de carrapatos apresentam maior risco de morte, destacando a importância do monitoramento ecológico.</p>\n<h2>Modelos preditivos e vigilância integrada</h2>\n<p>O avanço de modelos matemáticos permite prever o risco de SFTS com base em dados ambientais e meteorológicos, mesmo com informações limitadas. Breda e colegas desenvolveram um modelo que utiliza apenas dados de incidência humana e temperatura local para prever surtos, sem necessidade de suposições prévias sobre o comportamento dos casos. Segundo os autores, a inclusão de variáveis ecológicas detalhadas não melhorou a capacidade preditiva do modelo, sugerindo que dados essenciais já capturam os principais determinantes do risco.</p>\n<p>Essas abordagens oferecem ferramentas para antecipar áreas e períodos de maior risco, facilitando a alocação de recursos e o planejamento de ações de saúde pública e veterinária. A integração entre vigilância ambiental, meteorológica e epidemiológica se mostra fundamental para respostas mais rápidas e eficientes.</p>\n<h2>Limites, divergências e desafios futuros</h2>\n<p>Apesar dos avanços, os estudos apresentam limitações. Yan e colegas ressaltam que as associações identificadas são baseadas em dados agregados por província, podendo mascarar variações locais. Yang e colegas apontam que, após a inclusão da mobilidade humana, efeitos espaciais aleatórios não melhoraram os modelos, sugerindo que outros fatores sociais ainda precisam ser melhor compreendidos. Breda e colegas reconhecem que modelos baseados em dados podem priorizar a precisão preditiva em detrimento da transparência dos mecanismos biológicos, o que pode limitar a compreensão detalhada dos processos de transmissão.</p>\n<p>Além disso, as projeções dependem da manutenção das tendências climáticas e comportamentais atuais, podendo ser afetadas por intervenções, mudanças ambientais inesperadas ou adaptações dos vetores e hospedeiros.</p>\n<h2>Implicações práticas para saúde única</h2>\n<p>Os estudos analisados indicam que incorporar dados ambientais, meteorológicos e sociais em sistemas de vigilância pode antecipar surtos de SFTS e orientar estratégias de prevenção em humanos e animais. A vigilância integrada permite identificar áreas e períodos críticos, ajustar campanhas educativas, direcionar recursos para controle de vetores e monitorar populações animais e humanas em risco. O aumento previsto da incidência e da distribuição geográfica da SFTS reforça a necessidade de adaptação contínua das estratégias de saúde pública e veterinária diante das mudanças ambientais e sociais.</p>\n<p>Em síntese, a compreensão aprofundada da relação entre clima, ambiente e dinâmica social com a SFTS oferece subsídios valiosos para políticas de saúde única, destacando a importância da integração entre vigilância ambiental, epidemiológica e veterinária para enfrentar desafios emergentes de doenças transmitidas por vetores.</p>", "sources": [{"title": "Meteorological and environmental factors associated with the spatiotemporal risk of severe fever with thrombocytopenia syndrome in Japan: A prefecture-level time-series modeling study", "url": "https://doi.org/10.1016/j.onehlt.2026.101547", "doi": "10.1016/j.onehlt.2026.101547", "organization": "One health (Amsterdam, Netherlands)"}, {"title": "Ecological signature on the epidemiological dynamics of severe fever with thrombocytopenia syndrome", "url": "https://doi.org/10.1371/journal.pntd.0014408", "doi": "10.1371/journal.pntd.0014408", "organization": "PLoS neglected tropical diseases"}, {"title": "Exploring memory effects: Sparse identification in vector-borne diseases", "url": "https://doi.org/10.1073/pnas.2601074123", "doi": "10.1073/pnas.2601074123", "organization": "Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America"}, {"title": "Environmental, climatic, and social risk factors of severe fever with thrombocytopenia syndrome and the implications of climate change", "url": "https://doi.org/10.1016/j.onehlt.2026.101430", "doi": "10.1016/j.onehlt.2026.101430", "organization": "One health (Amsterdam, Netherlands)"}]}, {"id": 190, "lang": "pt-br", "title": "Organoides animais impulsionam pesquisa em Saúde Única", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/organoides-animais-impulsionam-pesquisa-em-saude-unica/", "published_at": "2026-09-12T13:06:08.307156+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:37:10.461278+00:00", "subtitle": "Modelos tridimensionais avançam o estudo de doenças na interface humano-animal-ambiente.", "summary": "Organoides animais estão transformando a pesquisa em Saúde Única ao simular com maior realismo as interações entre agentes infecciosos, hospedeiros e ambiente. Estudos recentes mostram aplicações em doenças zoonóticas, resistência antimicrobiana e estratégias de controle, aproximando ciência básica e soluções práticas.", "category": {"slug": "saude-unica", "name": "Biossegurança e Saúde Única"}, "tags": ["saúde única", "organoides", "doenças infecciosas", "zoonoses", "biotecnologia", "pesquisa translacional"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/organoides-animais-i.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Laboratório com cientista analisando organoides animais em placas de cultura sob microscópio.", "body_html": "<p>O uso de organoides animais como modelos tridimensionais está promovendo avanços na pesquisa em Saúde Única, permitindo simulações mais realistas da interface entre humanos, animais e ambiente. Esses modelos aceleram o entendimento de doenças infecciosas emergentes e facilitam o desenvolvimento de estratégias para prevenção e controle.</p>\n<h2>Desafios na pesquisa de doenças emergentes</h2>\n<p>Doenças infecciosas emergentes, impulsionadas por fatores como mudanças climáticas, urbanização e comércio global de animais silvestres, representam ameaças crescentes à saúde pública, aos ecossistemas e à biodiversidade. O conceito de Saúde Única, que reconhece a interconexão entre saúde humana, animal e ambiental, tornou-se fundamental para enfrentar esses desafios. No entanto, a ausência de modelos experimentais que reproduzam fielmente a complexidade dessas interações limitava os avanços científicos. É nesse cenário que os organoides animais surgem como ferramentas inovadoras, capazes de preencher lacunas críticas na pesquisa translacional.</p>\n<h2>O que mostram os estudos recentes</h2>\n<p>Segundo García-Rodríguez e colegas, organoides são estruturas tridimensionais cultivadas <i>in vitro</i> que reproduzem a composição celular, organização e funções do órgão de origem. Esses modelos já foram estabelecidos a partir de tecidos de diversas espécies, incluindo bovinos, aves e morcegos, e vêm sendo aplicados em estudos de infecções cruzadas, toxicidade ambiental, resistência antimicrobiana e preparação para pandemias. Em bovinos, Fritsch e colaboradores desenvolveram organoides de glândula mamária capazes de simular a infecção por diferentes subtipos do vírus influenza A. O estudo demonstrou que tanto vírus de origem aviária (como o H5N1 altamente patogênico) quanto cepas de origem suína e humana infectaram eficientemente os organoides, enquanto o subtipo aviário H9N2 apresentou replicação restrita. Essa plataforma permite investigar detalhadamente a patogênese da infecção mamária e os riscos de transmissão zoonótica, além de apoiar estratégias de proteção à saúde animal e pública.</p>\n<p>Em aves, Xiang e colegas estabeleceram organoides renais de ganso para estudar a gota induzida pelo astrovírus, doença fatal em filhotes caracterizada por lesão renal e alta mortalidade. Os organoides mantiveram as funções fisiológicas do rim e, ao serem infectados com o vírus, reproduziram o aumento de ácido úrico observado <i>in vivo</i>. A infecção modulou a expressão de genes e o metabolismo celular, principalmente nas vias de purinas, fornecendo um modelo relevante para elucidar mecanismos da doença e testar intervenções.</p>\n<p>No contexto da microbiota e saúde intestinal, Du e colaboradores utilizaram organoides colônicos de ruminantes para investigar o papel de <i>Faecalibacterium duncaniae</i> em bezerros leiteiros com diarreia. O tratamento com metabólitos derivados dessa bactéria reduziu respostas inflamatórias, restaurou a proliferação epitelial e preservou a integridade das junções celulares, mesmo sob estresse inflamatório induzido por TNF-α. A análise transcriptômica revelou supressão de vias inflamatórias e ativação de mecanismos de reparo, indicando potencial para estratégias nutricionais baseadas em microbiota visando reduzir o uso de antimicrobianos e melhorar a produtividade.</p>\n<p>Em relação a reservatórios silvestres, Madden e colegas destacaram o desenvolvimento de organoides a partir de tecidos gastrointestinais, respiratórios e renais de diferentes espécies de morcegos. Esses modelos mostraram expressão aumentada de genes de interferon e outros mecanismos antivirais, tanto em condições basais quanto em resposta à infecção viral. A capacidade dos organoides de sustentar a replicação viral variou conforme o vírus, tecido e espécie de morcego, refletindo a diversidade biológica desses animais. Os resultados reforçam o potencial dos organoides para desvendar respostas imunes específicas e compreender por que morcegos são reservatórios de vírus emergentes sem desenvolver doenças clínicas.</p>\n<h2>Limites e divergências dos modelos de organoides</h2>\n<p>Apesar dos avanços, os organoides apresentam limitações. Segundo García-Rodríguez e colegas, a maioria dos modelos ainda carece de componentes do sistema imunológico, vascularização e interação com microbiota complexa, fatores essenciais para simular completamente a fisiologia <i>in vivo</i>. Além disso, a resposta à infecção pode variar conforme a origem celular, o protocolo de cultivo e o agente infeccioso. Madden e colaboradores ressaltam que a diversidade entre espécies e tecidos de morcegos resulta em diferentes padrões de replicação viral, o que exige cautela na extrapolação dos dados. Em aves, Xiang e colegas observaram que outros vírus aviários não induziram o mesmo padrão de disfunção renal nos organoides, evidenciando especificidade do modelo para o astrovírus do ganso.</p>\n<h2>Impactos práticos e perspectivas para Saúde Única</h2>\n<p>Os organoides animais estão aproximando a pesquisa básica das necessidades aplicadas em Saúde Única. Eles permitem testar hipóteses sobre transmissão interespécies, avaliar toxicidade ambiental, investigar resistência a antimicrobianos e desenvolver intervenções nutricionais ou farmacológicas de forma mais rápida e ética, reduzindo o uso de animais vivos. A possibilidade de modelar doenças específicas de cada espécie e contexto ambiental amplia o potencial para respostas mais precisas a surtos e ameaças emergentes. Como destacou García-Rodríguez e colegas, \"os organoides representam uma ponte entre ciência fundamental e soluções translacionais para desafios globais\".</p>\n<p>Em síntese, o avanço dos organoides animais como modelos experimentais está redefinindo o estudo de doenças infecciosas emergentes e outros desafios na interface humano-animal-ambiente. Apesar das limitações atuais, esses sistemas oferecem oportunidades inéditas para acelerar descobertas, integrar saberes e fortalecer estratégias de prevenção e controle em Saúde Única.</p>", "sources": [{"title": "Animal organoids as models for integrated One Health research", "url": "https://doi.org/10.1016/j.onehlt.2026.101539", "doi": "10.1016/j.onehlt.2026.101539", "organization": "One health (Amsterdam, Netherlands)"}, {"title": "&lt;i&gt;Faecalibacterium duncaniae&lt;/i&gt;-derived metabolites protect intestinal epithelial integrity under inflammatory conditions in dairy calves", "url": "https://doi.org/10.1128/aem.00854-26", "doi": "10.1128/aem.00854-26", "organization": "Applied and environmental microbiology"}, {"title": "Goose kidney organoids: A new model for studying the metabolic mechanism of goose astrovirus-induced gout", "url": "https://doi.org/10.1016/j.psj.2026.107500", "doi": "10.1016/j.psj.2026.107500", "organization": "Poultry science"}, {"title": "Beyond H5N1: influenza A virus infection in bovine udder organoids", "url": "https://doi.org/10.1080/22221751.2026.2698239", "doi": "10.1080/22221751.2026.2698239", "organization": "Emerging microbes & infections"}, {"title": "Leveraging organoid models to understand mechanisms of viral infections and immunity in bats", "url": "https://doi.org/10.1242/dmm.052737", "doi": "10.1242/dmm.052737", "organization": "Disease models & mechanisms"}]}, {"id": 187, "lang": "pt-br", "title": "IA aprimora identificação e previsão de riscos de carrapatos", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/ia-aprimora-identificacao-e-previsao-de-riscos-de-carrapatos-e-doencas/", "published_at": "2026-09-12T12:44:55.489624+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:37:04.478225+00:00", "subtitle": "Ferramentas de IA aumentam precisão e agilidade no diagnóstico e controle.", "summary": "Modelos de inteligência artificial alcançaram alta acurácia na identificação de espécies de carrapatos sob condições laboratoriais controladas e AUC acima de 0,89 na previsão de habitats de risco, segundo estudos recentes. Esses avanços podem transformar estratégias de vigilância e manejo de doenças transmitidas por vetores.", "category": {"slug": "evidencia", "name": "Prática baseada em evidências"}, "tags": ["inteligência artificial", "carrapatos", "doenças vetoriais", "vigilância epidemiológica", "one health"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/ia-aprimora-identifi.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Carrapato Hyalomma sob microscópio, alvo de identificação automatizada por IA.", "body_html": "<p>O uso de inteligência artificial (IA) está promovendo uma transformação significativa na identificação e vigilância de carrapatos e das doenças que transmitem. Novas ferramentas baseadas em aprendizado de máquina têm potencial para aumentar a precisão e agilidade no diagnóstico, impactando estratégias de controle, previsão de risco e manejo integrado de doenças vetoriais em humanos e animais.</p>\n<h2>IA na identificação automatizada de carrapatos</h2>\n<p>A identificação precisa de espécies de carrapatos é um desafio central para a vigilância de doenças transmitidas por esses vetores. Métodos tradicionais, baseados em morfologia, exigem especialistas treinados e podem ser imprecisos diante de espécies próximas. Um estudo conduzido por Sebai e colegas desenvolveu um protótipo experimental de aprendizado profundo para reconhecer automaticamente cinco espécies do gênero Hyalomma, importantes na medicina veterinária e humana na Tunísia. Utilizando 1.344 imagens de carrapatos morfologicamente identificados, o sistema YOLOv11-CNN alcançou acurácia entre 97% e 100% na classificação das espécies, mas apenas sob condições laboratoriais controladas e para um conjunto limitado de espécies. A análise de explicabilidade mostrou que as decisões do modelo se basearam em regiões morfológicas relevantes, tradicionalmente usadas por taxonomistas, indicando que a IA pode replicar e até ampliar o olhar humano na identificação taxonômica.</p>\n<h2>Previsão de habitats e riscos com aprendizado de máquina</h2>\n<p>Além da identificação, modelos de IA estão sendo aplicados para prever áreas de risco e abundância de carrapatos e, consequentemente, de doenças como a doença de Lyme e encefalite transmitida por carrapatos. Kelly e colaboradores utilizaram algoritmos Random Forest para analisar dados de 93.289 carrapatos de 11 espécies coletados no Japão entre 1990 e 2023. O modelo, alimentado por 26 variáveis ambientais, obteve área sob a curva (AUC) superior a 0,89 na previsão de habitats adequados para Ixodes ovatus e Ixodes persulcatus, principais vetores dessas doenças no país. O estudo identificou alta adequação em Hokkaido e regiões frias e úmidas de Honshu, sugerindo que áreas de risco podem ser mais amplas do que se pensava. Segundo os autores, “variáveis climáticas foram os preditores mais fortes, com mais de 90% de importância cumulativa no modelo”.</p>\n<h2>Integração de fatores ambientais e previsão de casos humanos</h2>\n<p>Outro avanço importante é a capacidade de modelos de IA integrarem fatores ambientais e biológicos para prever não só a abundância de carrapatos, mas também a incidência de doenças em humanos. Angell e colegas compararam métodos estatísticos tradicionais com aprendizado de máquina (gradient boosting) para prever abundância de carrapatos e casos de doença de Lyme em Minnesota, Estados Unidos. Os modelos de IA, que incorporaram dados climáticos e de fauna de pequenos mamíferos, mostraram maior precisão preditiva com um ano de antecedência para abundância de carrapatos e dois anos para casos de Lyme. O AUC foi mais alto nos modelos com defasagem temporal, sugerindo que fatores ambientais atuais são bons preditores de riscos futuros. Os autores destacam que “monitorar fatores ambientais oferece oportunidades ampliadas para intervenções em saúde pública por meio da previsão de abundância de carrapatos e possíveis consequências para maior incidência de doença de Lyme”.</p>\n<h2>IA aplicada à vigilância bacteriana e perfil de risco</h2>\n<p>O uso de IA também se estende à vigilância de patógenos bacterianos associados a ambientes veterinários e aquáticos. Amulraj e colaboradores apresentaram um modelo baseado em espectroscopia Raman aprimorada por superfície (SERS) e aprendizado de máquina para o perfil de virulência de Acinetobacter baumannii, bactéria multirresistente relevante para a saúde animal e humana. O sistema, testado em 20 isolados ambientais e veterinários, alcançou acurácia realista de 87,9% na classificação entre isolados virulentos e avirulentos, segundo validação leave-one-strain-out. O estudo destaca que informações sobre origem geográfica e hospedeiro estão parcialmente embutidas nas assinaturas espectrais, o que pode aprimorar a vigilância integrada em programas One Health.</p>\n<h2>Limites, desafios e divergências</h2>\n<p>Apesar dos avanços, há limitações importantes. Os modelos de identificação automática de carrapatos, como o de Sebai e colegas, foram avaliados apenas em condições laboratoriais controladas e com amostras limitadas geograficamente, o que pode restringir sua aplicabilidade em campo. Estudos como o de Kelly e colaboradores dependem da qualidade e abrangência dos dados de vigilância, e a transferência dos modelos para outras regiões requer novas validações. Já na vigilância bacteriana, Amulraj e equipe alertam para a necessidade de validações conscientes do perfil das cepas, para evitar superestimação da acurácia. Além disso, Hirata e colegas ressaltam que, embora tecnologias genômicas e de IA facilitem a detecção de novos vírus transmitidos por carrapatos, estabelecer relações causais entre presença viral e doença ainda exige abordagens patológicas tradicionais, como a localização <i>in situ</i> dos agentes nos tecidos.</p>\n<h2>Impactos práticos e perspectivas futuras</h2>\n<p>Na prática, a incorporação de IA em sistemas de vigilância pode acelerar o diagnóstico, padronizar a identificação de vetores e antecipar áreas e períodos de maior risco, permitindo respostas mais rápidas e direcionadas em saúde pública e veterinária. Ferramentas automáticas podem apoiar laboratórios com poucos especialistas e ampliar a cobertura de monitoramento, enquanto modelos preditivos baseados em clima e fauna auxiliam no planejamento de campanhas preventivas. A integração de abordagens tradicionais e modernas, como sugerem Angell e Hirata, é fundamental para avançar na compreensão e controle das doenças transmitidas por carrapatos, dentro de uma perspectiva One Health.</p>\n<p>O avanço das ferramentas de inteligência artificial para identificação, vigilância e previsão de riscos relacionados a carrapatos e doenças vetoriais representa uma mudança de paradigma no campo da saúde pública e veterinária. Embora desafios técnicos e de validação persistam, os resultados já obtidos apontam para um futuro em que a IA será peça central nas estratégias de controle integrado dessas doenças, potencializando a resposta a ameaças emergentes em escala global.</p>", "sources": [{"title": "Rapid SERS-machine learning-enabled virulence profiling of Acinetobacter baumannii for environmental surveillance", "url": "https://doi.org/10.1016/j.jhazmat.2026.143396", "doi": "10.1016/j.jhazmat.2026.143396", "organization": "Journal of hazardous materials"}, {"title": "Emerging tick-borne viral diseases in East Asia: pathology-driven insights into pathogenesis and disease causality", "url": "https://doi.org/10.1128/cmr.00340-25", "doi": "10.1128/cmr.00340-25", "organization": "Clinical microbiology reviews"}, {"title": "A convolutional neural network-based machine learning prototype for accurate identification of five Hyalomma tick species in Tunisia: Development and assessment of an experimental prototype", "url": "https://doi.org/10.1016/j.vetpar.2026.110915", "doi": "10.1016/j.vetpar.2026.110915", "organization": "Veterinary parasitology"}, {"title": "Climate and other environmental factors predict tick abundance and Lyme cases in Minnesota one and two years in advance", "url": "https://doi.org/10.1016/j.onehlt.2026.101507", "doi": "10.1016/j.onehlt.2026.101507", "organization": "One health (Amsterdam, Netherlands)"}, {"title": "Detection of suitable habitat areas in Japan of the Lyme disease and tick-borne encephalitis vectors &lt;i&gt;Ixodes ovatus&lt;/i&gt; and &lt;i&gt;Ixodes persulcatus&lt;/i&gt; based on abiotic factors", "url": "https://doi.org/10.1016/j.crpvbd.2026.100385", "doi": "10.1016/j.crpvbd.2026.100385", "organization": "Current research in parasitology & vector-borne diseases"}]}, {"id": 184, "lang": "pt-br", "title": "Inteligência artificial transforma diagnóstico e gestão na veterinária", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/inteligencia-artificial-amplia-precisao-no-diagnostico-veterinario/", "published_at": "2026-09-12T12:25:27.451400+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:37:07.318081+00:00", "subtitle": "Ferramentas de IA já impactam citologia, radiologia e gestão clínica em pequenos animais.", "summary": "Ferramentas de inteligência artificial estão sendo aplicadas no diagnóstico citológico e radiológico veterinário, além de apoiar decisões clínicas e administrativas. Especialistas destacam a necessidade de validação, atualização profissional e atenção a riscos éticos e técnicos.", "category": {"slug": "evidencia", "name": "Prática baseada em evidências"}, "tags": ["inteligência artificial", "veterinária", "diagnóstico", "citologia", "radiologia", "ética"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/inteligencia-artific.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Veterinário analisa imagens digitais auxiliado por sistema de inteligência artificial em clínica de pequenos animais.", "body_html": "<p>Ferramentas de inteligência artificial (IA) já impactam a prática veterinária, especialmente no diagnóstico por imagem e citologia de pequenos animais. Modelos de visão computacional e sistemas baseados em linguagem natural vêm sendo integrados a fluxos de trabalho clínico, trazendo ganhos de eficiência e precisão, além de novas demandas éticas e educacionais para os profissionais do setor.</p>\n<h2>IA na citologia veterinária</h2>\n<p>O uso de visão computacional, uma vertente da IA, está em crescimento na citologia veterinária, permitindo a análise automatizada de lâminas e exames de sangue. Segundo Chu e colegas, a aplicação desses sistemas já permite identificar padrões citológicos relevantes em pequenos animais, com pesquisas demonstrando avanços na validação científica e na adoção industrial dessas ferramentas. O artigo destaca que, embora a tecnologia avance, ainda há lacunas em transparência e padronização, exigindo validação rigorosa e supervisão profissional contínua. A revisão também alerta para o risco de perda de habilidades caso profissionais se tornem excessivamente dependentes da tecnologia sem manter o domínio dos métodos tradicionais.</p>\n<h2>Radiologia: apoio à decisão, não substituição</h2>\n<p>Na radiologia veterinária, a IA já atua como ferramenta de apoio à decisão clínica, mas não substitui o julgamento do veterinário. Basran e colegas ressaltam que a responsabilidade diagnóstica permanece integralmente com o profissional, independentemente do uso de sistemas automatizados. A transparência é considerada essencial: \"Se você não pode explicar ao cliente, em termos compreensíveis, como o sistema de IA funciona e suas limitações, ele não deve ser utilizado na prática\", afirmam os autores. Para uma implementação segura, são recomendadas práticas como treinamento das equipes, manutenção das habilidades tradicionais e protocolos de garantia de qualidade.</p>\n<h2>Modelos de linguagem e gestão clínica</h2>\n<p>Além da análise de imagens, sistemas baseados em modelos de linguagem natural estão sendo empregados para otimizar a comunicação com clientes, o registro de prontuários e o suporte à decisão clínica. Segundo Bollig e colaboradores, a incorporação dessas ferramentas pode aumentar a eficiência e a precisão clínica, mas requer atenção a riscos inerentes, como a geração de informações imprecisas ou enviesadas. O artigo recomenda que profissionais avaliem cuidadosamente a integração desses sistemas aos fluxos de trabalho, mantendo a supervisão humana e a revisão crítica dos resultados gerados.</p>\n<h2>Predição de doenças e medicina veterinária de precisão</h2>\n<p>Modelos preditivos baseados em IA e aprendizado de máquina estão sendo utilizados para estimar riscos de doenças em pequenos animais, a partir de dados de prontuários, seguros, dispositivos vestíveis e informações ambientais. Ruple e Reid destacam que essas ferramentas permitem avanços na medicina veterinária de precisão, mas devem ser vistas como complementares à expertise clínica. O artigo enfatiza limitações práticas, potenciais vieses e questões éticas, reforçando que a tomada de decisão deve permanecer centrada no julgamento profissional.</p>\n<h2>Desafios, limites e divergências</h2>\n<p>Apesar dos avanços, a literatura aponta desafios importantes para a adoção segura e eficaz da IA na prática veterinária. Chu e colegas destacam a necessidade de padronização e validação robusta dos sistemas, enquanto Basran e colaboradores alertam para a importância da transparência e da manutenção das competências tradicionais. Bollig ressalta riscos inerentes à automação de linguagem, como possíveis vieses e erros de interpretação. Já Ruple e Reid reforçam que modelos preditivos não devem ser usados isoladamente, sob risco de decisões inadequadas. Todos os autores convergem na recomendação de que a IA deve ser vista como ferramenta de apoio, nunca como substituta do raciocínio clínico e da responsabilidade profissional.</p>\n<h2>O que muda na rotina veterinária</h2>\n<p>A integração da IA à rotina veterinária exige atualização constante dos profissionais, tanto em competências técnicas quanto em ética digital. Segundo Pinard, compreender os conceitos fundamentais de IA e aprendizado de máquina é essencial para avaliar, adotar e contribuir para o desenvolvimento dessas ferramentas. A implementação bem-sucedida depende de treinamento das equipes, revisão crítica dos resultados e comunicação transparente com tutores de animais. O uso responsável da IA pode trazer ganhos de eficiência, precisão diagnóstica e personalização do cuidado, desde que acompanhado de supervisão humana e protocolos de qualidade.</p>\n<p>A inteligência artificial já é uma realidade na prática veterinária, com impacto crescente em áreas como citologia, radiologia e gestão clínica. O avanço dessas tecnologias exige dos profissionais atualização contínua, senso crítico e atenção às implicações éticas, para que a IA seja uma aliada segura e eficaz no cuidado aos animais.</p>", "sources": [{"title": "Computer Vision and Deep Learning in Small Animal Cytology and Slide Review.", "url": "https://doi.org/10.1016/j.cvsm.2026.03.019", "doi": "10.1016/j.cvsm.2026.03.019", "organization": "The Veterinary clinics of North America. Small animal practice"}, {"title": "Artificial Intelligence-Assisted Interpretation of Veterinary Radiographs: Opportunities, Risks, and Best Practices for Clinicians.", "url": "https://doi.org/10.1016/j.cvsm.2026.03.018", "doi": "10.1016/j.cvsm.2026.03.018", "organization": "The Veterinary clinics of North America. Small animal practice"}, {"title": "Language Models in Veterinary Clinical Practice: Applications, Risks, and Practical Guidance.", "url": "https://doi.org/10.1016/j.cvsm.2026.03.014", "doi": "10.1016/j.cvsm.2026.03.014", "organization": "The Veterinary clinics of North America. Small animal practice"}, {"title": "An Introduction to Artificial Intelligence and Machine Learning for Veterinary Professionals.", "url": "https://doi.org/10.1016/j.cvsm.2026.04.001", "doi": "10.1016/j.cvsm.2026.04.001", "organization": "The Veterinary clinics of North America. Small animal practice"}, {"title": "Disease Prediction and Precision Veterinary Medicine: Applications, Opportunities, and Limitations of Artificial Intelligence in Small Animal Practice.", "url": "https://doi.org/10.1016/j.cvsm.2026.04.003", "doi": "10.1016/j.cvsm.2026.04.003", "organization": "The Veterinary clinics of North America. Small animal practice"}]}, {"id": 166, "lang": "pt-br", "title": "Escala brasileira e vídeos auxiliam no diagnóstico de dor aguda em gatos", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/dor-aguda-gatos-diretrizes-escala-unesp-botucatu-videoteca/", "published_at": "2026-09-12T12:23:36.454167+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:53.158224+00:00", "subtitle": "ISFM e AAHA convergem em analgesia preventiva e multimodal; a escala UNESP-Botucatu, desenvolvida no Brasil, teve forma curta validada em condições clínicas e cirúrgicas; 24 vídeos mostram os comportamentos de dor descritos no etograma.", "summary": "A dor é historicamente pouco reconhecida em gatos, cujos sinais são sutis. Duas diretrizes de 2022 organizam a avaliação e o manejo da dor aguda, um estudo de 2021 valida a escala multidimensional UNESP-Botucatu e sua forma curta, e uma compilação de 2024 disponibiliza vídeos de cada comportamento de dor para treinamento. Esta síntese descreve as ferramentas; a escolha de fármacos e doses cabe ao médico-veterinário.", "category": {"slug": "evidencia", "name": "Prática baseada em evidências"}, "tags": ["dor", "gatos", "analgesia", "escalas de dor", "UNESP-Botucatu"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/dor-aguda-gatos-aval.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Gato em recuperação pós-operatória, observado por enfermeira veterinária. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>Doença, trauma e cirurgia causam dor aguda, e o manejo eficaz dessa dor é condição para o bem-estar felino, entendido como saúde física e bem-estar mental. As diretrizes de consenso da International Society of Feline Medicine (ISFM), publicadas em 2022 no Journal of Feline Medicine and Surgery por um painel de especialistas, partem de um problema conhecido: a dor tem sido tradicionalmente pouco reconhecida em gatos, as ferramentas de avaliação não são amplamente implementadas, e os sinais nessa espécie podem ser sutis. As particularidades do metabolismo felino e as comorbidades podem levar ao subtratamento e ao desenvolvimento de sensibilização periférica e central.</p>\n<p>Os princípios do documento são a analgesia preventiva e multimodal, incluindo anestesia local, com escolha de fármacos que considere o tipo, a gravidade e a duração da dor, as comorbidades e a prevenção de efeitos adversos. Cuidado de enfermagem, modificações do ambiente e manejo amigável ao gato são descritos como pilares do plano, assim como a abordagem em equipe, que inclui o cuidador. As diretrizes de manejo da dor da American Animal Hospital Association (AAHA), também de 2022, seguem a mesma direção para cães e gatos: guias e algoritmos para avaliação de dor aguda e crônica, instrumentos para tutores na dor crônica, ênfase do consenso no manejo proativo e preventivo em vez de reativo, e uma árvore de decisão em níveis que prioriza as modalidades mais eficazes.</p>\n<h2>Uma escala brasileira, e sua versão curta</h2>\n<p>Avaliar exige instrumento. A escala multidimensional UNESP-Botucatu de avaliação de dor em gatos (UFEPS) é válida e confiável para dor aguda, mas havia sido validada apenas para ovário-histerectomia e pode ser demorada. Um estudo publicado em 2021 na PeerJ, por pesquisadores da Unesp e colaboradores, avaliou a escala e sua nova forma curta (UFEPS-SF) em 10 gatos saudáveis de controle e 40 gatos que precisavam de manejo de dor por condições clínicas (20) ou cirúrgicas (20, sendo 12 ortopédicas e 8 de tecidos moles). Três avaliadores aplicaram, em tempo real, escalas analógica visual, numérica e descritiva simples, seguidas da UFEPS-SF, da UFEPS e da escala Glasgow CMPS-Feline, em ordem aleatória; o resgate analgésico nos casos cirúrgicos foi feito quando a UFEPS-SF marcava 4 ou mais.</p>\n<p>A confiabilidade entre avaliadores foi moderada a boa para a UFEPS e a UFEPS-SF (intervalos de confiança dos coeficientes de correlação intraclasse de 0,73 a 0,86 e 0,63 a 0,82). A correlação entre as duas formas foi de 0,85, e a de cada uma com a Glasgow felina, forte (0,79 e 0,78), confirmando a validade de critério. Todas as escalas distinguiram gatos com dor dos controles e responderam à analgesia de resgate. Sensibilidade e especificidade foram moderadas: 83,25% e 72,00% para a UFEPS, 78,60% e 84,67% para a forma curta, 74,28% e 70,00% para a Glasgow. Os autores concluem que ambas as formas têm validade, responsividade, confiabilidade, sensibilidade e especificidade apropriadas para dor aguda em condições clínicas e cirúrgicas variadas.</p>\n<h2>Ver o comportamento antes de pontuá-lo</h2>\n<p>Escalas descrevem comportamentos, mas reconhecê-los requer treino. Um trabalho publicado em 2024 no Journal of Feline Medicine and Surgery usou uma base de 60 horas de gravações de gatos com diferentes tipos de dor aguda, médica, cirúrgica, traumática e orofacial, e diferentes graus, de nenhuma a grave, antes e depois de cirurgia ou analgesia, gravadas com aprovação ética e consentimento dos tutores. A seleção baseou-se em um etograma publicado de comportamentos de dor aguda; 24 vídeos, com duração média de 33 segundos, cada um mostrando um comportamento do etograma, foram publicados em um canal aberto de vídeos (youtube.com/@Steagalllaboratory) com descrição breve para o público. Os autores esperam que a compilação melhore o treinamento de profissionais e a compreensão do comportamento felino.</p>\n<p>Reunidos, os quatro trabalhos formam um percurso de aprendizagem: ver os comportamentos, pontuá-los com uma escala validada, e tratar de forma preventiva e multimodal. Esta síntese não indica fármacos nem doses; as diretrizes completas e a avaliação de cada paciente cabem ao médico-veterinário, e a publicação deste texto está condicionada a revisão técnica em anestesiologia e analgesia veterinária.</p>", "sources": [{"title": "2022 ISFM Consensus Guidelines on the Management of Acute Pain in Cats", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34937455/", "doi": "10.1177/1098612X211066268", "organization": "Journal of Feline Medicine and Surgery (International Society of Feline Medicine)"}, {"title": "2022 AAHA Pain Management Guidelines for Dogs and Cats", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35195712/", "doi": "10.5326/JAAHA-MS-7292", "organization": "Journal of the American Animal Hospital Association (AAHA)"}, {"title": "Clinical validation of the short and long UNESP-Botucatu scales for feline pain assessment", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33954046/", "doi": "10.7717/peerj.11225", "organization": "PeerJ"}, {"title": "Video-based compilation of acute pain behaviours in cats", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39286948/", "doi": "10.1177/1098612X241260712", "organization": "Journal of Feline Medicine and Surgery (SAGE)"}]}, {"id": 133, "lang": "pt-br", "title": "Revisão destaca avanços e desafios no carcinoma mamário felino", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/carcinoma-mamario-felino-revisao-clinica-2026/", "published_at": "2026-09-12T12:23:08.532400+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:23.711353+00:00", "subtitle": "Publicada na Veterinary and Comparative Oncology, a revisão pede estudos prospectivos multicêntricos com estadiamento harmonizado; trabalhos recentes sobre infiltrado imune, necrose e fosfoproteômica mostram de onde podem vir os próximos marcadores.", "summary": "O carcinoma mamário é o tumor reprodutivo mais prevalente em gatas e combina alto potencial maligno com disseminação precoce. Uma revisão publicada em setembro de 2026 organiza o conhecimento clínico atual e aponta onde falta consenso. Três estudos de 2022 a 2025 ilustram as linhas de pesquisa em marcadores prognósticos e alvos terapêuticos.", "category": {"slug": "evidencia", "name": "Prática baseada em evidências"}, "tags": ["oncologia", "gatos", "carcinoma mamário", "estadiamento", "prognóstico"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/carcinoma-mamario-fe.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Gata em exame clínico em consultório veterinário. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>Os carcinomas mamários felinos continuam sendo um dos maiores desafios terapêuticos e prognósticos da oncologia veterinária. A razão, segundo uma revisão publicada em 7 de setembro de 2026 na Veterinary and Comparative Oncology, por pesquisadores portugueses, é a combinação de três características: alto potencial maligno, disseminação precoce e heterogeneidade substancial no comportamento clinicopatológico.</p>\n<p>A revisão resume o conhecimento clínico atual sobre epidemiologia, fatores de risco, investigação diagnóstica, estadiamento, tratamento e avaliação prognóstica, destacando as áreas de consenso e as controvérsias persistentes. A conclusão é programática: o progresso no cuidado exigirá estudos prospectivos e multicêntricos construídos sobre estadiamento e relatórios patológicos harmonizados, que permitam vias de tratamento adaptadas ao risco, baseadas em evidência e aplicáveis na clínica. O resumo não detalha protocolos; o texto completo é necessário para conhecê-los.</p>\n<h2>Marcadores em construção</h2>\n<p>Parte das controvérsias diz respeito a quais marcadores prognósticos usar. Um estudo publicado em 2022 na revista Cells, também de grupo português, analisou o infiltrado inflamatório em 73 carcinomas mamários felinos, medindo marcadores de linfócitos e macrófagos infiltrantes no estroma e dentro do tumor. Percentuais mais altos de linfócitos CD8+ estromais associaram-se a maior sobrevida livre de doença (p = 0,05) e sobrevida global (p = 0,021); percentuais mais altos de CD4+ intratumorais correlacionaram-se a linfonodo positivo (p = 0,003); e macrófagos CD163+ associaram-se a tumores indiferenciados (p = 0,013). Os autores veem paralelo com o câncer de mama humano e reforçam a relevância do modelo felino.</p>\n<p>Outro candidato é a necrose tumoral, que integra esquemas de graduação em oncologia veterinária, mas cujos métodos de avaliação são pouco padronizados. Um estudo publicado em 2024 na Animals aplicou métodos semiquantitativo e quantitativo em 154 tumores mamários felinos. Apesar da subjetividade, a concordância entre dois observadores foi quase perfeita (kappa ponderado 0,851), e os dois métodos se correlacionaram. A necrose foi mais comum e mais extensa nos tumores malignos, e a necrose extensa associou-se a características agressivas, como maior grau histológico, alta contagem mitótica e invasão linfovascular. A análise de sobrevida, porém, não produziu resultado significativo, o que os autores registram como limite do achado.</p>\n<h2>Alvos moleculares</h2>\n<p>Na fronteira molecular, um estudo publicado em 2025 na PLoS One realizou o primeiro perfil fosfoproteômico do carcinoma mamário felino, comparando amostras de grau 1 (6), grau 2 (11), grau 3 (14) e controles normais (6) por enriquecimento de fosfoproteínas e espectrometria de massas. Dezessete fosfoproteínas apareceram com expressão reduzida em todos os graus, muitas com papel estabelecido na patogênese e no prognóstico do câncer de mama humano; uma proteína quinase associou-se à expressão de Ki-67 (p = 0,03). Os autores apresentam os achados como base para identificar biomarcadores diagnósticos e prognósticos e potenciais alvos terapêuticos, ainda sem aplicação clínica.</p>\n<p>Esta síntese descreve o estado da pesquisa e não orienta condutas. Decisões sobre estadiamento e tratamento de gatas com tumor mamário cabem ao médico-veterinário, com base no texto completo das fontes e na avaliação individual de cada caso; a publicação deste texto está condicionada à revisão técnica em oncologia veterinária.</p>", "sources": [{"title": "Feline Mammary Carcinomas: Clinical Perspectives on Diagnosis, Staging, Treatment and Prognosis", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42706634/", "doi": "10.1111/vco.70109", "organization": "Veterinary and Comparative Oncology (Wiley)"}, {"title": "The Landscape of Tumor-Infiltrating Immune Cells in Feline Mammary Carcinoma: Pathological and Clinical Implications", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36010653/", "doi": "10.3390/cells11162578", "organization": "Cells (MDPI)"}, {"title": "Level of Necrosis in Feline Mammary Tumors: How to Quantify, Why and for What Purpose?", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39595332/", "doi": "10.3390/ani14223280", "organization": "Animals (MDPI)"}, {"title": "Phosphoproteomic profiling of feline mammary carcinoma: Insights into tumor grading and potential therapeutic targets", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40839607/", "doi": "10.1371/journal.pone.0330520", "organization": "PLoS One"}]}, {"id": 105, "lang": "pt-br", "title": "Revisão detalha riscos da gripe aviária H5N1 em gatos domésticos", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/h5n1-gatos-domesticos-revisao-saude-unica/", "published_at": "2026-09-12T12:22:49.413187+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:03.055824+00:00", "subtitle": "Artigo na Veterinaria Italiana consolida o que se aprendeu com o clado 2.3.4.4b; os surtos em vacas leiteiras nos Estados Unidos, em 2024, mostraram que leite cru e produtos crus de aves entraram na lista de riscos para felinos.", "summary": "Gatos eram considerados hospedeiros acidentais da influenza A. A expansão global do H5N1 de alta patogenicidade, clado 2.3.4.4b, mudou esse quadro. Uma revisão de agosto de 2026 organiza epidemiologia, patogenia, sinais clínicos, diagnóstico e implicações de Saúde Única; dois estudos de 2024 documentam a infecção fatal de gatos alimentados com leite cru de vacas infectadas; a WOAH classifica o risco de transmissão de gato para pessoa como muito baixo.", "category": {"slug": "saude-unica", "name": "Biossegurança e Saúde Única"}, "tags": ["influenza aviária", "H5N1", "gatos", "Saúde Única", "biossegurança"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/h5n1-gatos-domestico.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Gato doméstico em ambiente rural. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>Durante décadas, o gato doméstico foi tratado como hospedeiro acidental dos vírus influenza A. A expansão mundial do vírus H5N1 de alta patogenicidade, do clado 2.3.4.4b, trouxe os felinos para o centro da atenção. Uma revisão publicada em 24 de agosto de 2026 na Veterinaria Italiana, periódico do Istituto Zooprofilattico Sperimentale dell'Abruzzo e del Molise, reúne o que se sabe sobre epidemiologia, patogenia, apresentação clínica, diagnóstico e implicações de Saúde Única da infecção por H5N1 em gatos.</p>\n<p>Segundo a revisão, além da via tradicional, a predação de aves silvestres infectadas, surtos recentes revelaram vias novas de exposição: produtos comerciais crus de aves e leite não pasteurizado. A suscetibilidade dos gatos é atribuída à distribuição abundante de receptores de ácido siálico com ligação α-2,3 tanto no trato respiratório quanto no sistema nervoso central, e mutações adaptativas como PB2-E627K podem aumentar a eficiência de replicação em mamíferos. O quadro clínico combina manifestações respiratórias, neurológicas e oculares graves, entre elas a amaurose bilateral aguda, e está associado a altas taxas de mortalidade.</p>\n<h2>O que os surtos em vacas leiteiras ensinaram</h2>\n<p>A ligação com o leite cru tem origem documentada. Em 2024, a Emerging Infectious Diseases relatou a infecção pelo clado 2.3.4.4b em vacas leiteiras no Kansas e no Texas: as vacas apresentaram doença inespecífica, redução de ingestão e ruminação e queda abrupta da produção de leite, enquanto gatos domésticos alimentados com colostro e leite crus das vacas afetadas desenvolveram infecção sistêmica fatal. A transmissão vaca a vaca ficou evidente quando animais transportados para fazendas em Michigan, Idaho e Ohio levaram consigo a infecção.</p>\n<p>Um estudo publicado na Nature no mesmo ano detalhou o mecanismo. Vírus infeccioso e RNA viral foram detectados de forma consistente no leite das vacas afetadas, e a distribuição do vírus nos tecidos revelou tropismo pelas células epiteliais que revestem os alvéolos da glândula mamária. Sequências genômicas completas recuperadas de vacas, aves, gatos domésticos e de um guaxinim nas fazendas afetadas indicaram transmissões interespécies em várias direções. A revisão de 2026 também registra a documentação recente de transmissão zoonótica associada a felinos, o que, para os autores, reforça a importância da vigilância e do controle de infecção nos serviços veterinários.</p>\n<h2>Como as autoridades sanitárias enquadram o risco</h2>\n<p>A Organização Mundial da Saúde Animal (WOAH) afirma em sua página sobre influenza aviária que o vírus pode cruzar a barreira de espécies e infectar mamíferos terrestres e marinhos, domésticos e selvagens, com casos registrados em criações de visons, raposas silvestres e gatos. A organização descreve os gatos como hospedeiros incomuns e considera que o risco de transmissão de um gato doente para uma pessoa é atualmente muito baixo ou desprezível; ainda assim, recomenda equipamento de proteção ao manejar casos suspeitos, evitar contato com aves doentes e superfícies contaminadas, e incentiva os países a monitorar e notificar, pelo sistema WAHIS, ocorrências em animais que não sejam aves.</p>\n<p>Para o médico-veterinário de pequenos animais, a revisão resume a tarefa em três movimentos: reconhecer cedo uma síndrome compatível, especialmente respiratória e neurológica com histórico de exposição a aves, produtos crus ou leite cru; buscar diagnóstico molecular rápido; e aplicar medidas de biossegurança no atendimento. Esta síntese descreve o estado do conhecimento publicado e não substitui protocolos oficiais de vigilância nem a avaliação clínica de cada caso; em suspeita, cabe seguir as orientações do serviço veterinário oficial do país.</p>", "sources": [{"title": "Highly pathogenic avian influenza A(H5N1) in domestic cats: epidemiology, clinical manifestations, and One Health implication", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42661562/", "doi": "10.12834/VetIt.4040.41131.2", "organization": "Veterinaria Italiana (IZS Abruzzo e Molise)"}, {"title": "Highly Pathogenic Avian Influenza A(H5N1) Clade 2.3.4.4b Virus Infection in Domestic Dairy Cattle and Cats, United States, 2024", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38683888/", "doi": "10.3201/eid3007.240508", "organization": "Emerging Infectious Diseases (CDC)"}, {"title": "Spillover of highly pathogenic avian influenza H5N1 virus to dairy cattle", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39053575/", "doi": "10.1038/s41586-024-07849-4", "organization": "Nature"}, {"title": "Avian influenza (WOAH disease page)", "url": "https://www.woah.org/en/disease/avian-influenza/", "doi": "", "organization": "Organização Mundial da Saúde Animal (WOAH)"}]}, {"id": 66, "lang": "pt-br", "title": "Revisão aponta desafios no diagnóstico da coccidiose em camelídeos", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/coccidiose-alpacas-lhamas-revisao-lacunas/", "published_at": "2026-09-12T12:22:38.593911+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:35:52.248979+00:00", "subtitle": "Artigo na Veterinary Parasitology reúne o que se sabe sobre as espécies de Eimeria em camelídeos sul-americanos e mostra por que os protocolos ainda dependem de extrapolação de ruminantes.", "summary": "Uma revisão publicada em setembro de 2026 organiza o conhecimento sobre coccidiose em camelídeos sul-americanos: espécies de Eimeria, ciclo, epidemiologia, diagnóstico e tratamento. As conclusões são incômodas: período pré-patente longo, eliminação intermitente de oocistos, poucos métodos moleculares validados e nenhum anticoccidiano aprovado. Dois estudos de campo, no Peru e na Coreia, ilustram a variação da carga parasitária conforme o sistema de criação.", "category": {"slug": "evidencia", "name": "Prática baseada em evidências"}, "tags": ["camelídeos", "alpacas", "lhamas", "Eimeria", "parasitologia"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/coccidiose-camelideo.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Alpacas em pastagem de altitude. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>Alpacas e lhamas ganharam espaço fora dos Andes, em criações de lã, turismo e companhia, e trouxeram consigo um problema conhecido dos criadores tradicionais: a coccidiose. Protozoários do gênero <em>Eimeria</em> estão entre os patógenos entéricos mais importantes das crias, e o conhecimento acumulado sobre eles ainda é menor do que o volume de animais criados sugeriria. Uma revisão publicada em 5 de setembro de 2026 na Veterinary Parasitology, por pesquisadoras da República Tcheca, reúne esse conhecimento e nomeia as lacunas.</p>\n<p>O texto cobre morfologia, ciclo de vida, epidemiologia, patogenicidade, diagnóstico, tratamento e prevenção das espécies de <em>Eimeria</em> que infectam camelídeos sul-americanos. Dá atenção especial a <em>Eimeria macusaniensis</em>, o coccídio de oocisto grande cujas características biológicas o distinguem das demais espécies, e a dois obstáculos práticos: o período pré-patente prolongado e a eliminação intermitente de oocistos, que dificultam confirmar a infecção pelo exame de fezes no momento em que o animal adoece.</p>\n<h2>O que falta: diagnóstico e tratamento validados</h2>\n<p>Segundo o resumo da revisão, há poucos métodos moleculares validados para diagnóstico em camelídeos, e não existem anticoccidianos aprovados especificamente para essas espécies. Na prática, os protocolos de tratamento costumam ser extrapolados de ruminantes domésticos, o que a revisão registra como limitação e não como recomendação. Os autores pedem caracterização molecular das espécies, ferramentas de diagnóstico precoce e abordagens terapêuticas baseadas em evidência produzida nos próprios camelídeos.</p>\n<h2>Dois retratos de campo</h2>\n<p>A dimensão do problema no ambiente de origem aparece em um estudo de 2021 na Parasitology International, conduzido na comunidade de Quenamari, a 4.500 metros de altitude em Cusco, no Peru. Entre 78 crias de alpaca clinicamente assintomáticas, 87,18% eliminavam oocistos de <em>Eimeria</em>. <em>E. lamae</em> foi encontrada em 85,90% das amostras, <em>E. punoensis</em> em 62,82%, <em>E. alpacae</em> em 53,85%, <em>E. macusaniensis</em> em 41,03% e <em>E. ivitaensis</em> em 5,13%. A carga média foi de 43.920 oocistos por grama de fezes, com <em>E. lamae</em> respondendo pelas maiores contagens. Os autores atribuem os achados à contaminação ambiental por oocistos de várias espécies e ressalvam que ainda é preciso saber se essa carga produz impactos subclínicos.</p>\n<p>O contraste vem de um estudo longitudinal preliminar publicado em 2025 na Parasites, Hosts and Diseases, sobre um rebanho de 61 alpacas em uma propriedade turística na ilha de Jeju, na Coreia. Em 406 amostras colhidas mensalmente entre junho de 2022 e junho de 2023, a prevalência geral de parasitos gastrointestinais foi de 11,3%, com estrongilídeos e <em>Trichuris</em> como os mais frequentes e <em>E. lamae</em> e <em>E. macusaniensis</em> entre os seis táxons identificados. Os autores explicam a prevalência menor do que a relatada no Japão, na Polônia e na Austrália pelo acesso restrito a pasto no manejo voltado ao turismo, sem descartar o risco de reinfecção por contaminação ambiental.</p>\n<h2>Por que importa para quem atende camelídeos</h2>\n<p>Os três trabalhos apontam para a mesma direção: a carga de <em>Eimeria</em> em alpacas depende fortemente do sistema de criação e do acesso a pasto, a infecção pode ser alta mesmo sem sinais clínicos, e o diagnóstico laboratorial tem limites conhecidos de sensibilidade no tempo. Nada disso substitui a avaliação de um médico-veterinário com experiência em camelídeos; ao contrário, reforça a necessidade dela, porque as decisões de tratamento ainda se apoiam em extrapolação de outras espécies. Esta síntese descreve o estado da evidência e não recomenda conduta clínica; a leitura do texto completo da revisão e a discussão com o profissional responsável pelo rebanho são o caminho para qualquer aplicação.</p>", "sources": [{"title": "Coccidiosis in South American camelids: A review of Eimeria species, diagnostic limitations and research gaps", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42715922/", "doi": "10.1016/j.vetpar.2026.110917", "organization": "Veterinary Parasitology"}, {"title": "Coccidiosis in clinically asymptomatic alpaca (Vicugna pacos) crias from the Peruvian Andes", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34400350/", "doi": "10.1016/j.parint.2021.102438", "organization": "Parasitology International"}, {"title": "Prevalence of gastrointestinal parasites in alpacas: A preliminary 1-year longitudinal study on a farm in Jeju, Korea", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41311037/", "doi": "10.3347/PHD.25042", "organization": "Parasites, Hosts and Diseases"}]}, {"id": 57, "lang": "pt-br", "title": "Testes rápidos orientam uso seletivo de antibióticos na mastite clínica", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/testes-rapidos-mastite-clinica-tratamento-seletivo/", "published_at": "2026-09-12T12:22:35.466880+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:35:49.381817+00:00", "subtitle": "Avaliação de dois kits de cultura feitos na clínica veterinária confirma a distinção entre gram-positivos e gram-negativos, mas expõe limites para identificar o patógeno.", "summary": "Um estudo publicado em 2026 no JDS Communications avaliou os testes MicroMast e VetoRapid como apoio ao tratamento seletivo da mastite clínica não grave em vacas leiteiras. Ambos separaram bem gram-positivos de gram-negativos; a identificação do patógeno específico ficou aquém. O resultado dialoga com uma revisão de 2023 e com um estudo australiano que apontou contaminação frequente das amostras.", "category": {"slug": "evidencia", "name": "Prática baseada em evidências"}, "tags": ["mastite", "antimicrobianos", "bovinos de leite", "diagnóstico"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/mastite-testes-rapid.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Ordenha em fazenda leiteira. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>A mastite clínica continua sendo a principal razão para o uso de antimicrobianos em fazendas leiteiras. Uma parte dos casos, porém, não se beneficia do antibiótico: infecções por bactérias gram-negativas costumam se resolver sozinhas e amostras sem crescimento bacteriano não têm o que tratar. Separar rapidamente esses casos dos demais é a base do chamado tratamento seletivo, e é aí que entram os testes de cultura rápida feitos na fazenda ou na própria clínica veterinária.</p>\n<p>Um estudo publicado em junho de 2026 no JDS Communications, periódico da American Dairy Science Association, avaliou dois desses kits, MicroMast e VetoRapid, no contexto de um ensaio clínico conduzido na Bélgica. Os testes foram realizados e lidos na clínica veterinária, e os resultados foram comparados com a bacteriologia laboratorial convencional, adotada como padrão de referência. Os autores calcularam sensibilidade, especificidade, valores preditivos, acurácia e concordância (kappa de Cohen) para duas tarefas: distinguir gram-positivos de gram-negativos e identificar o patógeno.</p>\n<h2>O que os dois kits acertaram e o que ficaram devendo</h2>\n<p>Na primeira tarefa, ambos os testes separaram de forma confiável as bactérias gram-positivas das gram-negativas, com desempenho superior do VetoRapid. Segundo os autores, isso sustenta o uso dos kits na decisão de tratar ou não um caso não grave de mastite clínica. Na segunda tarefa, a identificação do patógeno específico, a capacidade dos testes foi limitada, o que restringe seu uso para decisões mais amplas de manejo da saúde do úbere, como a escolha de estratégias contra patógenos contagiosos.</p>\n<p>O resumo disponível não traz os valores numéricos de sensibilidade e especificidade; a leitura do artigo completo, em acesso aberto, é necessária para avaliar a magnitude dessas medidas antes de qualquer transposição para outra realidade produtiva. O estudo também foi conduzido em um único país, dentro de um ensaio clínico, o que limita a generalização.</p>\n<h2>O que a literatura recente já apontava</h2>\n<p>Uma revisão convidada publicada em 2023 no Journal of Dairy Science organizou as evidências sobre tratamento seletivo. Segundo os autores, os avanços da última década permitiram excluir do tratamento antimicrobiano os casos não graves com alta probabilidade de cura espontânea (sem causa bacteriana ou gram-negativos, excluídas as infecções por <em>Klebsiella</em>) e os casos crônicos com baixa taxa de cura bacteriológica. A revisão conclui que a identificação relativamente rápida do agente causal é o fator mais importante do protocolo e que muitos estudos não encontraram consequências negativas para a saúde do úbere após a adoção do tratamento seletivo com testes na fazenda. A redução do uso de antimicrobianos, por sua vez, dependeu da distribuição de patógenos em cada rebanho e das características do protocolo.</p>\n<p>Um estudo observacional australiano de 2024, também no Journal of Dairy Science, acrescenta uma nota de cautela sobre a etapa de coleta. Em 641 amostras de leite colhidas por funcionários de 30 fazendas, 23% estavam contaminadas, e cinco testes de ponto de atendimento avaliados mostraram sensibilidade limitada para identificar os patógenos de interesse após 24 horas de incubação. Os perfis de patógenos também variaram entre rebanhos confinados, onde predominaram amostras sem crescimento e <em>Klebsiella</em> spp., e rebanhos a pasto, onde <em>Streptococcus uberis</em> foi o achado mais comum.</p>\n<h2>Como ler esses resultados na prática</h2>\n<p>Os três trabalhos convergem em um ponto: a utilidade do teste rápido está em responder a uma pergunta simples, gram-positivo ou gram-negativo, e não em substituir a bacteriologia completa. Também convergem na importância da qualidade da amostra e do registro de contagem de células somáticas e do histórico da vaca, elementos que a revisão de 2023 incorpora ao protocolo de decisão. A escolha de um kit e a definição do que fazer com cada resultado dependem do perfil de patógenos do rebanho, da capacidade de executar o teste corretamente e da supervisão do médico-veterinário responsável.</p>\n<p>Para quem atua em bovinocultura de leite, a mensagem do estudo belga é menos uma recomendação e mais uma delimitação: os kits avaliados servem à triagem gram-positivo/gram-negativo dentro de um protocolo de tratamento seletivo, mas não sustentam, sozinhos, decisões que exigem saber qual é o patógeno. Antes de adotar qualquer protocolo, cabe ler os artigos completos, conferir o desempenho em condições semelhantes às do rebanho e discutir a implementação com o veterinário do rebanho.</p>", "sources": [{"title": "Evaluation of 2 culture-based rapid tests used by veterinary practices as a tool for selective treatment of clinical mastitis", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42698970/", "doi": "10.3168/jdsc.2026-1011", "organization": "JDS Communications (American Dairy Science Association)"}, {"title": "Invited review: Selective treatment of clinical mastitis in dairy cattle", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37080782/", "doi": "10.3168/jds.2022-22826", "organization": "Journal of Dairy Science"}, {"title": "Evaluation of point-of-care tests for identification of pathogens to inform clinical mastitis treatment decisions in pasture- and confinement-managed dairy cows in Australia", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38788848/", "doi": "10.3168/jds.2023-24612", "organization": "Journal of Dairy Science"}]}, {"id": 163, "lang": "pt-br", "title": "Raiva humana no Brasil persiste com morcegos como principal fonte", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/raiva-brasil-188-casos-humanos-morcegos-profilaxia-tardia/", "published_at": "2026-09-12T00:33:49.175901+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:50.510737+00:00", "subtitle": "Estudo na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical descreve a transição da raiva canina para a silvestre; o balanço de 50 anos do programa nacional e a vigilância genômica das variantes mostram o que foi conquistado e o que ficou.", "summary": "O Brasil controlou a raiva transmitida por cães, mas o vírus continua circulando em morcegos, primatas e canídeos silvestres, e as pessoas continuam morrendo, sobretudo no Norte e no Nordeste. Três estudos brasileiros publicados entre 2023 e 2025 reúnem 25 anos de casos humanos, o balanço do Programa Nacional de Raiva e a análise filogenética das variantes em circulação.", "category": {"slug": "saude-unica", "name": "Biossegurança e Saúde Única"}, "tags": ["raiva", "morcegos", "profilaxia pós-exposição", "vigilância", "Saúde Única"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/raiva-humana-brasil-.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Morcego hematófago em área rural. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>A raiva é evitável, e ainda assim mata. Um estudo publicado em agosto de 2025 na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical analisou retrospectivamente os casos humanos notificados no Brasil entre 2001 e 2025, com dados de vigilância, literatura científica e relatórios de saúde pública, para descrever tendências nas fontes de transmissão, mudanças nas populações afetadas e desafios de prevenção e tratamento, em particular o acesso à profilaxia pós-exposição.</p>\n<p>Foram 188 casos no período, média de 7,52 por ano, a maioria nas regiões Norte e Nordeste. Os morcegos foram a fonte mais comum de transmissão, seguidos de cães e primatas não humanos. A maior parte dos casos evoluiu para óbito. A profilaxia pós-exposição foi administrada na maioria deles, mas o tratamento pode ter sido tardio, incompleto ou iniciado após o início dos sintomas, o que limitou sua eficácia. Apenas dois pacientes sobreviveram, ambos com terapia intensiva e protocolos terapêuticos modificados. Os autores concluem que a transição da raiva mediada por cães para a mediada por morcegos exige vigilância reforçada e prevenção dirigida, e que garantir o acesso à profilaxia nas áreas de maior risco continua crítico.</p>\n<h2>Cinquenta anos de programa</h2>\n<p>O que permitiu controlar a raiva canina está descrito em um estudo publicado em 2023 na Pathogens. Em 1973, o Programa Nacional de Raiva foi criado por acordo entre os Ministérios da Saúde e da Agricultura, com ação integrada: profilaxia pós-exposição gratuita para pessoas em risco, campanhas de vacinação de cães, sistema conjunto de vigilância e conscientização. Os casos humanos transmitidos por cães caíram de 147 para zero, e os casos caninos de 4.500 para 7. O desafio passou a ser os casos transmitidos por animais silvestres, morcegos, primatas não humanos e canídeos. A maioria dos casos humanos atuais ocorre em municípios com bioma de floresta úmida tropical e subtropical e índice de Gini acima de 0,5. Na análise multivariada do período de 2010 a 2022, a temperatura associou-se a mais casos (razão de chances 1,739) e a cobertura de atenção primária foi identificada como fator protetor (0,947). Metade dos casos está no Nordeste, e os autores veem na associação com temperatura uma preocupação diante da mudança climática; recomendam manter a distribuição gratuita de profilaxia, sobretudo em áreas remotas da Amazônia, e ampliar a conscientização.</p>\n<h2>Que vírus circula, e onde</h2>\n<p>A vigilância laboratorial acompanha essa transição. Um estudo publicado em 2023 na Frontiers in Veterinary Science explica que, dos genótipos do gênero <em>Lyssavirus</em>, apenas o genótipo 1, o vírus clássico da raiva, circula no Brasil, subdividido em variantes antigênicas mantidas em ciclos independentes com hospedeiros e distribuições próprios: AgV1 e AgV2 em cães, AgV3 no morcego hematófago <em>Desmodus rotundus</em>, AgV4 e AgV6 nos morcegos não hematófagos <em>Tadarida brasiliensis</em> e <em>Lasiurus cinereus</em>, e variantes do sagui <em>Callithrix jacchus</em> e do cachorro-do-mato <em>Cerdocyon thous</em>. A análise filogenética de seis genomas da vigilância das regiões Norte e Nordeste formou 11 agrupamentos monofiléticos, cada um correspondendo a uma variante, e posicionou as amostras em AgV3, AgV6 e na variante <em>Callithrix</em>. Foi o primeiro relato de AgV6 no Norte do país. Os autores defendem mais vigilância genômica, com mais amostras e maior diversidade, para detectar mudanças de distribuição geográfica e eventos de transbordamento entre hospedeiros.</p>\n<p>Para o médico-veterinário, os três trabalhos definem o papel atual da profissão na raiva brasileira: manter a cobertura vacinal canina que zerou a transmissão por cães, participar da vigilância de morcegos, herbívoros e primatas, e reconhecer que a exposição a morcego, mesmo sem mordida visível, é indicação de profilaxia imediata para a pessoa. As orientações de conduta pós-exposição são as do Ministério da Saúde, que esta síntese não substitui.</p>", "sources": [{"title": "Two Decades of Human Rabies in Brazil: Epidemiological Trends, Emerging Risks and Treatment Challenges", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40767697/", "doi": "10.1590/0037-8682-0110-2025", "organization": "Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical"}, {"title": "Fifty Years of the National Rabies Control Program in Brazil under the One Health Perspective", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38003806/", "doi": "10.3390/pathogens12111342", "organization": "Pathogens (MDPI)"}, {"title": "Phylogenetic analysis of rabies surveillance samples from north and northeast Brazil", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37841469/", "doi": "10.3389/fvets.2023.1257558", "organization": "Frontiers in Veterinary Science"}]}, {"id": 157, "lang": "pt-br", "title": "Câmara discute criação de Sistema Nacional de Proteção Animal", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/camara-projeto-sistema-nacional-protecao-animal-sinapra-2026/", "published_at": "2026-09-12T00:33:44.358036+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:47.831497+00:00", "subtitle": "O PL 2575/2026 propõe integrar protetores, ONGs, clínicas e órgãos públicos em uma base nacional de dados sobre maus-tratos, abandono e resgates, sem obrigação financeira da União; em setembro, aguardava relator.", "summary": "Três projetos de lei apresentados na Câmara dos Deputados em 2026 tratam da proteção de animais domésticos por ângulos diferentes: um sistema nacional de informação e cooperação (PL 2575), o reconhecimento jurídico do vínculo afetivo entre pessoas e animais de companhia (PL 3181) e normas gerais de prevenção e bem-estar por alteração de quatro leis (PL 1334). Nenhum foi votado. Esta matéria descreve o conteúdo e a situação de tramitação conforme os registros oficiais em 11 de setembro de 2026.", "category": {"slug": "legislacao", "name": "Legislação e programas"}, "tags": ["Câmara dos Deputados", "projeto de lei", "proteção animal", "políticas públicas", "SINAPRA"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/camara-projetos-sist.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Plenário da Câmara dos Deputados. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>Apresentado em 25 de maio de 2026 pelo deputado Gilson Daniel (PODE/ES), o Projeto de Lei nº 2575/2026 institui o Sistema Nacional de Proteção Animal e Rede de Apoio, o SINAPRA. Segundo o art. 1º, a finalidade é estruturar, integrar e subsidiar ações voltadas à proteção, resgate, monitoramento e bem-estar animal, em articulação com o poder público, a sociedade civil e as redes de apoio. O sistema teria caráter nacional e adesão voluntária por Estados, Distrito Federal e Municípios.</p>\n<p>O art. 3º lista quem integraria o sistema: protetores independentes, organizações da sociedade civil, entidades de atendimento veterinário, instituições acadêmicas e de pesquisa, redes de voluntariado, iniciativas sociais ainda sem formalização jurídica e órgãos públicos com atuação em proteção animal, saúde pública, meio ambiente, vigilância sanitária ou educação ambiental. A integração dependeria de identificação, documentação básica, declaração de atividades e comprovação mínima de atuação, com procedimentos simplificados para protetores independentes e iniciativas de pequeno porte. O §3º do art. 4º é explícito: a participação não implicaria vínculo empregatício, obrigação financeira da União nem direito automático ao recebimento de recursos públicos.</p>\n<h2>Uma base nacional de dados</h2>\n<p>O núcleo operacional está no art. 6º: o SINAPRA manteria uma base nacional integrada de informações sobre proteção e bem-estar animal, resgate e acolhimento, denúncias de maus-tratos, situações de abandono, ocorrências de risco sanitário envolvendo animais e ações em emergências, calamidades e desastres, com possibilidade de georreferenciamento e interoperabilidade com sistemas públicos. O tratamento de dados observaria integralmente a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. A União poderia divulgar relatórios e indicadores nacionais, e um painel público eletrônico consolidaria estatísticas de adesão, registros e redes cadastradas. O art. 13 prevê articulação com a Política de Acolhimento e Manejo de Animais Resgatados (Amar), instituída pela Lei nº 15.355, de 11 de março de 2026, e o art. 14 dá 180 dias para a regulamentação.</p>\n<p>Na justificação, o autor afirma que o país tem milhares de protetores, organizações e iniciativas atuando diariamente, mas que ainda se observa fragmentação das informações e ausência de integração institucional, o que dificulta a formulação de políticas e a consolidação de indicadores. O texto enquadra a proteção animal na abordagem de Saúde Única, por seus impactos sobre saúde pública, vigilância sanitária, equilíbrio ambiental e prevenção da violência, e sustenta que a proposta não cria política paralela à Amar, respeita a autonomia dos entes federativos e não institui despesas obrigatórias.</p>\n<h2>Onde está cada projeto</h2>\n<p>Conforme o registro da API de Dados Abertos da Câmara consultado em 11 de setembro de 2026, o PL 2575/2026 estava na situação \"Aguardando Designação de Relator\", com última movimentação em 2 de julho de 2026 e regime de tramitação ordinário. Dois outros projetos de 2026 tratam de temas vizinhos. O PL 3181/2026, do deputado Marcos Tavares, apresentado em 17 de junho, institui a Política Nacional de Proteção aos Vínculos Afetivos Multiespécies, reconhece a relevância jurídica e social do vínculo afetivo entre seres humanos e animais domésticos de companhia e disciplina convivência, guarda responsável e tutela; desde 3 de setembro, tramita em conjunto com outra proposição, por apensação, na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família. O PL 1334/2026, do deputado José Guimarães, apresentado em 23 de março, altera a Lei nº 5.517/1968, a Lei nº 9.605/1998, a Lei nº 13.426/2017 e a Lei nº 15.046/2024 para instituir normas gerais de prevenção, proteção e bem-estar de animais domésticos; aguardava parecer na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável após o encerramento de prazo em 2 de junho.</p>\n<p>Projetos de lei não produzem efeitos até serem aprovados nas duas Casas e sancionados, e podem ser modificados por substitutivos e emendas ao longo da tramitação. Para o profissional veterinário e para as organizações de proteção, o interesse imediato do PL 2575 está na definição de quem entra na rede e de que dados seriam consolidados; a Animal Care Education acompanhará a tramitação e atualizará esta matéria a cada mudança de situação registrada nos dados abertos.</p>", "sources": [{"title": "Projeto de Lei nº 2575/2026 – Institui o Sistema Nacional de Proteção Animal e Rede de Apoio (SINAPRA) – inteiro teor", "url": "https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=3135960", "doi": "", "organization": "Câmara dos Deputados"}, {"title": "Proposição 2627420 (PL 2575/2026) – registro na API de Dados Abertos", "url": "https://dadosabertos.camara.leg.br/api/v2/proposicoes/2627420", "doi": "", "organization": "Câmara dos Deputados – Dados Abertos"}, {"title": "Proposição 2633408 (PL 3181/2026) – Política Nacional de Proteção aos Vínculos Afetivos Multiespécies – registro na API de Dados Abertos", "url": "https://dadosabertos.camara.leg.br/api/v2/proposicoes/2633408", "doi": "", "organization": "Câmara dos Deputados – Dados Abertos"}, {"title": "Proposição 2611296 (PL 1334/2026) – normas gerais de prevenção, proteção e bem-estar de animais domésticos – registro na API de Dados Abertos", "url": "https://dadosabertos.camara.leg.br/api/v2/proposicoes/2611296", "doi": "", "organization": "Câmara dos Deputados – Dados Abertos"}]}, {"id": 154, "lang": "pt-br", "title": "Espectro de cuidado propõe opções viáveis diante de custos veterinários", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/espectro-de-cuidado-acesso-veterinario-custo-decisao-compartilhada/", "published_at": "2026-09-12T00:33:41.594936+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:45.001750+00:00", "subtitle": "Quatro artigos de 2024 e 2025 descrevem atitudes dos veterinários, uma ferramenta para comunicar opções baseadas em evidência, o caso do diabetes canino e o custo como principal barreira de acesso.", "summary": "O custo é a maior barreira ao cuidado veterinário para muitas famílias, e a resposta que ganha espaço na literatura é o espectro de cuidado: oferecer de forma deliberada um leque de opções diagnósticas e terapêuticas aceitáveis, e não apenas a mais sofisticada. Esta síntese reúne um inquérito sobre atitudes dos veterinários, um toolkit de comunicação publicado no JAVMA, uma aplicação ao diabetes canino e uma análise sobre custo e acesso.", "category": {"slug": "carreira", "name": "Desenvolvimento profissional"}, "tags": ["espectro de cuidado", "acesso a cuidado veterinário", "custo", "decisão compartilhada", "medicina baseada em evidências"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/espectro-de-cuidado-.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Consulta veterinária com tutor e cão, com veterinário explicando opções. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>Recursos financeiros insuficientes são uma barreira importante para que tutores obtenham serviços preventivos, de doença e de emergência. Diante disso, a comunidade veterinária começou a incorporar de forma mais intencional a oferta de um leque de opções diagnósticas e de tratamento, o que a literatura chama de espectro de cuidado. Muitos veterinários, porém, são formados e orientados para oferecer o cuidado mais especializado e sofisticado. Quatro artigos recentes ajudam a entender a distância entre a intenção e a prática.</p>\n<h2>O que os veterinários dizem que fazem</h2>\n<p>Um estudo publicado em 2024 na revista Animals levantou comportamentos autorrelatados, conhecimento, atitudes e crenças de veterinários sobre oferecer um espectro de opções. O achado de que muitos relatam oferecê-lo é descrito como encorajador. Mas há padrões: os veterinários que relataram conforto e confiança em diversos aspectos do cuidado clínico foram os mais propensos a oferecer opções; profissionais com 20 anos ou mais de prática foram menos propensos a oferecê-las a clientes com limitação financeira; e veterinários rurais foram mais propensos que urbanos a oferecê-las a qualquer cliente. Os autores apresentam os resultados como ponto de referência para quem ainda não pratica dessa forma.</p>\n<h2>Uma ferramenta para comunicar opções</h2>\n<p>Oferecer opções exige identificá-las e explicá-las. Um tutorial em vídeo publicado em agosto de 2025 no Journal of the American Veterinary Medical Association usa um caso para demonstrar um arcabouço de medicina baseada em evidências: formular a pergunta clínica relevante para paciente, tutor e veterinário, buscar e avaliar a evidência, e aplicá-la às opções do caso. Entre as ferramentas está a Value Matrix, uma matriz que comunica ao tutor as vantagens e desvantagens de cada opção segundo critérios específicos da situação, para informar a decisão compartilhada. Segundo os autores, opções baseadas em evidência podem ser identificadas e comunicadas mesmo em questões clínicas complexas com pouca evidência publicada, e o método se adapta a cada animal, tutor, geografia e clínica.</p>\n<h2>O caso do diabetes canino</h2>\n<p>Um artigo publicado em julho de 2025 no mesmo periódico aplica a lógica a uma doença específica. O diabetes mellitus canino é tratável, e ainda assim as taxas de eutanásia são altas; custos antecipados, impacto no estilo de vida do tutor e restrições financeiras contribuem para a eutanásia precoce. Insulina, dieta, monitoramento e atendimento veterinário compõem a maior parte dos gastos, e substituir escolhas acessíveis em uma ou mais dessas áreas pode afetar significativamente o custo total sem comprometer o cuidado. Não há uma abordagem melhor para todos os cães diabéticos, e sim um manejo adaptado às necessidades de tutor e animal. Os autores consideram urgente adotar abordagens de espectro de cuidado nessa doença para reduzir custos, aumentar a sobrevida e melhorar os desfechos para cão e tutor.</p>\n<p>O pano de fundo é descrito em uma análise publicada em 2024 na Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice: o acesso ao cuidado veterinário é cada vez mais difícil para as famílias norte-americanas, e, embora haja muitos fatores, o custo é o maior desafio. O artigo explora como opções de pagamento, a abordagem de espectro de cuidado e a estratificação do cuidado podem melhorar o acesso.</p>\n<p>Nenhum dos quatro trabalhos propõe rebaixar o padrão de cuidado; o que propõem é tornar explícito o leque de opções aceitáveis, com a evidência e os custos de cada uma, e deixar a escolha ser compartilhada. Para o ensino veterinário, o inquérito de 2024 sugere que a confiança clínica é o que permite ao profissional oferecer alternativas, o que faz do espectro de cuidado uma competência a ser formada, e não um atalho.</p>", "sources": [{"title": "Veterinarians' Self-Reported Behaviors and Attitudes toward Spectrum of Care Practices", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38791634/", "doi": "10.3390/ani14101416", "organization": "Animals (MDPI)"}, {"title": "Spectrum of care toolkit: identifying and communicating evidence-based options", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40816327/", "doi": "10.2460/javma.25.06.0384", "organization": "Journal of the American Veterinary Medical Association (AVMA)"}, {"title": "Can implementing spectrum-of-care approaches in management of canine diabetes mellitus improve dog and owner outcomes?", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40683306/", "doi": "10.2460/javma.25.04.0288", "organization": "Journal of the American Veterinary Medical Association (AVMA)"}, {"title": "Cost of Care, Access to Care, and Payment Options in Veterinary Practice", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38057249/", "doi": "10.1016/j.cvsm.2023.10.007", "organization": "Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice (Elsevier)"}]}, {"id": 151, "lang": "pt-br", "title": "Estudos revelam fatores de risco para saúde mental de veterinários", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/saude-mental-veterinarios-sofrimento-moral-luto-ambiente/", "published_at": "2026-09-12T00:33:39.097481+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:41.832537+00:00", "subtitle": "Estudos nos Estados Unidos, na Austrália, no Brasil e na Itália apontam fatores modificáveis: conflitos éticos sem preparo, falta de formação sobre luto, carga sem pausas e pouca autonomia. Nove em dez veterinários brasileiros não aprenderam a lidar com a morte na graduação.", "summary": "A profissão veterinária convive com atrito, adoecimento mental e taxas de suicídio descritas como alarmantes. Quatro estudos publicados entre 2023 e 2024 medem componentes distintos do problema: o sofrimento moral diante de conflitos éticos, os fatores organizacionais do local de trabalho, o impacto emocional da morte de pacientes e os preditores de ideação suicida. Juntos, apontam para intervenções que não dependem só da resiliência individual.", "category": {"slug": "carreira", "name": "Desenvolvimento profissional"}, "tags": ["saúde mental", "sofrimento moral", "burnout", "luto", "carreira"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/saude-mental-veterin.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Equipe veterinária em pausa entre atendimentos. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>A escassez de veterinários em vários países tem, entre suas causas, o abandono da profissão, e a pesquisa tem indicado níveis elevados de adoecimento mental e taxas de suicídio descritas como alarmantes entre praticantes. Quatro inquéritos publicados entre 2023 e 2024, em quatro países, medem partes diferentes desse quadro e convergem em um ponto: há fatores modificáveis, e nem todos estão dentro da pessoa.</p>\n<h2>Sofrimento moral e burnout</h2>\n<p>O sofrimento moral, a angústia de saber o que seria certo fazer e não poder fazê-lo, foi medido em 1.919 veterinários membros do Veterinary Information Network, em estudo publicado em 2023 no Journal of the American Veterinary Medical Association. Gênero e idade foram preditores significativos: veterinárias mais jovens relataram níveis mais altos que veterinários mais velhos. Controlando idade e gênero, tanto para associados quanto para proprietários de clínicas, níveis mais altos de sofrimento moral previram menor realização profissional e maior exaustão no trabalho, desengajamento interpessoal e burnout. Os autores consideram imperativo que a área ofereça treinamento para reconhecer e navegar conflitos éticos.</p>\n<h2>O peso do ambiente de trabalho</h2>\n<p>Um estudo publicado em 2023 no Australian Veterinary Journal perguntou se o foco deve ser o indivíduo ou a organização. Com 73 veterinários australianos, avaliou o impacto de onze fatores modificáveis do local de trabalho sobre saúde mental, apreço pelo trabalho e intenção de sair. Fatores desfavoráveis correlacionaram-se a depressão, estresse, menor apreço pelo trabalho e maior probabilidade de deixar tanto o cargo quanto a profissão, e a associação se manteve após controlar a resiliência individual. Duas categorias se destacaram por associação com melhores resultados psicológicos: pausas na carga de trabalho e controle ou autonomia de decisão. Para os autores, a resiliência é área de intervenção, mas os fatores do ambiente são potencialmente mais fáceis de modificar. O tamanho da amostra é uma limitação evidente.</p>\n<h2>A morte do paciente, no Brasil</h2>\n<p>Diferentemente do médico, o veterinário pode acompanhar o paciente da concepção ao fim da vida, e a proximidade torna a equipe mais exposta aos maus desfechos. Um estudo publicado em dezembro de 2023 na Veterinary Sciences avaliou o impacto emocional da morte de pacientes em 549 veterinários brasileiros, 78,3% mulheres, por questionário de 20 itens. As mulheres relataram ser mais afetadas do que os homens tanto pela morte do animal quanto pela conversa com o tutor sobre a morte. O impacto foi fortemente influenciado pelo número de animais eutanasiados e variou com a idade: veterinários acima de 50 anos foram menos afetados que os de 31 a 40. O dado mais direto para o ensino: 91,0% dos respondentes não receberam formação para lidar com o luto durante a graduação, e os que receberam relataram ser menos afetados. Os autores concluem que essa formação, voltada a preparar futuros veterinários para a morte e para sua comunicação, é ausente e necessária.</p>\n<h2>Preditores de ideação suicida</h2>\n<p>O estudo mais amplo, publicado em 2024 na Scientific Reports, aplicou a 1.556 veterinários italianos de 24 a 74 anos medidas de exposição à eutanásia de animais, uso de substâncias, funcionamento reflexivo (a capacidade de compreender o próprio comportamento e o dos outros em termos de estados mentais) e ideação suicida. A modelagem de equações estruturais mostrou que falhas no funcionamento reflexivo e o uso de substâncias estavam associados à ideação suicida. A recomendação é de programas de prevenção que melhorem o funcionamento reflexivo e reduzam o uso de substâncias.</p>\n<p>Lidos em conjunto, os quatro trabalhos descrevem alvos concretos para escolas, empregadores e conselhos: formação em ética aplicada e em comunicação da morte, organização do trabalho com pausas e autonomia, e programas de prevenção com foco em funcionamento reflexivo e uso de substâncias. Se você ou alguém próximo está em sofrimento, procure ajuda: no Brasil, o CVV atende pelo 188, 24 horas, e em outros países há serviços equivalentes.</p>", "sources": [{"title": "Veterinarians and moral distress", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36753393/", "doi": "10.2460/javma.22.12.0598", "organization": "Journal of the American Veterinary Medical Association (AVMA)"}, {"title": "Mental health in the veterinary profession: an individual or organisational focus?", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36369713/", "doi": "10.1111/avj.13215", "organization": "Australian Veterinary Journal (Wiley)"}, {"title": "The Emotional Impact of Patient Loss on Brazilian Veterinarians", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38275919/", "doi": "10.3390/vetsci11010003", "organization": "Veterinary Sciences (MDPI)"}, {"title": "Predictors of suicidal ideation in Italian veterinarians", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39080454/", "doi": "10.1038/s41598-024-68330-w", "organization": "Scientific Reports (Nature Portfolio)"}]}, {"id": 148, "lang": "pt-br", "title": "Vigilância falha e vetor resistente desafiam controle da leishmaniose", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/leishmaniose-visceral-canina-brasil-vigilancia-fatores-risco-resistencia/", "published_at": "2026-09-12T00:33:36.616567+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:38.596828+00:00", "subtitle": "Em Mato Grosso, quase 19% dos cães examinados eram soropositivos, mas poucos municípios repetem os inquéritos; em quatro capitais e cidades endêmicas, sexo, vida ao ar livre e criação de galinhas mudaram o risco; uma população de flebotomíneos do Ceará resistiu ao inseticida das coleiras.", "summary": "O cão é o principal reservatório doméstico de Leishmania infantum nas áreas urbanas brasileiras, e o Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral depende de inquéritos caninos, controle vetorial e identificação de casos. Esta síntese reúne três estudos brasileiros publicados entre 2022 e 2024 que medem a execução da vigilância, os fatores de risco da infecção canina e a suscetibilidade do vetor às coleiras impregnadas.", "category": {"slug": "saude-unica", "name": "Biossegurança e Saúde Única"}, "tags": ["leishmaniose visceral", "Leishmania infantum", "cães", "Lutzomyia longipalpis", "vigilância"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/leishmaniose-viscera.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Cão com coleira repelente em quintal de área urbana. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>A leishmaniose visceral é considerada doença negligenciada em escala global, e no Brasil sua expansão e urbanização levaram à criação do Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral, que recomenda identificação de casos humanos e caninos, controle vetorial e prevenção. Três estudos brasileiros recentes, lidos em conjunto, mostram o que acontece quando essas recomendações encontram a rotina dos municípios.</p>\n<h2>Mato Grosso: muitos cães positivos, poucos inquéritos repetidos</h2>\n<p>Um estudo publicado em 2024 na Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária investigou a situação epidemiológica em municípios de Mato Grosso e a execução das atividades do programa entre 2019 e 2021. Os dados de casos humanos vieram do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), e os inquéritos entomológicos e caninos, da Secretaria de Estado de Saúde. No período, foram registrados 30 casos humanos, distribuídos em 16 municípios. Vetores foram identificados em metade dos municípios onde houve investigação entomológica, com predomínio de <em>Lutzomyia longipalpis</em>. Um total de 15.585 cães foi submetido a exame sorológico, e 18,91% eram soropositivos para <em>Leishmania infantum</em>. Apenas três municípios, porém, realizaram inquéritos caninos consecutivos. Os autores concluem que, embora a doença esteja amplamente distribuída no estado, poucos municípios executam as ações do programa, o que confirma o caráter negligenciado da doença.</p>\n<h2>Quem se infecta na cidade</h2>\n<p>Quais cães correm mais risco? Um estudo publicado em 2022 na Research in Veterinary Science reuniu dados de quatro cidades endêmicas de regiões diferentes, Fortaleza, Brasília, Palmas e Bauru, e usou testes parasitológicos, como cultura de lesão cutânea e análise histológica ou imuno-histoquímica da pele, para definir infecção, o que evita parte dos problemas dos inquéritos sorológicos. A positividade canina foi de 9,8% no conjunto, com grande variação: Bauru 18,7%, Brasília 8,4%, Fortaleza 7,9% e Palmas 4%. Na regressão logística ajustada por cidade, os machos tiveram o dobro da chance de infecção; cães que vivem fora de casa, 1,5 vez; e cães de domicílios que criam galinhas, 40% menos chance. Uma interação indicou que a associação protetora de ser de raça definida era mais forte entre cães com mais de sete anos. Os autores propõem usar esses fatores para identificar grupos de animais de maior risco e direcionar as intervenções de controle.</p>\n<h2>As coleiras e o vetor</h2>\n<p>As coleiras impregnadas com deltametrina a 4% são usadas nas áreas endêmicas para reduzir a transmissão a partir dos cães, mas a exposição contínua ao inseticida pode selecionar flebotomíneos resistentes. Um estudo publicado em novembro de 2024 na Parasites & Vectors expôs seis populações de campo de <em>Lu. longipalpis</em>, coletadas em áreas onde as coleiras foram usadas, a bioensaios de garrafa CDC com doses diagnósticas de 21,9 e 30 μg por garrafa e a experimentos de dose-resposta. Na dose de 21,9 μg, três populações eram suscetíveis; duas, do Ceará e de Minas Gerais, tiveram mortalidade de 94,9% e 95,7%, indicando possível resistência; e uma, do Ceará, foi classificada como resistente, com mortalidade de 87,1%. A intensidade da resistência foi baixa, com razões de resistência entre 2,27 e 0,54 na dose que mata metade dos insetos. Os autores concluem que a maioria das populações continua suscetível, mas que a população resistente do Ceará exige entender os mecanismos de resistência onde as coleiras são amplamente usadas.</p>\n<p>Para o médico-veterinário em área endêmica, os três trabalhos oferecem três tarefas concretas: cobrar e registrar os inquéritos caninos do município, orientar tutores sobre os fatores de risco modificáveis, como manter o cão em ambiente protegido à noite, e acompanhar a eficácia das coleiras no território, já que a suscetibilidade do vetor não é uniforme no país. Esta síntese não substitui as diretrizes oficiais do Ministério da Saúde para diagnóstico e conduta.</p>", "sources": [{"title": "Epidemiology of visceral leishmaniasis in municipalities of Mato Grosso and the performance of surveillance activities: an updated investigation", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38324884/", "doi": "10.1590/S1984-29612024008", "organization": "Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária (Colégio Brasileiro de Parasitologia Veterinária)"}, {"title": "Factors associated with Leishmania infantum infection in dogs from urban areas endemic for visceral leishmaniasis in Brazil", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36215737/", "doi": "10.1016/j.rvsc.2022.09.035", "organization": "Research in Veterinary Science (Elsevier)"}, {"title": "Insecticide-impregnated dog collars for the control of visceral leishmaniasis: evaluation of the susceptibility of field Lutzomyia longipalpis populations to deltamethrin", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39548568/", "doi": "10.1186/s13071-024-06474-4", "organization": "Parasites & Vectors (BMC)"}]}, {"id": 145, "lang": "pt-br", "title": "Pobreza influencia práticas de manejo e risco de zoonoses no Camboja", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/camboja-etnografia-precariedade-saude-animal-informal/", "published_at": "2026-09-12T00:33:34.034369+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:36.022356+00:00", "subtitle": "Estudo na Social Science & Medicine descreve o comércio de animais mortos como rede de segurança econômica e via de exposição a zoonoses; pesquisas anteriores com agentes comunitários de saúde animal mostram os limites do sistema paraveterinário.", "summary": "A emergência de zoonoses no Sudeste Asiático rural é reconhecida como ameaça global, mas as dimensões econômicas e materiais que influenciam o risco de transbordamento são pouco compreendidas pelos marcos institucionais. Um estudo etnográfico publicado em agosto de 2026, com 60 entrevistas em Battambang, propõe ler as práticas dos produtores como adaptação racional a restrições estruturais. Dois estudos com agentes comunitários de saúde animal completam o retrato do sistema.", "category": {"slug": "saude-unica", "name": "Biossegurança e Saúde Única"}, "tags": ["Camboja", "agentes comunitários de saúde animal", "zoonoses", "antropologia", "pequenos produtores"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/camboja-precariedade.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Produtor rural com gado em aldeia do Sudeste Asiático. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>Os programas de prevenção de zoonoses costumam tratar as práticas dos pequenos produtores como problema de conhecimento ou de cultura. Um estudo etnográfico publicado em 25 de agosto de 2026 na Social Science & Medicine inverte a lente: examina como a precariedade econômica, a degradação ambiental e a inadequação dos serviços veterinários moldam as relações entre pessoas e animais e as práticas de saúde animal em três comunidades rurais da província de Battambang, no Camboja.</p>\n<p>O material vem de observações etnográficas e 60 entrevistas com 55 pessoas, realizadas entre dezembro de 2023 e julho de 2025. Os autores documentam como os produtores navegam de forma racional o manejo dos animais e das doenças dentro de restrições estruturais que limitam suas opções. Em vez de tratar essas práticas como barreiras culturais à prevenção, o estudo as descreve como respostas adaptativas à pobreza, às lacunas de serviço e ao estresse ecológico.</p>\n<h2>O comércio de animais mortos</h2>\n<p>O exemplo central é o comércio de animais mortos, que funciona ao mesmo tempo como rede de segurança econômica informal, ao permitir recuperar algum valor de um animal perdido, e como via não regulada de exposição a doenças. O conhecimento antropológico produzido, que os autores chamam de processual, relacional e corporificado, revela a complexidade situada por meio da qual os riscos de saúde animal emergem e são manejados na prática. A conclusão é que intervenções eficazes precisam tratar os motores econômicos e ambientais do risco e trabalhar em parceria com o conhecimento local, em vez de tentar substituí-lo.</p>\n<h2>Quem atende os animais na aldeia</h2>\n<p>Nos países com serviços veterinários nacionais de baixa capacidade, a linha de frente é ocupada por sistemas paraveterinários. No Camboja, o sistema de agentes comunitários de saúde animal (VAHWs, na sigla em inglês) foi criado no início dos anos 1990, com treinamentos curtos voltados sobretudo à vacinação de bovinos contra a septicemia hemorrágica. Um estudo publicado em 2020 na Transboundary and Emerging Diseases, com 80 agentes de duas províncias entrevistados em 2015, examinou a frequência de contato deles com as autoridades de saúde animal distritais, responsáveis pela notificação nacional. A renda obtida com as atividades e a frequência de visitas a produtores associaram-se a mais contato com as autoridades. O estudo também registrou alto uso inadequado de antibióticos: quase 90% dos agentes relataram usá-los para tratar animais com febre aftosa, doença viral. Os autores sugeriram maior aderência às diretrizes de competência da Organização Mundial da Saúde Animal para paraprofissionais, caso se espere que eles contribuam para a vigilância nacional.</p>\n<p>Um segundo inquérito, publicado em 2022 na mesma revista, avaliou os conhecimentos, atitudes e práticas de 80 agentes das províncias de Tbong Khmum e Takeo em agosto de 2018. O escore médio de conhecimento em saúde animal e biossegurança foi alto, 86%. O tempo de atuação, a notificação de doenças de suínos, a recomendação de quarentena para animais recém-comprados, o tratamento de septicemia hemorrágica com antibióticos e a lavagem de calçados ao entrar e sair de propriedades associaram-se aos escores mais altos, iguais ou superiores a 92%. Para os autores, a correlação entre comportamentos de biossegurança e notificação e o nível de conhecimento é evidência de que treinamento aprimorado, com monitoramento regular, pode manter os agentes como apoio relevante aos serviços nacionais.</p>\n<p>Lidos em sequência, os três trabalhos descrevem um sistema em que o conhecimento técnico dos agentes é razoável, o contato com a vigilância depende de renda e rotina, e as decisões dos produtores respondem a uma economia em que um animal morto ainda vale alguma coisa. Para profissionais que desenham programas de extensão e vigilância, inclusive na América Latina, a mensagem do estudo de 2026 é que a informação sozinha não muda uma prática que resolve um problema econômico real.</p>", "sources": [{"title": "Livelihood pragmatism: Economic precarity and informal animal health management in rural Cambodia", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42664744/", "doi": "10.1016/j.socscimed.2026.119769", "organization": "Social Science & Medicine (Elsevier)"}, {"title": "Can improving animal health and biosecurity knowledge of para-veterinarians in Cambodia assist in addressing challenges in smallholder livestock farming?", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33547754/", "doi": "10.1111/tbed.14020", "organization": "Transboundary and Emerging Diseases (Wiley)"}, {"title": "Improving Village Animal Health Worker participation in national disease surveillance systems: A case study from Cambodia", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31758845/", "doi": "10.1111/tbed.13432", "organization": "Transboundary and Emerging Diseases (Wiley)"}]}, {"id": 142, "lang": "pt-br", "title": "Experiência prévia com animais influencia escolha rural de veterinários", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/veterinarios-rurais-preditores-6431-recem-formados/", "published_at": "2026-09-12T00:33:31.625356+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:33.088139+00:00", "subtitle": "Publicado no JAVMA, o trabalho multi-institucional confirma achados anteriores e propõe usar os preditores nas admissões; na França, um estágio rural subsidiado só mudou a trajetória de quem tinha pouca ligação com o setor.", "summary": "A escassez de veterinários em áreas rurais é um problema global com efeitos sobre a produção animal e a saúde pública. Um estudo publicado em setembro de 2026 analisou os primeiros destinos de 6.431 graduados de 33 escolas para identificar o que prediz a escolha pela prática rural com animais de produção. Um estudo anterior de uma única escola e uma avaliação causal de estágios na França mostram o que funciona e o que não funciona.", "category": {"slug": "carreira", "name": "Desenvolvimento profissional"}, "tags": ["carreira", "prática rural", "animais de produção", "ensino veterinário", "mercado de trabalho"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/veterinarios-rurais-.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Médica-veterinária em atendimento a bovinos em propriedade rural. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>Se a escassez de veterinários rurais persiste, recrutar melhor exige saber quem, entre os estudantes, tem mais probabilidade de escolher o campo. Um estudo multi-institucional publicado em 2 de setembro de 2026 no Journal of the American Veterinary Medical Association procurou preditores de entrada na prática rural que possam ser usados nas decisões de admissão das escolas.</p>\n<p>A amostra reuniu 6.431 graduados de 33 escolas veterinárias credenciadas dos Estados Unidos e do Caribe que usam o serviço centralizado de candidatura (VMCAS) e o inquérito de formandos da AVMA. Os pesquisadores examinaram os primeiros destinos das turmas de 2019 a 2023, incluindo o local do primeiro emprego, e usaram regressão logística para identificar as variáveis que predizem a escolha de emprego rural com animais de produção em vez de outros contextos.</p>\n<h2>Três preditores</h2>\n<p>A comunidade de origem do graduado, a comunidade selecionada para o primeiro emprego e as experiências, veterinárias e não veterinárias, com animais de produção tiveram as relações mais fortes com a escolha do tipo e do local de trabalho. Os autores concluem que a comunidade de origem e as experiências com animais de produção são indicadores estatisticamente significativos da probabilidade de entrar na prática rural ao se formar, e que os achados podem orientar estratégias de recrutamento e práticas de admissão para moldar a demografia das turmas e, com ela, os locais e tipos de prática dos futuros egressos.</p>\n<p>O estudo amplia um trabalho de 2023 do mesmo grupo, publicado no JAVMA com 478 graduados da Auburn University das turmas de 2019 a 2022. Naquele contexto, em que 47 estados americanos tinham escassez veterinária reconhecida federalmente, a regressão logística e a análise de classes latentes já apontavam comunidade de origem, comunidade preferida e gênero como os preditores mais fortes. A versão de 2026 testa a hipótese em 33 escolas e acrescenta as experiências com animais de produção.</p>\n<h2>O que um estágio subsidiado consegue mudar</h2>\n<p>Se a origem pesa tanto, políticas que tentam mudar a trajetória depois da entrada na faculdade precisam ser avaliadas com cuidado. Na França, um programa de estágio tutorado subsidia estudantes e mentores para um período de formação em áreas rurais remotas, com o objetivo de integrar e reter os futuros veterinários. Um estudo publicado em 2024 na PLoS One avaliou o programa com dados de inquérito de 2016 a 2020 e três métodos derivados da teoria de inferência causal. O efeito médio do estágio sobre o trabalho no setor de animais de produção não foi significativo. Mas, entre os veterinários com baixa fração de trabalho nesse setor, o estágio levou a uma prática rural após a formatura entre 13% e 20% maior do que entre os que não participaram. Em outras palavras, o programa não mudou quem já estava decidido, mas moveu quem estava na margem.</p>\n<p>A dimensão do problema é internacional. Um estudo qualitativo publicado em 2025 na Frontiers in Veterinary Science, com 124 respostas de estudantes e veterinários de Alberta, no Canadá, descreve a escassez de veterinários rurais como preocupação global crescente, com risco de impactos significativos sobre o manejo do rebanho, a agricultura e a saúde pública em comunidades rurais e remotas. A análise temática apontou como motivadores os vínculos pessoais e familiares com o meio rural, as relações fortes que se formam nas comunidades, a variedade do trabalho e a exposição durante a faculdade; como desestímulos, os recursos e apoios limitados; e como incentivos, melhor salário e benefícios, perdão de dívidas estudantis, mentoria e menos plantões.</p>\n<p>Para escolas e conselhos profissionais no Brasil, onde o vazio assistencial em municípios pequenos é conhecido, os três trabalhos sugerem duas frentes complementares: selecionar e apoiar estudantes de origem rural e com experiência prévia com animais de produção, e desenhar estágios rurais para os indecisos, que é onde a evidência francesa mostra efeito. Esta síntese se baseia nos resumos publicados; os coeficientes e as limitações estão nos textos completos.</p>", "sources": [{"title": "Community of origin, preferred community or location of first employment, and food animal experiences are predictors for veterinary graduates choosing rural food animal employment", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42685778/", "doi": "10.2460/javma.26.01.0079", "organization": "Journal of the American Veterinary Medical Association (AVMA)"}, {"title": "Community of origin, preferred community, and gender are predictors for veterinary graduates from Auburn University choosing rural food animal employment", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37673216/", "doi": "10.2460/javma.23.05.0266", "organization": "Journal of the American Veterinary Medical Association (AVMA)"}, {"title": "Effectiveness of rural internships for veterinary students to combat veterinary workforce shortages in rural areas", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38451938/", "doi": "10.1371/journal.pone.0294651", "organization": "PLoS One"}, {"title": "Understanding the motivations, deterrents, and incentives for rural Albertan veterinary practice", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41049143/", "doi": "10.3389/fvets.2025.1633149", "organization": "Frontiers in Veterinary Science"}]}, {"id": 139, "lang": "pt-br", "title": "Veterinárias treinam produtoras para biossegurança no manejo de rebanhos", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/veterinarias-treinam-produtoras-biosseguranca-india-cascata/", "published_at": "2026-09-12T00:33:29.361790+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:29.786044+00:00", "subtitle": "Estudo na Frontiers in Public Health descreve 38 profissionais capacitadas e 152 produtoras formadas; pesquisas na África do Sul e sobre a febre do Vale do Rift mostram por que o gênero importa na exposição a zoonoses.", "summary": "Na Índia, as mulheres desempenham papéis centrais no manejo do rebanho, mas têm pouco acesso a treinamento em biossegurança porque as visitas de campo são feitas sobretudo por veterinários homens. Um programa publicado em agosto de 2026 contornou a barreira treinando veterinárias para treinar produtoras. Dois trabalhos anteriores mostram que a divisão de tarefas por gênero muda quem se expõe a quê.", "category": {"slug": "carreira", "name": "Desenvolvimento profissional"}, "tags": ["Saúde Única", "biossegurança", "mulheres", "formação", "zoonoses"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/mulheres-veterinaria.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Produtora rural com cabras e búfalos em pequena propriedade. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>As doenças zoonóticas continuam sendo uma ameaça relevante à saúde pública na Índia, onde a população densa e a economia agrícola tornam frequentes as interações entre pessoas e animais. Apesar das políticas que promovem abordagens de Saúde Única, persistem barreiras como baixa consciência e práticas inadequadas de biossegurança. Um estudo publicado em 26 de agosto de 2026 na Frontiers in Public Health parte de um diagnóstico específico: as mulheres produtoras têm papel crucial, mas pouco reconhecido, no manejo do rebanho, e têm acesso limitado a treinamento porque interagem pouco com os profissionais veterinários homens, que fazem a maior parte das visitas de campo. As profissionais veterinárias, por sua vez, conseguem se relacionar melhor com as produtoras, mas enfrentam barreiras para ocupar posições de campo e para acessar formação.</p>\n<p>A solução desenhada foi um modelo de treinamento em cascata. Na primeira etapa, profissionais veterinárias foram treinadas em biossegurança, biosseguridade, Saúde Única e engajamento comunitário, e equipadas com ferramentas para treinar produtoras. Na segunda, essas profissionais conduziram sessões locais para as produtoras, com estudos de caso e jogos. O conhecimento adquirido foi medido por avaliações antes e depois e por grupos focais.</p>\n<h2>Os resultados das duas etapas</h2>\n<p>Foram treinadas 38 profissionais veterinárias; seus escores de conhecimento passaram de 10,6 (± 2,49) para 11,3 (± 2,47) nas mesmas questões. Os grupos focais mostraram que elas compreendiam o conhecimento e os problemas das produtoras, e produziram três temas sobre a capacitação dessas mulheres: lacunas de conhecimento e práticas de alto risco, barreiras estruturais e socioculturais, e caminhos para engajamento comunitário e transferência de conhecimento. Das 152 produtoras treinadas, 79,9% conseguiram identificar sinais clínicos de doença animal e 85,9% reconheceram práticas integradas de prevenção; ainda assim, lacunas na consciência sobre zoonoses e nas práticas de saneamento ficaram evidentes. Os autores concluem que engajar mulheres profissionais como praticantes e formadoras pode avançar a biossegurança e a detecção de doenças em nível comunitário, e defendem que abordagens centradas nas mulheres sejam incorporadas às estratégias nacionais de Saúde Única.</p>\n<h2>Por que o gênero muda a exposição</h2>\n<p>A lógica do programa tem base em estudos anteriores. Em 2020, um trabalho na EcoHealth descreveu, na comunidade rural de Mnisi, na província de Mpumalanga, África do Sul, os papéis e responsabilidades dos moradores nas tarefas identificadas como pontos críticos de exposição a patógenos, desagregados por gênero. As tarefas tipicamente masculinas incluíam o manejo de gado e aves, a caça e o abate de fauna silvestre e o controle de roedores; as tipicamente femininas, o preparo de alimentos de origem animal, a limpeza e a manutenção doméstica e o cuidado de crianças e familiares doentes. Como as tarefas são específicas por gênero, os padrões de exposição e transmissão também podem ser, e os autores recomendaram análise desagregada por gênero para a mitigação de risco.</p>\n<p>Um artigo de perspectiva publicado em 2025 na Research Directions: One Health usou a febre do Vale do Rift como caso: a literatura foca a exposição masculina por causa de papéis ocupacionais dominados por homens e negligencia as responsabilidades variadas das mulheres no cuidado do rebanho; os estudos frequentemente carecem de dados desagregados por sexo; e normas sociais limitam a autonomia das mulheres na posse de animais, nas decisões de vacinação e no acesso a cuidados de saúde. Programas que envolveram mulheres, citam os autores, levaram a mudanças de normas e a maior acesso a mercados e a cuidado veterinário para produtoras.</p>\n<p>Para a formação veterinária, o conjunto sugere uma pergunta simples a incluir em qualquer programa de extensão: quem, na propriedade, executa a tarefa que se quer mudar, e quem está recebendo a orientação. Quando as duas respostas não coincidem, o treinamento pode estar chegando à pessoa errada.</p>", "sources": [{"title": "Empowering women for health security in India: a One Health cascade training model for strengthening biosecurity through women veterinarians and farmers", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42719778/", "doi": "10.3389/fpubh.2026.1903744", "organization": "Frontiers in Public Health"}, {"title": "Gender Roles and One Health Risk Factors at the Human-Livestock-Wildlife Interface, Mpumalanga Province, South Africa", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32285224/", "doi": "10.1007/s10393-020-01478-9", "organization": "EcoHealth (Springer)"}, {"title": "Rift Valley fever and invisible women", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42667086/", "doi": "10.1017/one.2025.10005", "organization": "Research Directions: One Health (Cambridge University Press)"}]}, {"id": 136, "lang": "pt-br", "title": "Estudo revela atraso no diagnóstico da doença da arranhadura do gato", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/doenca-arranhadura-gato-portugal-16-anos-casos/", "published_at": "2026-09-12T00:33:27.214921+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:26.796452+00:00", "subtitle": "Estudo no European Journal of Clinical Microbiology & Infectious Diseases pede estratégias de Saúde Única com controle de pulgas e acompanhamento veterinário; série pediátrica nos Estados Unidos e sorologia em gatos completam o quadro.", "summary": "A doença da arranhadura do gato, causada principalmente por Bartonella henselae, tem espectro clínico amplo e manifestações atípicas que atrasam o diagnóstico. Um estudo retrospectivo de 2010 a 2025 no Porto, publicado em setembro de 2026, caracterizou 39 casos confirmados. Uma série com 304 crianças em Atlanta e um estudo sobre anticorpos em gatos ajudam a dimensionar a exposição.", "category": {"slug": "saude-unica", "name": "Biossegurança e Saúde Única"}, "tags": ["Bartonella henselae", "doença da arranhadura do gato", "zoonoses", "pulgas", "gatos"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/doenca-da-arranhadur.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Gato doméstico com pulgas sendo examinado. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>A doença da arranhadura do gato é uma zoonose bem reconhecida, causada principalmente por <em>Bartonella henselae</em>, com espectro clínico amplo em que as manifestações atípicas podem atrasar o diagnóstico. Um estudo publicado em 8 de setembro de 2026 no European Journal of Clinical Microbiology & Infectious Diseases caracterizou o perfil clínico e epidemiológico da doença em um centro terciário português e avaliou o papel dos métodos moleculares e sorológicos como ferramentas complementares.</p>\n<p>A coorte retrospectiva incluiu todos os pacientes com diagnóstico confirmado em laboratório na Unidade Local de Saúde de São João, no Porto, entre 2010 e 2025: 39 pessoas, com idade mediana de 15 anos, 53,8% delas pediátricas. A exposição a gatos foi relatada em 94,9% dos casos; a informação sobre infestação por pulgas e medidas preventivas nos animais de companhia não estava disponível nos registros. As apresentações sistêmicas ocorreram em 43,6% dos pacientes, e a grande maioria deles (94,1%) era imunocompetente.</p>\n<h2>Diagnóstico tardio e onde procurar a bactéria</h2>\n<p>Entre as amostras positivas por PCR que puderam ser sequenciadas, todas foram identificadas como <em>B. henselae</em>. A positividade do PCR foi muito maior em tecido de linfonodo (79,2%) do que no sangue (15,8%). O tempo mediano entre o início dos sintomas e o diagnóstico foi de 52,5 dias. No momento do diagnóstico, a sorologia era positiva para IgG em 76,0% dos pacientes e para IgM em 28,0%. A azitromicina em monoterapia foi o tratamento mais usado na doença típica (81,8%), enquanto a terapia combinada predominou nos casos sistêmicos (76,5%); a resolução clínica após um único curso de tratamento foi alcançada em 74,4% dos pacientes.</p>\n<p>Os autores concluem que a doença se apresentou com frequência com envolvimento sistêmico, inclusive em imunocompetentes, e que o longo intervalo até o diagnóstico exige maior atenção clínica e melhor acesso a diagnóstico sorológico e molecular. Dada a alta frequência de exposição a gatos, propõem que estratégias de Saúde Única focadas em posse responsável, controle regular de pulgas e acompanhamento veterinário podem contribuir para reduzir a transmissão de <em>Bartonella</em> e a carga da doença.</p>\n<h2>A série pediátrica de Atlanta</h2>\n<p>Uma série publicada em 2022 na Open Forum Infectious Diseases reuniu 304 crianças diagnosticadas em um sistema hospitalar pediátrico terciário de Atlanta, Geórgia, entre 2010 e 2018. A maior proporção de diagnósticos ocorreu em agosto (13,5%) e setembro (15,5%). A idade mediana era de 8,1 anos; 92,4% das crianças com histórico documentado relataram exposição felina e 22% exposição canina. A linfadenopatia estava presente no exame físico da maioria (78,8%), mas apresentações atípicas sem linfadenopatia também foram comuns (20,7%); entre as crianças com imagem, 36,4% tinham esplenomegalia e 38,1% microabscessos esplênicos ou hepáticos. Dados veterinários do estado, revisados no mesmo estudo, mostraram soroprevalência de <em>Bartonella</em> de 8,2%, todos em cães.</p>\n<h2>O reservatório</h2>\n<p>Os gatos são o hospedeiro reservatório primário de <em>B. henselae</em>. Um estudo publicado em 2021 na Pathogens, com gatos de abrigo e de tutores, encontrou sororreatividade de 78% no soro por imunofluorescência, tanto no ensaio próprio quanto no comercial, e de 56,8% no fluido oral, com concordância apenas moderada entre os dois materiais (kappa 0,434); os autores concluíram que os anticorpos no fluido oral têm utilidade limitada para fins epidemiológicos ou diagnósticos.</p>\n<p>Para o médico-veterinário, o ponto de contato com esses três trabalhos é o controle de pulgas: é o vetor entre gatos, e o estudo português observa que a informação sobre pulgas e prevenção nos animais dos pacientes simplesmente não constava dos registros médicos. Registrar e orientar esse dado na clínica veterinária é uma contribuição direta à vigilância de uma zoonose que, nos dados portugueses, levou quase dois meses para ser diagnosticada.</p>", "sources": [{"title": "Clinical and epidemiological features of cat-scratch disease: a 16-year case retrospective study in a portuguese tertiary care centre", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42709285/", "doi": "10.1007/s10096-026-05664-5", "organization": "European Journal of Clinical Microbiology & Infectious Diseases (Springer)"}, {"title": "Cat Scratch Disease: 9 Years of Experience at a Pediatric Center", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36072697/", "doi": "10.1093/ofid/ofac426", "organization": "Open Forum Infectious Diseases (IDSA / Oxford University Press)"}, {"title": "Bartonella henselae Antibodies in Serum and Oral Fluid Specimens from Cats", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33799577/", "doi": "10.3390/pathogens10030329", "organization": "Pathogens (MDPI)"}]}, {"id": 130, "lang": "pt-br", "title": "Estudo avalia atendimento conjunto a pessoas em situação de rua com cães", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/meu-cao-e-minha-vida-situacao-de-rua-cuidado-coordenado/", "published_at": "2026-09-12T00:33:23.556839+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:20.964054+00:00", "subtitle": "Pesquisa na PLoS One ouviu pessoas em situação de rua e provedores de serviços veterinários, de saúde e de habitação; dois estudos anteriores mostram que esses cães costumam estar bem cuidados, com o estresse de separação como principal preocupação.", "summary": "Uma em cada dez pessoas que buscam abrigo no Reino Unido tem animal de companhia, geralmente um cão, e o cão pode ser o motivo de a pessoa continuar na rua. Um estudo publicado em setembro de 2026 investigou, com análise fenomenológica interpretativa, as necessidades de saúde dessas duplas e a viabilidade do atendimento conjunto. Avaliações de bem-estar nos Estados Unidos e no Reino Unido descrevem a condição dos cães.", "category": {"slug": "bem-estar", "name": "Bem-estar e cuidado animal"}, "tags": ["população em situação de rua", "cães", "Saúde Única", "acesso a cuidado veterinário", "vínculo humano-animal"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/caes-pessoas-situaca.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Pessoa sentada em calçada ao lado de um cão. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>Cerca de uma em cada dez pessoas que buscam abrigo por situação de rua no Reino Unido tem um animal de companhia, mais comumente um cão. Ter um cão nessa condição pode ser uma barreira ao acesso a cuidados de saúde e a acomodação, e pode forçar a pessoa a dormir na rua. Um estudo publicado em 3 de setembro de 2026 na PLoS One, por pesquisadores britânicos, descreve essas pessoas como uma minoria estigmatizada dentro de uma minoria, muitas vezes invisível aos serviços de apoio e difícil de alcançar.</p>\n<p>O vínculo entre a pessoa e o cão nessas situações costuma ser forte; o cão é frequentemente o outro mais significativo na vida daquela pessoa. Não acomodar essa relação, argumentam os autores, tem implicações tanto para a saúde humana quanto para a animal na população em situação de rua, e reunir as duas disciplinas de cuidado é uma aplicação específica da Saúde Única. O estudo usou análise fenomenológica interpretativa para explorar as necessidades e os desafios de saúde de pessoas em situação de rua com cães e investigar a viabilidade de um atendimento conjunto. Participaram pessoas em situação de rua e provedores de serviços veterinários, de saúde humana e de habitação.</p>\n<h2>Saúde entrelaçada, atendimento coordenado</h2>\n<p>Usuários e provedores consideraram a saúde humana e a animal entrelaçadas, exigindo uma abordagem que leve em conta as necessidades de ambos. A ideia de oferecer cuidado humano e veterinário no mesmo local despertou interesse nos dois grupos, mas também preocupações. Como os exemplos na literatura são escassos, os autores sugerem que um conceito mais viável seja o de um cuidado de saúde multiespécie coordenado, responsivo e empático às necessidades de pessoas e cães.</p>\n<h2>Como estão esses cães</h2>\n<p>A percepção pública de que pessoas em situação de rua não conseguem cuidar de um animal foi testada em dois estudos. Nos Estados Unidos, um estudo descritivo publicado em 2024 na Animal Welfare avaliou 100 díades pessoa-cão no oeste do país, com inquérito e avaliação visual da condição do cão sob a lente One Welfare, que observa bem-estar do animal e da pessoa, ambiente e a noção de uma vida que vale a pena ser vivida. Os cães estavam bem cuidados e fisicamente saudáveis, em linha com outros estudos, e tinham poucos problemas comportamentais, mas apresentavam evidência de estresse de separação quando o tutor se ausentava. Os autores apontam implicações para políticas e práticas que proíbem cães em abrigos para pessoas, que costumam alegar falta de recursos para receber uma pessoa com cão.</p>\n<p>No Reino Unido, um estudo publicado em 2022 na Veterinary Record avaliou 21 cães de 19 pessoas em situação de rua com a ferramenta PDSA Petwise MOT. Os cães compararam-se favoravelmente a animais de tutores convencionais na maioria das áreas, incluindo exercício e companhia. Os problemas incluíam sobrepeso ou obesidade, em prevalência menor que a da população geral, e dificuldade de alguns tutores para acessar cuidado veterinário. Preocupações comportamentais foram relatadas para 61,9% dos cães, mais comumente estresse relacionado à separação. A impossibilidade de deixar o animal em segurança, observam os autores, pode prejudicar o acesso do tutor a serviços; cuidado veterinário acessível, apoio comportamental e serviços que aceitem animais poderiam melhorar a saúde de ambos.</p>\n<p>Os três trabalhos apontam para a mesma direção: os cães de pessoas em situação de rua tendem a estar bem, o que falta é acesso a serviços que não obriguem a escolher entre o abrigo e o animal. Para o profissional veterinário, o estudo de 2026 sugere um lugar concreto na rede de atenção, ao lado dos serviços de saúde e habitação.</p>", "sources": [{"title": "'My dog is my life': One Health approaches to healthcare for people and their companion animals experiencing homelessness in the United Kingdom", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42691039/", "doi": "10.1371/journal.pone.0354517", "organization": "PLoS One"}, {"title": "Physical and behavioural health of dogs belonging to homeless people", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38510424/", "doi": "10.1017/awf.2024.12", "organization": "Animal Welfare (UFAW / Cambridge University Press)"}, {"title": "Assessment of health and welfare in a small sample of dogs owned by people who are homeless", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34402075/", "doi": "10.1002/vetr.776", "organization": "Veterinary Record (BVA / Wiley)"}]}, {"id": 127, "lang": "pt-br", "title": "Revisão destaca 30 anos do vírus Hendra e desafios da nova variante", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/virus-hendra-revisao-morcegos-cavalos-australia/", "published_at": "2026-09-12T00:33:21.112515+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:18.170624+00:00", "subtitle": "Artigo na Frontiers in Veterinary Science integra biologia, transmissão, diagnóstico e vacinação equina; a variante genótipo 2, descrita em 2021 e 2022 em cavalos e raposas-voadoras, escapou dos testes de rotina e ampliou a área de risco.", "summary": "O vírus Hendra é um henipavírus zoonótico de alta letalidade que circula em raposas-voadoras australianas e chega às pessoas por meio de cavalos infectados. Uma revisão publicada em agosto de 2026 organiza o conhecimento acumulado desde 1994 a partir de uma perspectiva veterinária de Saúde Única. Dois artigos da Emerging Infectious Diseases documentam a variante genótipo 2, que exigiu atualização dos testes e das práticas de biossegurança.", "category": {"slug": "saude-unica", "name": "Biossegurança e Saúde Única"}, "tags": ["vírus Hendra", "henipavírus", "equinos", "morcegos", "zoonoses"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/hendra-virus-revisao.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Raposa-voadora pendurada em árvore ao entardecer. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>Desde 1994, o vírus Hendra causa eventos recorrentes de transbordamento entre espécies na Austrália. É um henipavírus zoonótico de alta letalidade, com tropismo por tecidos endoteliais vasculares e neurais, o que o torna relevante tanto para a medicina veterinária quanto para a saúde pública. Uma revisão publicada em 19 de agosto de 2026 na Frontiers in Veterinary Science reúne o progresso da pesquisa sobre o vírus a partir de uma perspectiva veterinária de Saúde Única.</p>\n<p>A cadeia de transmissão é conhecida: raposas-voadoras, morcegos do gênero <em>Pteropus</em>, são os hospedeiros reservatório naturais, e os cavalos atuam como hospedeiros intermediários e amplificadores. Todas as infecções humanas confirmadas ocorreram por meio de cavalos. A infecção humana é rara, mas pode causar doença respiratória e neurológica grave. A revisão registra que a detecção de anticorpos e RNA de henipavírus relacionados em morcegos do Sudeste Asiático indica diversidade regional e um possível risco mais amplo de transbordamento de henipavírus, mas, segundo os autores, não demonstra circulação ou transmissão do vírus Hendra naquela região.</p>\n<h2>O que a revisão integra</h2>\n<p>O texto cobre biologia viral, transmissão, doença clínica, diagnóstico, modelos animais, vacinação equina e vacinas e intervenções baseadas em anticorpos em estágio clínico. Dois pontos recebem atenção particular: os desafios diagnósticos associados ao genótipo 2 do vírus, o HeV-g2, e o papel da vacinação de cavalos na redução da exposição ocupacional de veterinários e tratadores.</p>\n<h2>A variante que os testes não viam</h2>\n<p>A história da variante foi contada em dois artigos da Emerging Infectious Diseases em 2022. No primeiro, pesquisadores australianos identificaram e isolaram, de um cavalo em Queensland que morreu de doença aguda com sinais compatíveis com Hendra, uma variante não detectada pelos testes de rotina. O sequenciamento do genoma completo mostrou cerca de 83% de identidade nucleotídica com o vírus prototípico. Comparações in silico e in vitro da proteína de ligação ao receptor indicaram que o anticorpo monoclonal humano m102.4, usado na profilaxia pós-exposição, e a vacina equina atual devem ser eficazes contra a variante. Um PCR quantitativo atualizado para a vigilância de rotina resultou na detecção de casos subsequentes, e a consistência genética com vírus detectado em raposas-voadoras de cabeça cinzenta sugeriu que a variante circula ao menos nessa espécie. Os autores recomendaram atualizar vigilância e biossegurança para reconhecer o risco em todas as regiões frequentadas por raposas-voadoras.</p>\n<p>O segundo artigo fechou o elo: a variante genótipo 2 foi detectada na urina de raposas-voadoras negras e de cabeça cinzenta, que é a via relevante para o transbordamento, o que sustenta uma expansão da área geográfica de risco do vírus Hendra para cavalos e humanos.</p>\n<p>Para o clínico de equinos fora da Austrália, o interesse é metodológico: um vírus conhecido há três décadas ainda conseguiu escapar dos testes de rotina, e a resposta combinou vigilância sentinela em cavalos, sequenciamento, revisão do PCR e verificação de que vacina e anticorpo continuavam válidos. A revisão de 2026, de acesso aberto, reúne as referências para quem quiser reconstruir esse percurso.</p>", "sources": [{"title": "Hendra virus: research progress on a bat-borne threat lurking at the human-animal interface", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42689109/", "doi": "10.3389/fvets.2026.1889103", "organization": "Frontiers in Veterinary Science"}, {"title": "Novel Hendra Virus Variant Detected by Sentinel Surveillance of Horses in Australia", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35202527/", "doi": "10.3201/eid2803.211245", "organization": "Emerging Infectious Diseases (CDC)"}, {"title": "Novel Hendra Virus Variant Circulating in Black Flying Foxes and Grey-Headed Flying Foxes, Australia", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35447052/", "doi": "10.3201/eid2805.212338", "organization": "Emerging Infectious Diseases (CDC)"}]}, {"id": 124, "lang": "pt-br", "title": "WSAVA divulga novas diretrizes globais para odontologia em pets", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/wsava-diretrizes-globais-odontologia-2026/", "published_at": "2026-09-12T00:33:19.325209+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:15.357798+00:00", "subtitle": "Publicadas no Journal of Small Animal Practice, as diretrizes revisam a versão de 2019, tratam a odontologia sem anestesia como ineficaz ou danosa e ganham seções sobre trauma, enfermagem, pacientes jovens e radiografia. Dados do VetCompass mostram a dimensão da doença periodontal em cães e gatos.", "summary": "A World Small Animal Veterinary Association publicou em setembro de 2026 a revisão de suas diretrizes globais de odontologia. O documento parte de uma constatação: as doenças orais são as mais comuns na clínica e seguem subtratadas, em parte porque a disciplina é pouco ensinada. Estudos de base populacional no Reino Unido registram prevalência anual de 12,5% em cães e 15,2% em gatos.", "category": {"slug": "evidencia", "name": "Prática baseada em evidências"}, "tags": ["odontologia veterinária", "doença periodontal", "WSAVA", "diretrizes", "bem-estar"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/wsava-diretrizes-odo.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Exame odontológico em cão sob anestesia, com radiografia intraoral. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>Doenças dentárias, orais e maxilofaciais são as condições mais comuns vistas na clínica veterinária de pequenos animais, e podem causar não só dor significativa como infecção. Com esse ponto de partida, a World Small Animal Veterinary Association (WSAVA) afirma que doenças orais e dentárias não tratadas ou subtratadas representam uma preocupação significativa de bem-estar animal. A revisão de suas diretrizes globais de odontologia foi publicada em 2 de setembro de 2026 no Journal of Small Animal Practice.</p>\n<p>O documento reconhece que a odontologia ainda é uma área pouco ensinada na medicina veterinária e, por isso, sujeita a mitos e equívocos; o ensino eficaz no currículo é apontado como chave para o avanço da disciplina. As diretrizes foram criadas para dar aos veterinários as bases para oferecer terapia padrão-ouro e, ao mesmo tempo, definir padrões mínimos realistas de cuidado. Para isso, usam o sistema de educação continuada em três níveis da WSAVA, baseado na classificação do Banco Mundial, e fazem recomendações globais de equipamentos e terapêuticas, destacando as exigências anestésicas e de bem-estar para os pacientes.</p>\n<h2>O que há no documento</h2>\n<p>O texto cobre as doenças orais e dentárias comuns, procedimentos diagnósticos e tratamentos básicos, com seções sobre anestesia e manejo da dor em procedimentos odontológicos, cuidado dentário domiciliar, nutrição e o papel das universidades na melhoria do ensino. Uma discussão específica é dedicada aos efeitos deletérios da odontologia sem anestesia, descrita como ineficaz na melhor das hipóteses e danosa na pior. Os efeitos negativos da doença dentária não diagnosticada ou não tratada são tratados como questão de bem-estar. Em relação à versão de 2019, a revisão reflete avanços em diagnóstico e tratamento e inclui seções novas sobre trauma, o papel dos enfermeiros veterinários, patologia juvenil, ergonomia e uma seção ampliada sobre interpretação radiográfica.</p>\n<h2>A dimensão do problema em números</h2>\n<p>Estudos do programa VetCompass, do Royal Veterinary College, dão a medida da doença periodontal na atenção primária britânica. Em cães, um estudo publicado em 2021 no Journal of Small Animal Practice analisou amostra aleatória de 22.333 animais sob cuidado veterinário em 2016 e encontrou prevalência anual de 12,52%. Dezoito raças tiveram odds aumentadas em relação aos mestiços, com Poodle Toy (razão de chances 3,97), King Charles Spaniel (2,63), Greyhound (2,58) e Cavalier King Charles Spaniel (2,39) no topo; raças braquicefálicas tinham 1,25 vez as odds das mesocefálicas, spaniels 1,63 vez as dos demais, e o peso corporal adulto crescente associou-se a odds progressivamente menores.</p>\n<p>Em gatos, um estudo de 2023 no Journal of Feline Medicine and Surgery, com amostra aleatória de 18.249 animais entre 1.255.130 sob atenção primária em 2019, encontrou prevalência anual de 15,2%, com Siamês (18,7%) e Maine Coon (16,7%) entre as raças mais afetadas. A idade mediana dos gatos com doença periodontal era de 9,47 anos, contra 4,94 nos demais; peso, idade e estado reprodutivo associaram-se a odds crescentes. Gatos com doença periodontal tinham mais comorbidades (mediana de 3 contra 1) e 1,79 vez as odds de ao menos um outro diagnóstico. Os autores concluem que a doença periodontal é o diagnóstico específico mais comum em gatos e que o envelhecimento é o preditor mais forte.</p>\n<p>Para a prática, o conjunto sugere um caminho: a WSAVA oferece o que fazer e em que nível de recursos; os estudos populacionais indicam em quais pacientes procurar, com atenção a raças predispostas, cães pequenos e gatos idosos. O texto completo das diretrizes está no periódico; esta síntese não substitui sua leitura nem a avaliação clínica individual.</p>", "sources": [{"title": "World Small Animal Veterinary Association global dental guidelines", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42687403/", "doi": "10.1111/jsap.70057", "organization": "Journal of Small Animal Practice (BSAVA / Wiley)"}, {"title": "Epidemiology of periodontal disease in dogs in the UK primary-care veterinary setting", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34374104/", "doi": "10.1111/jsap.13405", "organization": "Journal of Small Animal Practice (VetCompass, Royal Veterinary College)"}, {"title": "Periodontal disease in cats under primary veterinary care in the UK: frequency and risk factors", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36912667/", "doi": "10.1177/1098612X231158154", "organization": "Journal of Feline Medicine and Surgery (ISFM / SAGE; VetCompass)"}]}, {"id": 121, "lang": "pt-br", "title": "Tetraciclinas são principais resíduos de antibióticos em fezes animais", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/residuos-antibioticos-fezes-animais-producao-analise-global/", "published_at": "2026-09-12T00:33:17.332885+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:12.243131+00:00", "subtitle": "Estudo no Journal of Hazardous Materials compila 1.334 registros de 28 países; suínos concentram os maiores níveis e a Europa, apesar de regras mais estritas, não difere da China. Estimativas de uso global e o papel do esterco completam o quadro.", "summary": "Como os antibióticos são incompletamente metabolizados e excretados nas fezes, os resíduos fecais funcionam como indicador direto do uso e da liberação ambiental. Um estudo publicado em setembro de 2026 fez a primeira compilação global desses dados. Projeções de uso até 2030 e uma revisão sobre esterco e resistência no ambiente mostram por que a medição importa.", "category": {"slug": "saude-unica", "name": "Biossegurança e Saúde Única"}, "tags": ["antibióticos", "resíduos", "esterco", "resistência antimicrobiana", "meio ambiente"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/residuos-antibiotico.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Esterqueira em propriedade de criação de suínos. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>O uso de antibióticos na produção animal é um dos principais motores da resistência antimicrobiana, mas os padrões globais de uso e de liberação ambiental continuam mal caracterizados. Há um indicador pouco explorado: como os antibióticos são tipicamente metabolizados de forma incompleta e excretados nas fezes, os resíduos fecais refletem diretamente o que foi administrado e o que pode chegar ao ambiente. Um estudo publicado no Journal of Hazardous Materials, com data de edição de 15 de setembro de 2026, fez a primeira análise global desse indicador.</p>\n<p>Os autores compilaram 1.334 registros de resíduos fecais de 84 antibióticos, provenientes de 88 estudos realizados em 28 países. A cobertura é muito desigual: 42% dos estudos foram feitos na China e 28% na Europa, enquanto vários grandes países produtores de carne não têm medições. As tetraciclinas apresentaram os maiores níveis fecais globais, com concentrações medianas de doxiciclina, clortetraciclina e oxitetraciclina de 382, 284 e 260 μg/kg de peso seco, respectivamente. Os suínos mostraram, em geral, os maiores resíduos totais.</p>\n<h2>Regras mais estritas, resíduos semelhantes</h2>\n<p>O achado que mais chama atenção é comparativo: apesar do uso veterinário relatado mais baixo e do controle regulatório mais estrito na Europa, os níveis de resíduos fecais europeus não diferiram significativamente dos observados na China. A análise temporal, por outro lado, revelou declínios significativos nos resíduos de várias tetraciclinas e sulfonamidas na China. Para os autores, os resultados expõem limitações importantes na cobertura atual de monitoramento e demonstram o potencial da vigilância por resíduos fecais para fortalecer a avaliação do uso veterinário, da carga ambiental e da pressão de seleção de resistência associada.</p>\n<h2>Quanto se usa, e para onde vai</h2>\n<p>A dimensão do uso foi estimada em 2023 na PLOS Global Public Health, com dados de 42 países combinados a modelos de regressão e projeções de rebanhos da FAO, calibrados com relatórios de intensidade de uso da Organização Mundial da Saúde Animal. O uso global de antimicrobianos em animais de produção foi estimado em 99.502 toneladas em 2020, com intervalo de confiança amplo (68.535 a 198.052), e projeção de aumento de 8,0%, para 107.472 toneladas, até 2030, mantidas as tendências. Os hotspots de uso estavam majoritariamente na Ásia (67%), com menos de 1% na África. Os autores pedem relatórios nacionais para avaliar o efeito das políticas.</p>\n<p>O destino dos resíduos é tratado por uma revisão publicada em 2022 na Frontiers in Microbiology sobre o impacto do esterco no conjunto ambiental de resíduos e resistência. Os solos fertilizados com produtos derivados de esterco abrigam abundância maior e crônica de bactérias resistentes, múltiplos genes de resistência e um mobiloma enriquecido, às vezes também detectado nas culturas plantadas. Diferentes técnicas de processamento têm eficiências variadas: a compostagem parece reduzir ou eliminar a maioria dos resíduos, bactérias entéricas e genes de resistência de forma mais rápida e eficaz que o armazenamento em lagoa, mas há poucos dados de fazendas comerciais. A revisão recomenda interromper o uso veterinário de antibióticos de reserva humana e de antimicrobianos sem prescrição, e limitar o uso nas fazendas.</p>\n<p>Juntos, os três trabalhos descrevem uma cadeia mensurável: toneladas administradas, resíduos excretados e genes que persistem no solo. A proposta do estudo de 2026 é simples de enunciar e difícil de executar: transformar a análise de fezes em ferramenta de vigilância rotineira, com cobertura geográfica que hoje não existe, inclusive em grandes produtores da América Latina.</p>", "sources": [{"title": "Veterinary antibiotic residues in food-animal feces: insight into global use patterns, environmental release and surveillance implications", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42673807/", "doi": "10.1016/j.jhazmat.2026.143431", "organization": "Journal of Hazardous Materials (Elsevier)"}, {"title": "Global trends in antimicrobial use in food-producing animals: 2020 to 2030", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36963007/", "doi": "10.1371/journal.pgph.0001305", "organization": "PLOS Global Public Health"}, {"title": "Insights into the impact of manure on the environmental antibiotic residues and resistance pool", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36187968/", "doi": "10.3389/fmicb.2022.965132", "organization": "Frontiers in Microbiology"}]}, {"id": 112, "lang": "pt-br", "title": "Abdome é a região mais lesada em cães vítimas de acidentes", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/caes-ocupantes-veiculos-acidentes-escala-v-ais/", "published_at": "2026-09-12T00:33:10.947696+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:09.127742+00:00", "subtitle": "Dados do registro de trauma VetCOT mostram 91% de sobrevivência; lesões graves concentraram-se em órgãos internos, e o padrão anatômico variou com o porte. Inquérito em três países revela que uma parcela grande dos tutores viaja com o cão solto.", "summary": "Cães atropelados ou feridos dentro de veículos têm as maiores taxas de mortalidade entre os casos que chegam a centros de trauma veterinário. Um estudo publicado em agosto de 2026 na Traffic Injury Prevention aplicou a Escala Veterinária Abreviada de Lesões (V-AIS) a casos do registro VetCOT para caracterizar gravidade e padrão anatômico, com o objetivo declarado de fornecer dados à indústria automotiva para sistemas de contenção validados.", "category": {"slug": "bem-estar", "name": "Bem-estar e cuidado animal"}, "tags": ["trauma", "cães", "acidentes de trânsito", "contenção veicular", "emergência"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/caes-ocupantes-acide.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Cão com peitoral de segurança no banco traseiro de um carro. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>A Escala Veterinária Abreviada de Lesões, V-AIS, foi criada para espelhar a escala AIS usada em humanos e preencher uma lacuna na análise retrospectiva do trauma em animais. Um estudo publicado em 28 de agosto de 2026 na revista Traffic Injury Prevention a aplicou a um grupo específico: cães feridos enquanto estavam dentro de um veículo. Segundo os autores, cães atropelados ou feridos dentro de veículos apresentam as maiores taxas de mortalidade entre os casos que chegam a centros de trauma veterinário, e entender mecanismos, padrões e gravidade das lesões é necessário para desenvolver sistemas de contenção cientificamente validados.</p>\n<p>A fonte dos casos é o registro do Veterinary Committee on Trauma (VetCOT), programa apoiado pelo American College of Veterinary Emergency and Critical Care que, segundo sua página institucional, cria uma rede de hospitais colaborando para definir padrões elevados de cuidado e disseminar informação que melhore o manejo do paciente traumatizado. A consulta ao registro, de 2013 a 2024, identificou 268 cães feridos dentro de veículos. Para um subconjunto de 19 casos com prontuário disponível, todas as lesões foram codificadas com a V-AIS versão 1.0, anotando-se quando possível a posição do cão no veículo e as circunstâncias do acidente.</p>\n<h2>O que os números mostram</h2>\n<p>Entre os 268 cães, 91% sobreviveram até a alta hospitalar; a eutanásia respondeu por 83,3% das 24 mortes. A classe de peso não se associou à sobrevivência, mas os não sobreviventes chegaram com escore mediano de triagem de trauma animal (ATT) de 6,0, contra 1,0 entre os sobreviventes. No subconjunto de 19 casos, com 63 lesões codificadas, a distribuição anatômica variou de forma significativa com o porte: cães grandes, acima de 30 kg, sofreram sobretudo trauma apendicular (75,8%); cães médios, de 10,1 a 30 kg, trauma predominantemente de corpo central (61,5%); e cães pequenos, até 10 kg, uma mistura de trauma central (47,1%) e axial (47,1%). As lesões clinicamente significativas, com gravidade V-AIS igual ou superior a 3, ficaram restritas ao abdome, e todas as mortes ocorreram em cães com trauma de órgão interno.</p>\n<p>Os autores tratam os achados como preliminares, dado o tamanho do subconjunto, mas consideram que a aplicação ampliada da V-AIS nos registros de trauma pode fornecer à indústria automotiva dados acionáveis e estratificados por gravidade para o desenvolvimento de sistemas de contenção baseados em evidências.</p>\n<h2>A escala do registro</h2>\n<p>O primeiro relatório do registro VetCOT, publicado em 2018 no Journal of Veterinary Emergency and Critical Care, dá a dimensão da base de dados: 29 centros de trauma veterinário na América do Norte, Europa e Austrália contribuíram com 17.335 casos de cães e 3.425 de gatos em 42 meses, entre setembro de 2013 e março de 2017. O trauma penetrante foi a causa mais comum em cães (52,3%) e o contuso em gatos (56,7%); 43,8% dos cães passaram por cirurgia; a sobrevivência até a alta foi de 92,0% em cães e 82,5% em gatos. Os autores já apontavam a necessidade de analisar subconjuntos por tipo de lesão, e o estudo de 2026 é um exemplo desse desdobramento.</p>\n<h2>Quantos tutores contêm o cão no carro</h2>\n<p>A prevenção começa antes do acidente. Um inquérito on-line realizado em 2017 e 2018, publicado em 2019 na Preventive Veterinary Medicine, reuniu 706 respostas nos Estados Unidos, 692 no Reino Unido e 637 na Austrália. Pouco mais da metade dos tutores nos Estados Unidos (55%) disse conter o cão ao dirigir, contra 67% na Austrália e 72% no Reino Unido. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, o método mais comum era a caixa ou gaiola na área de carga; na Austrália, o peitoral com cinto preso à fivela do banco. País, porte do cão, idade do tutor, idade do cão e tipo de veículo foram fatores associados ao uso de contenção; tutores mais jovens dos Estados Unidos, com picape ou van, cão grande e viagens menos frequentes eram os que menos contiam o animal. Os autores ressalvam que se trata de amostra de conveniência.</p>\n<p>Para a clínica, os três trabalhos sugerem duas rotinas: registrar de forma padronizada as lesões de cães ocupantes de veículos, para que os dados alimentem escalas e registros, e conversar com os tutores sobre contenção durante o transporte. Os artigos não avaliam produtos específicos de contenção, e esta síntese não recomenda nenhum.</p>", "sources": [{"title": "Injury severity and anatomic patterns in canine occupants involved in vehicular crashes: application of the veterinary abbreviated injury scale", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42663521/", "doi": "10.1080/15389588.2026.2709024", "organization": "Traffic Injury Prevention (Taylor & Francis)"}, {"title": "ACVECC-Veterinary Committee on Trauma Registry Report 2013-2017", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30294833/", "doi": "10.1111/vec.12766", "organization": "Journal of Veterinary Emergency and Critical Care (Wiley)"}, {"title": "Restraint of dogs in vehicles in the US, UK and Australia", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31421492/", "doi": "10.1016/j.prevetmed.2019.104714", "organization": "Preventive Veterinary Medicine (Elsevier)"}, {"title": "Veterinary Committee on Trauma (VetCOT), página institucional", "url": "https://vetcot.org/", "doi": "", "organization": "American College of Veterinary Emergency and Critical Care (ACVECC)"}]}, {"id": 109, "lang": "pt-br", "title": "Bem-estar animal deve integrar gestão de crises em biotérios", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/bioterios-emergencias-preparacao-bem-estar-animal/", "published_at": "2026-09-12T00:33:08.310301+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:05.917732+00:00", "subtitle": "Pesquisadores coreanos compararam normas de quatro regiões e organizaram os elementos comuns em três domínios; experiências anteriores, de furacões à pandemia, mostram o que está em jogo quando a rotina de uma instalação é interrompida.", "summary": "Desastres naturais, falhas de infraestrutura e surtos podem interromper o funcionamento de instalações de animais de laboratório. Um artigo publicado em setembro de 2026 na Laboratory Animal Research propõe uma estrutura integrada e uma lista operacional em etapas para que o bem-estar animal entre na tomada de decisão durante emergências. Um artigo da ILAR Journal sobre unidades de contenção e o relato de duas instalações sul-africanas durante a COVID-19 completam o quadro.", "category": {"slug": "bem-estar", "name": "Bem-estar e cuidado animal"}, "tags": ["animais de laboratório", "biotério", "emergências", "desastres", "bem-estar"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/bioterios-preparacao.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Sala de biotério com estantes de caixas para roedores. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>Quando a energia cai, a água para ou a equipe não consegue chegar, um biotério enfrenta ao mesmo tempo dois problemas: a continuidade da pesquisa e o destino dos animais sob seus cuidados. Um artigo publicado em 8 de setembro de 2026 na Laboratory Animal Research, por pesquisadores da Coreia do Sul, argumenta que a preparação para emergências deve deixar de ser vista apenas como exigência operacional e passar a ser entendida como extensão do programa de bem-estar animal da instituição.</p>\n<p>Os autores lembram que eventos anteriores, como a Tempestade Tropical Allison, que inundou instalações em Houston em 2001, e o Grande Terremoto do Leste do Japão, em 2011, demonstraram a vulnerabilidade das populações de animais de laboratório e a necessidade de incorporar considerações de bem-estar ao planejamento. Para identificar os elementos-chave de um programa de preparação, revisaram e compararam marcos regulatórios e documentos de orientação dos Estados Unidos, da Europa, do Canadá e da Coreia, examinando definições de emergência, componentes centrais, sistemas de supervisão veterinária e estruturas de decisão.</p>\n<h2>Três domínios e uma lista por etapas</h2>\n<p>Apesar das diferenças de abordagem regulatória e de contexto institucional, os elementos comuns puderam ser organizados em três domínios funcionais: continuidade das operações da instalação, proteção do bem-estar animal e capacidade de resposta institucional. Com base nisso, os autores propõem uma estrutura integrada de preparação e uma lista operacional em etapas, destinada a facilitar a escrita de procedimentos operacionais padrão nos quais as prioridades de bem-estar estejam integradas às decisões tomadas durante a emergência. A conclusão é explícita: ao priorizar a segurança das pessoas e a resiliência institucional, o planejamento também deve buscar minimizar o sofrimento animal e preservar o valor das pesquisas em curso quando as condições normais não puderem ser mantidas.</p>\n<h2>O caso especial das unidades de contenção</h2>\n<p>A literatura anterior já tratava de cenários específicos. Um artigo publicado em 2018 na ILAR Journal descreve o planejamento de resposta a desastres em unidades de contenção de agentes perigosos como uma tarefa intensiva em tempo e pessoal, organizada em etapas: formação da equipe de planejamento, compreensão da situação, definição de metas e objetivos, desenvolvimento do plano, preparação e ensaio ou implementação. Riscos específicos, como o tipo de agente e a espécie animal, orientam a definição de metas. O texto explora ainda as dificuldades da eutanásia de animais tratados com agentes perigosos e, por fim, o manejo das relações com a imprensa após um desastre, com medidas proativas para mitigar percepções negativas sobre a pesquisa.</p>\n<h2>Quando o desastre é lento: a pandemia</h2>\n<p>Nem toda emergência é abrupta. Um relato publicado em 2021 na Laboratory Animals observa que existem políticas e diretrizes para desastres agudos, como terremotos, incêndios e inundações, mas pouca orientação para desastres subagudos como a pandemia de COVID-19, que impôs restrições severas à circulação de pessoas. As opções mais simples, interromper experimentos e a reprodução ou eutanasiar todos os animais, traziam dilemas: o debate ético sobre eutanásia no início de uma pandemia, a perda de informação em estudos avançados e a destruição de linhagens geneticamente modificadas difíceis de repor. Duas instalações de pesquisa na África do Sul responderam mantendo apenas estudos essenciais, conservando pequenas colônias das linhagens essenciais, oferecendo transporte privado à equipe para evitar o transporte público e redesenhando áreas de trabalho para o distanciamento. Segundo os autores, as medidas garantiram a continuidade do bem-estar dos animais durante o confinamento e podem ser adotadas em pandemias futuras.</p>\n<p>Para quem coordena um biotério ou integra uma comissão de ética no uso de animais, os três trabalhos convergem em um ponto prático: o plano de emergência precisa existir por escrito, ser ensaiado e conter critérios de decisão sobre os animais antes que a decisão seja necessária. A lista operacional proposta em 2026 está no texto completo do artigo, de acesso aberto.</p>", "sources": [{"title": "Reframing emergency preparedness from facility survival to laboratory animal welfare", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42711714/", "doi": "10.1186/s42826-026-00295-5", "organization": "Laboratory Animal Research (Korean Association for Laboratory Animal Science / BMC)"}, {"title": "Disaster Planning for Animals in Hazardous Agent Containment Units", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31037296/", "doi": "10.1093/ilar/ily022", "organization": "ILAR Journal (Oxford University Press)"}, {"title": "COVID-19 disaster management plans for two laboratory animal facilities in South Africa", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34279127/", "doi": "10.1177/00236772211032083", "organization": "Laboratory Animals (SAGE)"}]}, {"id": 102, "lang": "pt-br", "title": "Pesquisadores propõem lista ética para aspiração folicular em éguas", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/opu-icsi-eguas-lista-autoavaliacao-etica/", "published_at": "2026-09-12T00:33:02.164941+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:36:00.494666+00:00", "subtitle": "Publicada na Theriogenology, a ferramenta cobre bem-estar animal, ética profissional e ética procedimental; inquérito na Equine Veterinary Journal mostra que a percepção do dilema muda conforme a experiência com a técnica.", "summary": "A combinação de aspiração folicular (OPU) e injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) cresceu na criação de cavalos de esporte. Um artigo de agosto de 2026 propõe uma lista de autoavaliação ética para a prática; um inquérito com 429 veterinários e criadores revela divergências sobre o quanto a técnica é eticamente desafiadora; e um programa clínico com 515 sessões dá a dimensão dos resultados e dos riscos.", "category": {"slug": "bem-estar", "name": "Bem-estar e cuidado animal"}, "tags": ["equinos", "reprodução assistida", "OPU", "ICSI", "ética"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/opu-icsi-eguas-lista.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Égua em manejo reprodutivo em haras. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>As tecnologias de reprodução assistida podem acelerar o melhoramento genético na criação seletiva de cavalos e resolver problemas reprodutivos específicos. Uma das mais recentes na criação de cavalos domésticos é a aspiração folicular transvaginal guiada por ultrassom, conhecida pela sigla OPU, combinada com a injeção intracitoplasmática de espermatozoide, a ICSI. Como outros métodos de reprodução, ela levanta questões éticas sobre bem-estar animal, segurança da equipe e integridade da prática profissional e veterinária. Um artigo publicado em 22 de agosto de 2026 na Theriogenology propõe uma forma de monitorar essas questões no dia a dia.</p>\n<p>Os autores, de instituições europeias, desenvolveram uma lista de autoavaliação ética organizada em três dimensões: ética do bem-estar animal, ética profissional e ética procedimental. O instrumento foi construído e testado em processo iterativo com um painel de 14 especialistas em OPU e em ética aplicada. Os objetivos declarados incluem reduzir riscos procedimentais e proteger o bem-estar do animal; a abordagem de autoavaliação, segundo o resumo, permite aos profissionais destacar problemas que passariam despercebidos na rotina e garantir que os procedimentos sigam padrões éticos elevados. O resumo não descreve os itens da lista; o texto completo é necessário para conhecê-los.</p>\n<h2>Quem faz e quem não faz veem o dilema de forma diferente</h2>\n<p>Um inquérito publicado dias depois, em 27 de agosto de 2026, na Equine Veterinary Journal, mediu como veterinários e criadores de cavalos de esporte percebem a ética da OPU-ICSI. Foram três questionários, com 225 respostas de criadores, 92 de veterinários que realizam OPU e 112 de clínicos gerais de equinos. Entre os veterinários que não fazem OPU, 58,8% classificaram a técnica como eticamente desafiadora (notas 4 ou 5 em escala de 5 pontos), assim como 55,2% dos criadores que não a utilizam. Entre os que a praticam, as proporções caem para 35,2% dos veterinários e 19,6% dos criadores.</p>\n<p>Apesar da divergência, o bem-estar da égua foi o tema principal em todos os grupos, seguido de perto, entre os criadores, pela preocupação com diversidade genética e uso excessivo. Os autores reconhecem o potencial de viés de motivação e de resposta e concluem que é preciso caracterizar melhor a experiência da égua durante a OPU para embasar orientações clínicas e de criação.</p>\n<h2>A dimensão dos resultados e dos riscos</h2>\n<p>Para entender o que está em discussão, ajuda olhar os números de um programa clínico consolidado, publicados em 2022 na Theriogenology. Em 515 sessões de OPU-ICSI realizadas em 2021 em uma clínica universitária europeia, foram aspirados em média 25,9 folículos por sessão, com 13,8 oócitos imaturos enviados a um laboratório especializado. Um ou mais blastocistos foram produzidos em 78% dos procedimentos, com média de 2,12 por sessão, e a probabilidade de prenhez após a transferência de 781 blastocistos criopreservados foi de 77,7%. Cerca de 60% dos blastocistos transferidos resultaram em potro, sem efeito perceptível sobre a duração da gestação ou a saúde dos potros. Os autores registram que complicações graves após a OPU são incomuns, mas existem e algumas podem ameaçar a vida da égua, razão pela qual os proprietários devem ser informados.</p>\n<p>Os três trabalhos descrevem uma técnica eficaz, com riscos conhecidos e uma divisão de percepções que acompanha a familiaridade com o procedimento. A lista de autoavaliação proposta em 2026 é uma tentativa de dar forma escrita a preocupações que, segundo o inquérito, todos os envolvidos dizem ter. Esta síntese não avalia a técnica nem orienta sua indicação; para decisões sobre programas de reprodução, os artigos completos e a avaliação de um médico-veterinário especializado em reprodução equina são o caminho.</p>", "sources": [{"title": "Ethical monitoring of ovum pick-up procedures in domestic horses: A standardised self-assessment checklist for responsible veterinary practice", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42641286/", "doi": "10.1016/j.theriogenology.2026.118153", "organization": "Theriogenology"}, {"title": "Veterinarian and breeder perspectives surrounding ovum pick-up and intracytoplasmic sperm injection in mares: A survey study", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42666017/", "doi": "10.1002/evj.70323", "organization": "Equine Veterinary Journal"}, {"title": "Success rate in a clinical equine in vitro embryo production program", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35623226/", "doi": "10.1016/j.theriogenology.2022.04.019", "organization": "Theriogenology"}]}, {"id": 99, "lang": "pt-br", "title": "Importação de cães de resgate no Reino Unido envolve riscos e desafios", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/importacao-caes-de-resgate-reino-unido-estudo-qualitativo/", "published_at": "2026-09-12T00:32:59.397003+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:35:57.931508+00:00", "subtitle": "Pesquisa qualitativa na PLoS One ouviu abrigos, transportadores, veterinários, autoridades e adotantes; expectativas desalinhadas e fiscalização fragmentada aparecem como pontos críticos.", "summary": "A importação de cães de resgate cresceu no Reino Unido e na Europa continental. Um estudo publicado em setembro de 2026 organiza as percepções de 54 pessoas envolvidas na prática em sete temas, do transporte à regulação. Uma análise de 241 organizações na Alemanha e uma série de casos de Brucella canis nos Países Baixos mostram que os riscos descritos têm registro.", "category": {"slug": "bem-estar", "name": "Bem-estar e cuidado animal"}, "tags": ["cães de resgate", "importação", "bem-estar", "Brucella canis", "adoção"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/caes-de-resgate-impo.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Cão de resgate em transporte para adoção. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>A adoção de cães resgatados em outros países virou prática comum na Europa, movida por boas intenções e por uma rede de organizações, transportadores e lares temporários. As implicações para o bem-estar dos animais, porém, foram pouco estudadas. Um estudo qualitativo publicado em 9 de setembro de 2026 na PLoS One, por pesquisadores de universidades britânicas, foi ouvir quem vive essa cadeia por dentro.</p>\n<p>A equipe realizou 30 entrevistas e quatro grupos focais, somando 54 participantes: representantes de organizações de resgate no exterior e no Reino Unido, treinadores, transportadores, médicos-veterinários, agentes de saúde animal, representantes do governo, lares temporários e adotantes. A esse material somaram-se 18 tópicos de fóruns públicos on-line, selecionados de forma intencional. A análise temática indutiva produziu sete temas.</p>\n<h2>Sete temas, da estrada ao sofá</h2>\n<p>Seis temas dizem respeito à saúde e ao comportamento: cães inaptos para o transporte; bem-estar durante o transporte; doença infecciosa; novidade (a exposição a um ambiente completamente desconhecido); agência (a capacidade do cão de exercer escolhas); e expectativas do cuidador. O sétimo reúne os desafios de regulação e fiscalização, com subtemas sobre descumprimento, falta de recursos, comunicação, jurisdição e ausência de regulação intersetorial.</p>\n<p>O achado que atravessa os depoimentos é a distância entre expectativa e realidade. Segundo os autores, as expectativas dos cuidadores frequentemente não se confirmavam depois da chegada do animal, gerando surpresas de custo para os novos tutores; alguns cães foram considerados mal adequados ao lar e apresentaram comportamentos desafiadores. Os participantes atribuíam às organizações de resgate a responsabilidade moral de fornecer informação precisa e apoio antes e depois da adoção, mas relataram que isso era feito de forma inconsistente. A prevenção dos problemas esbarra na dificuldade de regular e monitorar o movimento de animais entre países. A recomendação é dupla: mais educação sobre o que esperar da saúde e do comportamento de um cão importado, e melhor monitoramento dos processos das organizações e do transporte.</p>\n<h2>O que os sites das organizações revelam</h2>\n<p>Na Alemanha, para onde mais de 100 mil cães são importados por ano de outros países da União Europeia, sobretudo da Romênia, um estudo publicado em 2025 na revista Animal Welfare fez análise sistemática de conteúdo dos sites de 241 organizações que realocam cães do sul e do leste europeu. Muitas não informavam origem, método de transporte ou estado de saúde dos animais, o que, segundo os autores, às vezes dificulta distinguir resgate de comércio ilegal. Descrições comportamentais apareciam em apenas dois terços dos anúncios, e informações sobre doenças transmitidas por vetores e sobre o comportamento típico de cães importados não eram fornecidas de forma abrangente. Poucas organizações violavam normas legais, por exemplo oferecendo filhotes abaixo da idade permitida ou raças proibidas, ou deixando de usar o sistema de transporte TRACES.</p>\n<h2>Quando o risco vira caso registrado</h2>\n<p>O tema da doença infecciosa tem exemplo documentado. Nos Países Baixos, <em>Brucella canis</em> nunca havia sido isolada até novembro de 2016, quando foi identificada em um cão importado da Romênia. Nos 25 meses seguintes, 16 casos suspeitos foram notificados às autoridades; dez cães eram soropositivos, e a investigação de contatos encontrou outros oito companheiros de ninhada soropositivos. Todos eram cães de resgate importados do leste europeu. A série de casos, publicada em 2021 na Emerging Infectious Diseases, registrou a bactéria em urina, sangue e outros materiais, e os autores destacam que a eliminação urinária deve ser considerada ao avaliar o risco zoonótico. A conclusão é que a importação de cães infectados introduziu a bactéria em um país onde ela não era endêmica.</p>\n<p>Para o médico-veterinário que recebe um cão importado no consultório, os três trabalhos apontam para perguntas concretas: de onde veio, como foi transportado, que triagem sanitária foi feita, que documentação existe e o que o adotante foi levado a esperar. Nenhum dos estudos se opõe à adoção transfronteiriça; o que eles pedem é informação verificável em cada etapa, para que a boa intenção não se converta em prejuízo para o animal, para o tutor e para a população canina local.</p>", "sources": [{"title": "\"They're just shifting a problem\": A qualitative study of stakeholder perceptions of the welfare implications of UK rescue dog importation", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42715163/", "doi": "10.1371/journal.pone.0343416", "organization": "PLoS One"}, {"title": "Animal welfare organisations that rehome dogs from southern and eastern Europe to Germany: A homepage content analysis", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41158303/", "doi": "10.1017/awf.2025.10044", "organization": "Animal Welfare (UFAW / Cambridge University Press)"}, {"title": "Transboundary Spread of Brucella canis through Import of Infected Dogs, the Netherlands, November 2016–December 2018", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34152959/", "doi": "10.3201/eid2707.201238", "organization": "Emerging Infectious Diseases (CDC)"}]}, {"id": 93, "lang": "pt-br", "title": "Revisão aponta falhas na gestão de cães de terapia na Europa e EUA", "url": "https://animalcare.global/pt-br/portal/caes-de-terapia-revisao-ciclo-de-vida-bem-estar/", "published_at": "2026-09-12T00:32:53.969836+00:00", "updated_at": "2026-09-12T13:35:55.015336+00:00", "subtitle": "Síntese publicada na Animals compara modelos de governança na Europa e nos Estados Unidos e encontra exigências centrais de bem-estar aplicadas de forma inconsistente.", "summary": "Uma revisão narrativa de 2026 examinou como cães de terapia são selecionados, treinados, monitorados e aposentados em quadros europeus e norte-americanos. A conclusão: a governança é fragmentada, e a certificação do cão isolado não basta. Um estudo com condutores franceses e o white paper da IAHAIO ajudam a entender o que está em jogo para o bem-estar dos animais.", "category": {"slug": "bem-estar", "name": "Bem-estar e cuidado animal"}, "tags": ["cães de terapia", "intervenções assistidas por animais", "bem-estar", "condutores"], "cover": "https://animalcare.global/media/images/caes-de-terapia-prep.2e16d0ba.fill-1600x900.format-webp.webp", "cover_caption": "Cão de terapia acompanhado por seu condutor. Imagem ilustrativa.", "body_html": "<p>Cães participam de serviços assistidos por animais em hospitais, escolas, serviços sociais e comunidades. Os benefícios para as pessoas têm sido estudados há décadas; os sistemas para preparar e proteger os cães, muito menos. Uma revisão narrativa publicada em 16 de agosto de 2026 na revista Animals, em acesso aberto, sintetizou a literatura empírica, conceitual e de governança sobre a preparação de cães de terapia em contextos europeus selecionados e nos Estados Unidos.</p>\n<p>Os autores organizaram a evidência em sete temas: governança, seleção de candidatos, treinamento, competência do condutor, monitoramento de bem-estar, gestão de saúde e risco zoonótico, e ciclo de carreira. O diagnóstico é de fragmentação. Orientações internacionais, certificações voluntárias, diretrizes nacionais e modelos legalmente estabelecidos diferem em escopo, exigibilidade, salvaguardas de bem-estar, requisitos para o condutor e reavaliação periódica.</p>\n<h2>Do cão aprovado à dupla avaliada em contexto</h2>\n<p>A proposta central da revisão é deixar de tratar a certificação como um teste que o cão passa ou não passa e passar a avaliar a dupla humano-cão dentro de contextos específicos de intervenção. Preparação baseada em recompensa e orientada ao consentimento do animal, monitoramento multimodal de bem-estar, reconhecimento de estresse pelo condutor, triagem veterinária, procedimentos de controle de infecção, regulação da carga de trabalho e planejamento da aposentadoria aparecem como requisitos centrais, mas padronizados de forma inconsistente. Os autores organizam essas exigências em um quadro de ciclo de vida em camadas, no qual a prontidão do cão é um processo dinâmico, dependente do contexto e centrado no bem-estar, da seleção ao fim da carreira.</p>\n<p>Como agenda de pesquisa, o artigo prioriza a avaliação longitudinal do bem-estar, ferramentas validadas de seleção e de competência do condutor, comparação entre modelos de governança, indicadores de bem-estar positivo e relato transparente das variáveis de preparação. Por se tratar de revisão narrativa, sem protocolo sistemático de busca, suas conclusões descrevem um panorama e não estimam efeitos.</p>\n<h2>O que os condutores enxergam, e o que talvez não enxerguem</h2>\n<p>Um estudo publicado em 2022, também na Animals, entrevistou 111 condutores franceses por questionário on-line. Para eles, o bem-estar do cão de terapia é multidimensional: envolve saúde física e psicológica, equilíbrio entre trabalho e vida de cão, e as condições e interações das sessões. Três categorias de fatores de risco foram destacadas: o enquadramento espaço-temporal (planejamento e ambiente), as interações com os beneficiários e o próprio condutor. Os autores chamam atenção para um ponto delicado: as interações com beneficiários estão no centro da prática, mas há poucos estudos sobre elas como fonte de estresse para os cães. E, como as representações dos condutores podem carregar um viés positivo, o estudo defende que eles sejam treinados para identificar e manejar o estresse dos animais.</p>\n<h2>A referência de definições</h2>\n<p>A linguagem comum da área vem do white paper da International Association of Human-Animal Interaction Organizations (IAHAIO), publicado em 2014 e atualizado em 2018, que define as modalidades de intervenção assistida por animais e traz diretrizes de bem-estar para os animais envolvidos, com abordagem de Saúde Única e Bem-estar Único. A organização anunciou uma atualização em 2025 que substitui a expressão \"intervenções\" por \"serviços assistidos por animais\", a mesma adotada pela revisão de 2026. O documento é institucional, não um estudo, e cabe aqui como referência de vocabulário e de princípios.</p>\n<p>Para o médico-veterinário, a contribuição mais concreta desse conjunto é a lista de tarefas que a revisão identifica como centrais e mal padronizadas: triagem de saúde, controle de infecção, limites de carga de trabalho e critérios de aposentadoria. São decisões que passam pelo consultório, e a evidência disponível diz que ainda dependem mais de cada programa do que de um padrão compartilhado.</p>", "sources": [{"title": "Preparing Therapy Dogs for Animal-Assisted Services: Governance, Welfare-Centred Preparation, and a Lifecycle Research Agenda Across Selected European and United States Frameworks", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42651962/", "doi": "10.3390/ani16162557", "organization": "Animals (MDPI)"}, {"title": "Handlers' Representations on Therapy Dogs' Welfare", "url": "https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35268155/", "doi": "10.3390/ani12050580", "organization": "Animals (MDPI)"}, {"title": "IAHAIO White Paper: Definitions for Animal Assisted Intervention (Services) and Guidelines for Wellness of Animals Involved", "url": "https://iahaio.org/best-practice/white-paper-on-animal-assisted-interventions/", "doi": "", "organization": "International Association of Human-Animal Interaction Organizations (IAHAIO)"}]}]}